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No fundo do Atlântico, a 2.540 metros de profundidade, cientistas da NOAA encontraram fileiras de buracos alinhados como se alguém tivesse perfurado o leito oceânico com precisão artificial, cercados por pequenos montes de sedimento e ainda sem explicação definitiva na Dorsal Mesoatlântica

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 24/06/2026 às 14:48 Atualizado em 24/06/2026 às 14:49
Assista o vídeoNOAA registrou fileiras de buracos a 2.540 metros no Atlântico, perto dos Açores, e a origem das marcas no fundo do mar segue sem explicação.
Fendas no fundo marinho com ROV
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NOAA registrou fileiras de buracos a 2.540 metros no Atlântico, perto dos Açores, e a origem das marcas no fundo do mar segue sem explicação.

Cientistas da NOAA encontraram fileiras de buracos quase retos no sedimento do fundo do oceano Atlântico a 2.540 metros de profundidade durante a expedição Voyage to the Ridge 2022. As marcas chamaram atenção porque surgiam em séries lineares, com pequenos montes de sedimento ao redor, como se algo tivesse escavado o leito marinho. A origem, porém, continua indefinida.

O caso voltou a atrair interesse porque o registro de 2022 não foi o primeiro. Um estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science mostrou que formações muito parecidas já haviam sido observadas em 2004, ao norte dos Açores, também na Dorsal Mesoatlântica. Mesmo com imagens, análise morfológica e discussão de hipóteses, os pesquisadores não conseguiram apontar com certeza qual organismo ou processo produziu os buracos.

Buracos no fundo do mar foram vistos em área remota da Dorsal Mesoatlântica

A descoberta mais conhecida ocorreu durante o Dive 04 da segunda etapa da expedição Voyage to the Ridge 2022, da NOAA Ocean Exploration. Nesse mergulho, a equipe registrou vários conjuntos sublineares de buracos no sedimento a cerca de 2.540 metros, em uma área profunda do Atlântico associada à Dorsal Mesoatlântica.

A própria NOAA informou que os buracos voltaram a ser vistos no Dive 09, em quatro ocorrências entre aproximadamente 1.440 e 1.500 metros de profundidade. Esse reaparecimento reforçou a percepção de que não se tratava de uma marca isolada ou de um detalhe casual do relevo submarino.

A 2.540 metros de profundidade na Dorsal Mesoatlântica, cientistas da NOAA encontraram fileiras de buracos perfeitamente alinhados no fundo do oceano, cada um cercado por pequenos montes de sedimento, o padrão é tão preciso que parece artificial, mas até hoje ninguém sabe o que os criou
Imagem: NOAA Ocean Exploration/Voyage to the Ridge 2022

O estudo científico de Michael Vecchione e Odd Aksel Bergstad ajuda a ampliar o contexto. Os autores relataram observações semelhantes em 2004, ao norte dos Açores, em profundidades entre 2.074 e 2.097 metros, mostrando que o fenômeno já vinha sendo registrado na região muito antes da expedição de 2022.

Padrão dos buracos no Atlântico intrigou a equipe pela regularidade

O que mais chamou atenção dos pesquisadores foi o desenho das marcas no sedimento. Em vez de aparecerem espalhados de forma aleatória, os buracos surgiam em séries sublineares, com alinhamento visual forte e espaçamento relativamente repetido, o que os tornava incomuns para um fundo marinho de aparência homogênea.

No artigo científico, os autores descrevem esses buracos como estruturas alongadas, com cerca de 6 por 1,5 centímetros, e observam que a distância entre um orifício e outro era parecida com o comprimento de cada marca.

Os exemplares aparentemente mais recentes tinham sedimento elevado ao redor, enquanto os mais antigos pareciam parcialmente preenchidos.

A 2.540 metros de profundidade na Dorsal Mesoatlântica, cientistas da NOAA encontraram fileiras de buracos perfeitamente alinhados no fundo do oceano, cada um cercado por pequenos montes de sedimento, o padrão é tão preciso que parece artificial, mas até hoje ninguém sabe o que os criou
Imagem: NOAA Ocean Exploration/Voyage to the Ridge 2022

As imagens divulgadas pela NOAA também mostram dois pontos de laser separados por 10 centímetros, usados como escala no fundo do mar. Esse detalhe ajudou a equipe a estimar o tamanho e a repetição do padrão com mais precisão.

Robôs submarinos da NOAA tentaram investigar os buracos de perto

A análise foi feita com veículos operados remotamente, os chamados ROVs, que permitem observar e amostrar áreas profundas sem mergulho humano direto.

Segundo a NOAA, os operadores tentaram examinar as cavidades com os instrumentos do robô, mas não conseguiram enxergar se os buracos estavam conectados sob a superfície do sedimento.

A 2.540 metros de profundidade na Dorsal Mesoatlântica, cientistas da NOAA encontraram fileiras de buracos perfeitamente alinhados no fundo do oceano, cada um cercado por pequenos montes de sedimento, o padrão é tão preciso que parece artificial, mas até hoje ninguém sabe o que os criou
Imagem: NOAA Ocean Exploration/Voyage to the Ridge 2022

Na segunda observação do fenômeno, durante o Dive 09, os pilotos do ROV usaram um sistema de sucção para coletar sedimento de marcas consideradas mais frescas.

