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Especialistas debatem quem realmente vai lucrar com o acordo Mercosul-UE: Brasil aposta no agro, Argentina teme choque industrial, Paraguai vira surpresa bilionária e o pacto histórico de 2026 pode redefinir o poder econômico da América do Sul

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 19/01/2026 às 21:44
Assista o vídeoAcordo Mercosul-UE assinado em 2026 reacende debate sobre Brasil, Argentina e Paraguai: tarifas caem em etapas, exportações podem crescer e o pacto pode redesenhar o poder econômico do bloco e da União Europeia na América do Sul.
Acordo Mercosul-UE assinado em 2026 reacende debate sobre Brasil, Argentina e Paraguai: tarifas caem em etapas, exportações podem crescer e o pacto pode redesenhar o poder econômico do bloco e da União Europeia na América do Sul.
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Acordo Mercosul-UE cria a maior área de livre comércio do mundo, com 718 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22,4 trilhões, mas abre um jogo desigual. Brasil projeta salto no agro, Argentina pede transição industrial e Paraguai mira virar hub exportador, com regras de origem, em escala continental.

O acordo Mercosul-UE virou o centro do debate econômico na América do Sul após a assinatura histórica em 17 de janeiro de 2026, em Assunção. Economistas colocam a mesma pergunta na mesa, com respostas diferentes: quem ganha mais com a abertura, e em qual setor, quando o pacote mistura exportações agrícolas, indústria, investimentos e regras de transição.

A leitura dominante é que o impacto será assimétrico por desenho. O Brasil aparece como ganhador em volume, a Argentina tenta transformar previsibilidade em fôlego industrial, e o Paraguai pode ter o maior ganho proporcional, por custo de produção menor e potencial de atrair empresas mirando o mercado europeu a partir das regras do bloco.

O que está em jogo no acordo Mercosul-UE e por que 2026 muda o tabuleiro

O acordo cria uma área de livre comércio descrita como a maior do mundo, reunindo 718 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22,4 trilhões.

A partir daí, o debate deixa de ser apenas diplomático e vira engenharia econômica: como cada país se encaixa nas cadeias de valor, quais setores aguentam concorrência e quais aproveitam o corredor de acesso preferencial.

Nos termos apresentados, o desenho tarifário cria uma rua de mão dupla com prazos diferentes.

A União Europeia elimina tarifas para 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos, enquanto o Mercosul zera tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos.

Esse descompasso de calendário é um dos pontos que alimenta a disputa sobre vencedores e perdedores no curto, médio e longo prazo.

Brasil: ganho no agro, projeções bilionárias e o debate sobre desindustrialização

No Brasil, o consenso do debate é setorial.

O país é apontado como grande beneficiário no agronegócio, com projeções de acréscimo de até US$ 11 bilhões no setor nos próximos anos.

Entram no radar produtos citados como carnes, suco de laranja e café, favorecidos pela queda gradual de tarifas do lado europeu.

Os números de projeção econômica apresentados para o Brasil colocam o país como líder em escala financeira.

Estimativas apontam ganho de R$ 37 bilhões no PIB a longo prazo (0,34%), além de aumento de US$ 10,42 bilhões nas exportações para a UE até 2044.

Há ainda a projeção de um efeito inicial no volume total exportado, com crescimento imediato de 2,65%, e expectativa de incremento de 0,76% no nível de investimentos, em torno de R$ 13,6 bilhões.

Mesmo assim, o debate brasileiro não é só de comemoração.

A crítica central é o risco de desindustrialização acelerada, já que a abertura prevê entrada mais ampla de bens europeus, frequentemente associados a maior conteúdo tecnológico.

O ponto de tensão aparece no choque de competitividade, especialmente na indústria de transformação, que pode enfrentar pressão de preço e padrão de qualidade ao competir com manufaturados europeus.

Outro elemento que entra no tabuleiro brasileiro é a discussão sobre terras raras, citadas como oportunidade estratégica por serem insumos relevantes para transição energética.

No recorte apresentado, o Brasil é associado a 25% das reservas mundiais, o que alimenta a tese de que o acordo pode abrir uma avenida para exportações além das commodities tradicionais.

Argentina: abertura para agroindústria, selo de previsibilidade e o medo do choque industrial

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Na Argentina, o acordo é tratado como ferramenta dupla: acesso de mercado e previsibilidade.

Economistas apontam benefícios para produtos agroindustriais, com destaque para o debate sobre o farelo de soja, citado com taxa de exportação atualmente em 31%, cuja redução é colocada como fator de competitividade externa.

