Descoberta revela detalhes inéditos sobre a formação de uma estrela gigante, com até 20 vezes a massa do Sol, em região distante do espaço interestelar.
Astrônomos registraram a imagem mais nítida já vista de uma estrela em formação se alimentando de gás em altíssima velocidade. Trata-se de um raro momento capturado do nascimento de uma estrela gigante, com até 20 vezes a massa do Sol.
Uma estrela em formação
A estrela, chamada HW2, está localizada a cerca de 2.300 anos-luz da Terra, na região conhecida como Cepheus A.
A região é um berçário estelar, onde novas estrelas surgem a partir de nuvens de gás e poeira. HW2 é uma protoestrela massiva, ou seja, está em um estágio inicial de desenvolvimento. Mesmo assim, já apresenta uma massa entre 10 e 20 vezes maior que a do nosso Sol.
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O momento é considerado raro. Protoestrelas gigantes são difíceis de observar com clareza, por estarem envoltas em densas camadas de poeira.
No entanto, a equipe conseguiu uma visão inédita do processo de formação da HW2, revelando detalhes importantes sobre seu crescimento.
Gás mapeado com amônia
Para obter essas imagens, os astrônomos usaram uma técnica inovadora. Eles recorreram à amônia — uma molécula comum tanto no espaço quanto nos produtos de limpeza domésticos — para mapear o disco giratório de gás ao redor da estrela.
Essa amônia emite ondas de rádio que atravessam a poeira, permitindo uma visualização clara.
As observações foram feitas em 2019, por meio do Very Large Array, um conjunto de radiotelescópios localizado no Novo México, Estados Unidos.
Com esse equipamento, a equipe conseguiu identificar que o disco ao redor de HW2 está fornecendo gás para a estrela numa taxa altíssima: o equivalente a duas massas de Júpiter por ano.
Regras para estrelas gigantes
O estudo mostra que mesmo estrelas gigantes seguem processos parecidos com os de estrelas menores, como o Sol. “Estamos sempre tentando obter regras gerais que possam explicar o maior número de fenômenos que observamos”, explicou Alberto Sanna, líder do estudo e pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.
Segundo Sanna, os dados reforçam que as leis que regem a formação estelar são as mesmas, apenas em diferentes escalas. O disco que alimenta HW2 mostra comportamento turbulento e apresenta assimetrias: o lado leste tem quase o dobro de gás do que o lado oeste.
Um gasoduto cósmico invisível
Essa diferença no disco indica que pode haver uma força externa interferindo no sistema. Os cientistas sugerem que um fluxo de gás e poeira próximo — semelhante a um filamento — esteja canalizando material para HW2. Esse fenômeno tem sido descrito como um “gasoduto cósmico”.
Embora essas estruturas ainda não tenham sido diretamente observadas, os modelos propostos no estudo abrem caminho para que futuros telescópios possam confirmar a teoria. Para os cientistas, entender por quanto tempo HW2 continuará crescendo é uma das próximas etapas.
O estudo será publicado na revista Astronomy & Astrophysics e também está disponível no servidor de pré-impressão arXiv.

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