A equipe também recolheu uma amostra de água para análise posterior de DNA ambiental, numa tentativa de descobrir quais organismos poderiam estar vivendo dentro ou ao redor das perfurações.

Mesmo assim, a recuperação do material não trouxe uma resposta conclusiva. A NOAA registrou que a inspeção do sedimento coletado não revelou pistas claras sobre o que formou os buracos, mantendo o caso em aberto.

Hipóteses científicas apontam atividade biológica, mas nada foi confirmado

A NOAA e o artigo de Vecchione e Bergstad tratam a origem dos buracos como desconhecida. Entre as hipóteses consideradas, a mais citada é a de escavação por algum organismo associado ao sedimento, seja vivendo dentro dele, seja removendo material com alguma estrutura corporal usada para alimentação.

Os autores usam o termo lebensspuren, expressão aplicada a “traços de vida” produzidos na superfície do sedimento por atividade biológica.

Nesse enquadramento, os buracos poderiam representar marcas de bioturbação, isto é, alterações físicas do fundo marinho causadas por seres vivos que cavam, reviram ou deslocam partículas em busca de alimento ou abrigo.

Ao mesmo tempo, o estudo ressalta que nenhum close obtido mostrou claramente um animal dentro dos orifícios, e a conexão entre as cavidades sob o sedimento também não pôde ser observada. Por isso, os cientistas não fecharam diagnóstico e mantiveram a origem das marcas como mistério científico.

Buracos misteriosos já tinham sido vistos antes ao norte dos Açores

Um dos pontos mais relevantes da história é que o episódio de 2022 não surgiu do zero. O artigo publicado em 2022 em Frontiers in Marine Science descreve registros obtidos em 13 de julho de 2004, quando um ROV filmou diversas séries sublineares de buracos em sedimentos da Dorsal Mesoatlântica, ao norte dos Açores.

Naquele levantamento, os autores observaram que algumas séries tinham menos de um metro, enquanto outras se estendiam por muitos metros. Havia conjuntos retos, suavemente curvos e até fileiras que se cruzavam, mostrando que o padrão não era restrito a uma única trilha simples no fundo do mar.

Esse histórico torna o caso ainda mais importante. Em vez de um evento pontual, as evidências sugerem um tipo de marca recorrente em uma parte do Atlântico profundo, ainda pouco compreendida pela ciência.

Fundo do oceano segue pouco conhecido mesmo com tecnologia moderna

O episódio também ajuda a explicar por que o oceano profundo ainda produz descobertas inesperadas. A NOAA informa que, em abril de 2026, apenas 28,7% do fundo marinho global havia sido mapeado com tecnologia moderna de alta resolução.

Isso significa que a maior parte do leito oceânico ainda não foi registrada em detalhe suficiente para revelar feições menores com regularidade.

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A mesma página destaca que mapas feitos com dados de satélite oferecem apenas uma visão geral do relevo submarino. Eles são úteis para orientar expedições, mas não substituem observações diretas com robôs, sonar de alta resolução e coleta de amostras no local.

A NOAA também afirma que os exploradores viram menos de 0,001% do fundo do oceano profundo, uma fração minúscula diante da escala real desse ambiente. É justamente nessa fronteira pouco observada que anomalias como essas fileiras de buracos continuam aparecendo.

NOAA pediu ajuda ao público após divulgar as imagens do fenômeno

Diante da falta de resposta imediata, a NOAA decidiu compartilhar o caso em redes sociais e pedir hipóteses ao público. O órgão informou que recebeu sugestões de todos os tipos, de organismos ainda não identificados a processos naturais no interior do sedimento.

Esse movimento de consulta aberta não significou abandono do método científico. Na prática, foi uma forma de ampliar o debate em torno de um registro incomum, especialmente porque pesquisadores de áreas diferentes podem reconhecer padrões que a equipe original ainda não havia associado a um processo específico.

Até agora, porém, nenhuma hipótese apresentada foi confirmada de forma definitiva. O caso segue como um exemplo claro de quanto o oceano profundo ainda desafia a observação, a classificação e a interpretação científica.

Mistério no Atlântico profundo continua sem explicação definitiva

A descoberta das fileiras de buracos no fundo do Atlântico ganhou repercussão porque reúne três elementos raros ao mesmo tempo: profundidade extrema, padrão visual incomum e ausência de explicação conclusiva. Isso transforma o caso em uma daquelas ocorrências que parecem simples à primeira vista, mas expõem grandes lacunas no conhecimento sobre ecossistemas de mar profundo.

O mais importante é que o fenômeno não foi tratado pela NOAA como curiosidade vazia. As imagens foram contextualizadas por amostragem, tentativa de inspeção direta e comparação com registros científicos anteriores, o que mostra que o mistério já entrou no radar formal da pesquisa oceanográfica.

Novas missões, coletas mais precisas e análises futuras podem esclarecer se essas marcas são produzidas por um animal ainda não associado ao padrão, por algum comportamento alimentar raro ou por outro processo do sedimento profundo. Por enquanto, a resposta mais honesta continua sendo a mesma: não há confirmação sobre o que criou os buracos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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