No setor de bebidas e alimentos, entram produtos como vinhos, com menção a tarifas europeias de até 35% que seriam eliminadas de forma progressiva.

Esse ponto é usado no debate para sustentar que a Argentina ganha espaço em nichos onde já tem tradição exportadora, especialmente se o acesso preferencial reduzir barreiras e ampliar volumes.

O coração do medo argentino, porém, é industrial.

O debate aponta sensibilidade de setores historicamente protegidos, com destaque para o setor automotivo: tarifa atual de 35% sobre carros europeus e transição de até 15 anos para eliminação tarifária.

Para economistas mais cautelosos, esse período é uma contagem regressiva para modernização de fábricas, produtividade e capacidade de competir com bens europeus, citados como de alta tecnologia.

Paraguai: surpresa bilionária, custos menores e o plano de virar hub regional de exportação

O Paraguai aparece no debate como o caso que pode mudar mais rapidamente por efeito proporcional.

A lógica é clara: economia menor, qualquer salto em investimento e exportação pesa mais no PIB.

Por isso, alguns economistas argumentam que o país pode ter o maior ganho proporcional ao seu PIB, mesmo que o Brasil tenha o maior saldo em números absolutos.

O mecanismo que sustenta essa tese é a combinação de custos de produção menores, baixa carga tributária e uma posição de plataforma para empresas que desejam produzir localmente e exportar, aproveitando o enquadramento do bloco.

O debate menciona regras de origem como peça-chave: ao incorporar componentes locais e operar dentro do Mercosul, empresas mirariam o mercado europeu com mais previsibilidade institucional.

O trunfo adicional citado é o custo de energia, colocado como atrativo para investimentos industriais e de serviços.

Ao mesmo tempo, o debate não ignora riscos: há alerta sobre dependência das regras de origem e possível impacto em pequenas indústrias locais, além da pressão ambiental associada à expansão exportadora, com menção ao Gran Chaco como área sensível ligada ao avanço de cadeias como a carne.

O mapa das tarifas que concentra a disputa: carros, vinhos, máquinas e químicos

Os economistas concentram o debate em quatro grupos onde a queda de tarifas pode redesenhar fluxos e preços:

Carros europeus: tarifa citada de 35%, com eliminação em até 15 anos, apontada como teste de sobrevivência para partes da indústria sul-americana.

Vinhos e destilados: tarifas citadas de até 35%, com eliminação progressiva, abrindo acesso para exportadores do Mercosul em segmentos específicos.

Máquinas e equipamentos: faixa tarifária citada de 14% a 20%, com redução destacada como alívio de custo para importações e modernização, mas também como pressão competitiva sobre fabricantes locais.

Produtos químicos: tarifa citada de até 18%, com redução vista como potencial de baratear insumos industriais, mexendo em cadeias produtivas.

Esse quadro explica por que o mesmo acordo pode ser visto como impulso e ameaça ao mesmo tempo: ele pode reduzir custo de máquina e insumo para alguns setores, enquanto amplia competição direta em outros.

Por que “não existe um vencedor único” virou a frase mais repetida no debate de 2026

A síntese do debate em 2026 é que o acordo distribui ganhos por setor e por capacidade de adaptação.

O Brasil ganha em escala e commodities, a Argentina tenta converter acesso em estabilidade e modernização, e o Paraguai mira reposicionamento estrutural via investimento.

A diferença entre ganhar “mais” e ganhar “melhor” aparece como o centro da disputa. Brasil pode concentrar ganhos no agro e exportações, mas carrega a discussão sobre competitividade industrial.

Argentina pode abrir mercados para produtos agroindustriais, mas teme choque em segmentos industriais sensíveis.

Paraguai pode atrair capital e virar plataforma, mas enfrenta o desafio de manter o ganho sem ampliar vulnerabilidades, inclusive ambientais.

No fim, o acordo Mercosul-UE funciona como um teste de estratégia econômica: quem usar o período de transição para ajustar produtividade, infraestrutura e posicionamento nas cadeias globais tende a capturar mais do que apenas o efeito tarifário.

Na sua opinião, o acordo Mercosul-UE vai transformar o Paraguai no maior vencedor proporcional, ou Brasil e Argentina ainda têm mais ferramentas para dominar os ganhos nos setores decisivos?

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Marcos
Marcos
20/01/2026 10:27

A governança no Paraguai é mais eficiente que no Brasil e Argentina. Paraguai será o grande beneficiado. O Brasil aceitou as salva guardas impostas pelos agricultores europeus. Isso foi um erro que vai nos custar caro.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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