Empresa da Nigéria reaproveita lixo eletrônico para fabricar lanternas solares e sistemas domésticos de energia destinados a comunidades sem acesso confiável à eletricidade.
Em uma oficina localizada em Lagos, na Nigéria, equipamentos eletrônicos descartados estão ganhando uma segunda vida. Baterias retiradas de notebooks antigos, peças de computadores inutilizados e vidros recuperados de televisores quebrados passaram a compor lanternas solares criadas para atender comunidades que convivem diariamente com apagões e baixa cobertura elétrica. A iniciativa é da startup QuadLoop, empresa de tecnologia limpa fundada pelo empreendedor nigeriano Dozie Igweilo, que decidiu transformar um dos maiores problemas ambientais do continente africano em uma fonte alternativa de energia para residências, pequenos negócios e áreas rurais afastadas das redes convencionais de distribuição.
Lanternas solares utilizam até 70% de materiais provenientes de lixo eletrônico
Segundo informações divulgadas pela própria QuadLoop, aproximadamente 70% dos componentes utilizados em suas lanternas solares são provenientes de resíduos eletrônicos reaproveitados.
A estratégia faz parte de uma política adotada pela empresa chamada de “zero mineração”, cujo objetivo é reduzir a necessidade de extração de novas matérias-primas.
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Entre os materiais recuperados estão células de baterias de íons de lítio retiradas de notebooks descartados, fios, parafusos, componentes eletrônicos e estruturas fabricadas com vidro proveniente de antigas telas de televisores e monitores de computador.
A principal linha de produtos da empresa é a lanterna portátil chamada Ìdùnnú, palavra que significa “alegria” na língua iorubá, falada por milhões de pessoas na África Ocidental. Segundo a QuadLoop, o equipamento também oferece uma porta USB para carregamento de celulares e dispositivos eletrônicos.
Empresa surgiu para enfrentar apagões frequentes e ampliar o acesso à energia em comunidades vulneráveis
A Nigéria enfrenta há décadas dificuldades relacionadas ao fornecimento de eletricidade. Quedas constantes na rede nacional obrigam milhões de pessoas a recorrer a geradores movidos a combustíveis fósseis, querosene e outras soluções caras e poluentes.
Reportagem da Reuters informa que as lanternas produzidas pela QuadLoop são utilizadas principalmente por pequenos comerciantes, trabalhadores autônomos e moradores que precisam manter atividades econômicas funcionando durante períodos sem energia elétrica.
Em entrevista à Reuters, Dozie Igweilo explicou que o objetivo da empresa é ampliar gradualmente o uso de componentes reciclados, chegando a produzir equipamentos cada vez mais sustentáveis e acessíveis. Atualmente, a QuadLoop afirma que pretende obter cerca de 70% de seus materiais diretamente do fluxo de resíduos eletrônicos.
Cada lanterna evita que até 2,5 kg de lixo eletrônico acabem em aterros
Além de fornecer iluminação limpa, a empresa destaca um impacto ambiental significativo. Segundo dados divulgados pela QuadLoop, cada lanterna produzida impede que aproximadamente 2,5 quilogramas de lixo eletrônico sejam descartados em aterros sanitários.
A companhia também afirma que o uso dessas soluções reduz a dependência de lanternas movidas a querosene, diminuindo emissões de carbono associadas à geração de energia convencional.
O Fórum Econômico Mundial destaca que o reaproveitamento de baterias usadas de notebooks representa uma alternativa importante para ampliar o acesso à energia em regiões onde a eletrificação ainda é limitada.
Segundo a organização, o modelo desenvolvido pela QuadLoop permite aproveitar materiais que normalmente seriam tratados apenas como resíduos.
Startup começou com poucas unidades e hoje aposta em sistemas domésticos de energia solar
De acordo com levantamento do Observatoire Europe-Afrique 2030, a QuadLoop iniciou suas atividades em 2016 após meses de pesquisa sobre reutilização de lixo eletrônico. Em seu primeiro ano de operação, a empresa produziu cerca de 40 lanternas solares recarregáveis.
Em 2020, a startup recebeu um aporte de US$ 10 mil do Nigerian Climate Innovation Centre, permitindo ampliar a produção e aumentar a participação de materiais reciclados, que passou de aproximadamente 30% para 70% dos componentes utilizados.
Além das lanternas, a empresa trabalha no desenvolvimento de sistemas domésticos solares destinados ao funcionamento de ventiladores, iluminação residencial e pequenos aparelhos eletrônicos em áreas sem acesso confiável à rede elétrica.
O que era considerado sucata agora ajuda a iluminar comunidades inteiras
Computadores antigos, televisores quebrados e baterias descartadas normalmente representam um desafio ambiental crescente em diversas partes do planeta.
Na Nigéria, entretanto, parte desse material passou a ser vista como matéria-prima para uma nova indústria de energia limpa.
A proposta da QuadLoop demonstra como tecnologias relativamente simples podem transformar resíduos altamente poluentes em equipamentos capazes de levar iluminação, carregamento de celulares e autonomia energética para regiões que ainda convivem com apagões frequentes e infraestrutura limitada.

