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Enquanto Brasil tem maior imposto do mundo, Paraguai atrai brasileiros com IVA de 10% e carga tributária quase 18 pontos menor; reforma brasileira aposta em IVA dual para reorganizar sistema que arrecada 33,7% do PIB e supera média latino-americana

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/05/2026 às 13:36
Atualizado em 08/05/2026 às 13:46
Brasil chega a 33,7% de carga tributária enquanto Paraguai mantém IVA de 10% e amplia contraste fiscal na América do Sul.
Brasil chega a 33,7% de carga tributária enquanto Paraguai mantém IVA de 10% e amplia contraste fiscal na América do Sul.
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Diferença entre Brasil e Paraguai evidencia modelos tributários opostos na América do Sul, enquanto o país vizinho mantém IVA reduzido e arrecadação menor, o Brasil acelera a reforma do consumo para simplificar um sistema marcado por sobreposição de impostos, alta carga tributária e regras espalhadas entre União, estados e municípios.

Brasil e Paraguai chegaram a 2026 em pontos opostos da tributação regional: enquanto o país vizinho manteve IVA geral de 10% e carga tributária de 15,8% do PIB, o Brasil alcançou 33,7% do PIB e avançou na transição para um IVA dual.

Os números reforçam um contraste que há anos alimenta debates sobre competitividade econômica, custo operacional das empresas e eficiência dos modelos de arrecadação adotados na América do Sul.

De um lado, o Paraguai preserva uma estrutura considerada mais enxuta em relação ao tamanho da economia.

Do outro, o Brasil tenta reorganizar um sistema historicamente marcado por regras fragmentadas, múltiplos tributos e diferentes competências entre União, estados e municípios.

O contraste aparece em levantamento mais recente da OCDE sobre arrecadação na América Latina e no Caribe, que consolida dados fiscais de 2024 e segue orientando as discussões tributárias em 2026.

O estudo mostra o Brasil no maior patamar entre os países avaliados.

A média regional ficou em 21,7%, bem abaixo do nível brasileiro e acima do percentual registrado pelo Paraguai.

A diferença entre os dois países também ganha relevância porque o tema tributário passou a ocupar espaço central nas discussões sobre produtividade e ambiente de negócios.

Empresas que operam em mercados integrados da América do Sul frequentemente apontam a complexidade brasileira como um dos fatores que elevam custos administrativos e aumentam o tempo gasto com obrigações fiscais.

Ao mesmo tempo, especialistas observam que modelos tributários mais simples nem sempre significam maior capacidade de investimento público ou maior arrecadação para programas sociais e infraestrutura.

Diferença entre IVA e carga tributária amplia contraste regional

A distância de 17,9 pontos percentuais entre os dois países não se explica apenas pelo imposto sobre consumo.

A carga tributária mede toda a arrecadação em relação ao PIB, incluindo tributos sobre renda, folha, patrimônio, bens, serviços e contribuições sociais.

Ainda assim, o IVA paraguaio ajuda a evidenciar a diferença entre os modelos.

Com alíquota geral de 10%, o Paraguai fica abaixo da média sul-americana de 16,8% e também abaixo da média regional de 14,6% apontada pela OCDE.

No Brasil, a comparação é mais complexa porque a tributação sobre consumo foi construída com vários tributos sobrepostos.

União, estados e municípios dividiram competências ao longo dos anos, criando regras distintas para PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

Esse desenho fez com que empresas precisassem lidar com legislações estaduais diferentes, interpretações variadas e mudanças frequentes de regras fiscais.

Em muitos casos, a estrutura tributária brasileira passou a exigir departamentos especializados apenas para acompanhar obrigações acessórias e disputas administrativas.

A complexidade também afetou cadeias produtivas, principalmente setores com operações interestaduais e forte circulação de mercadorias.

Peso dos impostos sobre consumo no sistema brasileiro

Os dados da OCDE mostram que os impostos sobre bens e serviços chegaram a 14,4% do PIB brasileiro no levantamento consolidado mais recente disponível, divulgado e utilizado como referência em 2026.

As contribuições para a seguridade social representaram 8,1%, enquanto tributos sobre renda, lucros e ganhos de capital somaram 9,1%.

Dentro desse quadro, o componente classificado como IVA e impostos gerais sobre bens e serviços ficou em 6,8% do PIB.

Por isso, a discussão brasileira não se resume a uma alíquota visível ao consumidor, mas ao custo acumulado de um sistema fragmentado.

A própria OCDE não colocou o Brasil na mesma tabela direta de alíquotas gerais de IVA.

A entidade observou que o país mantinha diferentes impostos incidentes em níveis subnacionais, o que dificultava uma comparação simples com países que adotam um IVA nacional mais uniforme.

Reforma tributária aposta em IVA dual para reduzir burocracia

A resposta brasileira para esse desenho foi a reforma tributária do consumo, regulamentada pela Lei Complementar nº 214, de 2025.

O novo modelo cria a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado por estados e municípios, formando o chamado IVA dual.

A transição entrou oficialmente em fase de teste em 2026.

Nesse período, CBS e IBS aparecem com alíquotas reduzidas e convivem com os tributos atuais, em um processo gradual que deve ser concluído até 2033.

A mudança substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por novos tributos sobre bens e serviços.

O objetivo oficial é simplificar a cobrança, reduzir distorções, ampliar a transparência e diminuir o peso operacional para empresas que atuam em diferentes estados e municípios.

A expectativa do governo federal e de parte do setor produtivo é que a unificação reduza disputas tributárias e facilite o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia de produção.

Outro ponto frequentemente citado por entidades empresariais envolve a possibilidade de diminuir custos burocráticos relacionados ao cumprimento de obrigações fiscais.

A transição gradual até 2033 foi definida justamente para evitar mudanças bruscas em contratos, arrecadação de estados e adaptação dos sistemas de empresas.

Competitividade e ambiente de negócios entram no centro do debate

O Paraguai combina uma alíquota geral baixa de IVA com menor arrecadação total em relação ao tamanho da economia.

Já o Brasil mantém carga próxima da média da OCDE, mas com estrutura historicamente mais complexa para o contribuinte.

Esse contraste explica por que o tema aparece em discussões sobre competitividade, comércio de fronteira e ambiente de negócios.

Para empresas, a diferença não está apenas no percentual cobrado, mas também no tempo gasto para calcular, recolher e comprovar tributos.

No caso brasileiro, a reforma não busca copiar o modelo paraguaio.

A aposta é substituir uma arquitetura pesada por um sistema mais uniforme, ainda que a carga total dependa de regras, alíquotas finais e exceções definidas durante a transição.

A comparação entre os dois vizinhos mostra, acima de tudo, que carga tributária e alíquota de IVA são indicadores diferentes.

Um país pode cobrar menos no consumo e arrecadar menos no conjunto, enquanto outro pode concentrar receitas em bases variadas e operar com regras mais extensas.

Na prática, os dados da OCDE indicam que Brasil e Paraguai representam estratégias distintas de financiamento do Estado dentro da mesma região.

Enquanto o modelo paraguaio chama atenção pela tributação mais baixa sobre consumo, o sistema brasileiro tenta equilibrar arrecadação elevada com uma reforma voltada à simplificação operacional.

A comparação evidencia que o debate tributário na América do Sul deixou de envolver apenas o tamanho da cobrança e passou a incluir previsibilidade, transparência e capacidade de reduzir burocracias que afetam consumidores e empresas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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