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Estados Unidos embarcaram 149 mil toneladas de carne bovina brasileira em quatro meses de exportações recordes, a receita atingiu 962 milhões de dólares e a Copa do Mundo no território americano pode acelerar ainda mais a pecuária brasileira

Publicado em 21/05/2026 às 22:05
Atualizado em 21/05/2026 às 22:07
Assista o vídeoEstados Unidos compraram 149 mil toneladas de carne bovina brasileira. Exportações batem recorde e Copa do Mundo pode impulsionar a pecuária nos próximos meses.
Estados Unidos compraram 149 mil toneladas de carne bovina brasileira. Exportações batem recorde e Copa do Mundo pode impulsionar a pecuária nos próximos meses.
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Os Estados Unidos consolidaram a posição de segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, com embarque de 149,8 mil toneladas e receita de 962,5 milhões de dólares entre janeiro e abril de 2026. Segundo o TIMES BRASIL, o mundo vive o menor estoque global de gado desde 2006, e o Brasil, maior produtor mundial de carne bovina, bateu recorde histórico de exportações no primeiro quadrimestre. A Copa do Mundo e o verão americano devem impulsionar a pecuária brasileira nos próximos meses.

Os Estados Unidos estão comprando mais carne bovina brasileira do que em qualquer outro momento da história. Entre janeiro e abril de 2026, o país importou 149,8 mil toneladas de carne bovina do Brasil, gerando receita de 962,5 milhões de dólares. O volume representou 13,7% de tudo o que o Brasil exportou no período e consolidou os americanos como segundo maior destino da proteína brasileira, atrás apenas da China, que liderou com 474,2 mil toneladas e 2,7 bilhões de dólares. O preço médio pago pela carne bovina brasileira atingiu recorde de 6 dólares por quilograma no mercado americano, superando o pico anterior de 5,24 dólares registrado em 2022.

A demanda acontece em um cenário de escassez global. Segundo Thiago Bernardino, coordenador de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o mundo vive o menor estoque de gado desde 2006, o que significa que há duas décadas não se via tanta dificuldade para encontrar volumes consistentes de carne bovina no mercado internacional. O Brasil se tornou o fornecedor natural para preencher essa lacuna, especialmente às vésperas da Copa do Mundo nos Estados Unidos: o país é o maior produtor mundial da proteína, bateu recorde de abate em 2025 com 42,5 milhões de cabeças e exportou mais de 1 milhão de toneladas só no primeiro quadrimestre de 2026.

Por que os Estados Unidos compram tanta carne bovina do Brasil

imagem: ilustrativa
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O aumento das importações americanas não é acidental. O rebanho bovino dos Estados Unidos está em um dos menores patamares em décadas, resultado de anos de seca, custos elevados de alimentação e um ciclo pecuário que demora entre dois e quatro anos para se reverter. Com menos gado disponível internamente, o preço da carne bovina subiu nos Estados Unidos nos últimos dois anos, pressionando a inflação e forçando a indústria a buscar fornecedores externos.

A carne bovina brasileira entra nos Estados Unidos principalmente como matéria-prima para blends de hambúrguer. As redes de fast food e processadoras americanas misturam cortes importados com carne local para produzir o hambúrguer que alimenta restaurantes, lanchonetes e supermercados. Bernardino explicou que essa dinâmica é estrutural: enquanto o rebanho americano não se recompor, a dependência de importações continuará crescendo. A pecuária é uma produção de ciclo longo, e investimentos feitos hoje só geram retorno em dois a quatro anos.

A Copa do Mundo como acelerador da demanda

O setor projeta uma aceleração nas vendas de carne bovina para os Estados Unidos nas próximas semanas por causa de dois fatores simultâneos. O primeiro é o início do verão americano e das férias escolares, período em que as famílias viajam, frequentam parques e aumentam o consumo de hambúrgueres e produtos processados. O segundo é a Copa do Mundo de 2026, que será disputada no território americano com mais de 40 seleções e milhões de turistas estrangeiros consumindo fast food.

A combinação de verão, turismo e megaevento esportivo cria uma pressão de demanda que o mercado interno americano não consegue suprir sozinho. Bernardino afirmou que as pessoas vão aos Estados Unidos passear, ver jogos e comer, e que o hambúrguer é o centro dessa equação. Para o Brasil, a Copa representa uma janela de exportação que pode manter os embarques de carne bovina em níveis recordes durante todo o segundo semestre.

O recorde brasileiro de exportações em 2026

O desempenho das exportações de carne bovina do Brasil em 2026 é histórico em todos os indicadores. No primeiro quadrimestre, o país embarcou mais de 1 milhão de toneladas, com faturamento que ultrapassou 6 bilhões de dólares. Só em janeiro, as exportações atingiram 264 mil toneladas e 1,4 bilhão de dólares, o melhor resultado já registrado para o mês. Em abril, o volume chegou a 288,7 mil toneladas, com receita de 1,719 bilhão de dólares, alta de 29,1% em relação a abril de 2025.

Os produtos in natura lideram a pauta exportadora, representando 87,3% de tudo o que o Brasil vendeu em abril. Além da China e dos Estados Unidos, outros mercados relevantes incluem Chile (49,5 mil toneladas), Rússia (40,4 mil toneladas) e União Europeia (34,7 mil toneladas, crescimento de 17,7%). A diversificação de destinos é um dado positivo para o setor, especialmente diante da cota tarifária imposta pela China, que pode limitar os embarques ao mercado asiático a partir de junho.

O impacto no preço do boi gordo e na pecuária brasileira

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A alta das exportações exerce pressão direta sobre o preço do boi gordo nas principais praças brasileiras. Com mais carne bovina saindo para o exterior, a oferta interna diminui e os preços sobem. Bernardino avaliou que a pecuária é um dos poucos setores do agronegócio brasileiro que está capitalizado neste momento, diferente da soja e do milho, que operam com margens negativas há quatro anos consecutivos.

O coordenador do Cepea explicou que a relação de troca ainda é favorável para o pecuarista: com a venda de um boi gordo, o produtor consegue comprar mais insumos do que há um ano, apesar da inflação nos fertilizantes, combustíveis e fretes. O boi gordo em alta puxa naturalmente os preços do boi magro e do bezerro, mas o momento financeiro permanece saudável para quem está no campo. A preocupação fica por conta das incertezas geopolíticas, que podem afetar custos de insumos e alterar o cenário de forma abrupta.

A pressão dos pecuaristas americanos e o risco de novas barreiras

O crescimento das importações de carne bovina brasileira pelos Estados Unidos também gera tensão interna. Pecuaristas americanos pressionam o governo Trump por mais proteção ao mercado local, argumentando que a entrada de carne importada a preços competitivos prejudica quem produz nos Estados Unidos. Bernardino reconheceu que esse é um dilema clássico: proteger o produtor local ou conter a inflação de alimentos.

O governo americano enfrenta uma situação difícil. Por um lado, impor mais barreiras à carne bovina brasileira protegeria os fazendeiros americanos. Por outro, restringir a oferta faria os preços subirem ainda mais para o consumidor final, alimentando a inflação. Com a Copa do Mundo se aproximando e o verão elevando o consumo, qualquer restrição adicional teria impacto imediato nas prateleiras. O Brasil observa o cenário com atenção, sabendo que os próximos meses podem definir o tamanho da fatia americana nas exportações de carne bovina pelo resto do ano.

Você sabia que os Estados Unidos já são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil? Acha que a Copa do Mundo vai manter essa demanda em alta ou os pecuaristas americanos vão conseguir impor novas barreiras? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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