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Enquanto Luciano Hang diz que brasileiros se acostumaram com R$ 600 e Luciano Huck alerta para a “dependência” do Bolsa Família, o município brasileiro de Bento Gonçalves reduziu o número de beneficiários em 40% ao oferecer vagas de emprego às famílias; cidade com salário médio de R$ 5.022 virou um dos maiores casos de sucesso do país

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 02/06/2026 às 15:14
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Bento Gonçalves reduziu em 40% o número de famílias no Bolsa Família
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Bento Gonçalves reduziu em 40% o número de famílias no Bolsa Família após ações de inserção no mercado de trabalho e virou referência nacional no debate sobre emprego.

Nas últimas semanas, o Bolsa Família voltou ao centro do debate nacional. De um lado, Luciano Hang afirmou que muitos brasileiros teriam se acostumado a viver com R$ 600 do programa, enquanto empresas enfrentam dificuldade para preencher vagas mesmo oferecendo salários mais altos. Do outro, Luciano Huck disse que o benefício não estaria conseguindo quebrar o ciclo da pobreza em determinadas regiões do país.

Em meio a essa discussão, Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, passou a chamar atenção nacional. A cidade adotou uma estratégia de aproximação entre beneficiários do Bolsa Família e empresas locais em busca de trabalhadores, registrando uma redução expressiva no número de famílias atendidas pelo programa ao longo dos últimos meses.

Bento Gonçalves apostou na ligação entre Bolsa Família e emprego formal

O município ganhou projeção depois de o prefeito Diogo Siqueira defender publicamente uma política de busca ativa para aproximar beneficiários do Bolsa Família de vagas abertas no mercado local. A proposta colocou assistência social e empregabilidade no mesmo eixo de atuação.

Segundo informações divulgadas pela prefeitura e entrevistas do prefeito, equipes municipais passaram a ajudar famílias cadastradas no programa com elaboração de currículos, encaminhamento para entrevistas e contato com empresas que relatavam dificuldade para contratar. A ideia foi acelerar a conexão entre oferta de mão de obra e demanda empresarial.

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A estratégia não consistia em cancelar automaticamente o benefício de quem recusasse uma vaga. O foco era criar condições para facilitar a entrada dessas pessoas no mercado formal de trabalho, reduzindo barreiras de acesso e ampliando a chance de contratação.

Cidade registrou queda de quase 40% no número de famílias no Bolsa Família

Os números ajudaram a transformar Bento Gonçalves em um dos casos mais citados do país no debate sobre Bolsa Família e mercado de trabalho. A redução no número de famílias atendidas passou a ser usada como exemplo por prefeitos, empresários e comentaristas.

Dados divulgados em 2026 mostram que o município saiu de 2.115 famílias beneficiárias em novembro de 2024 para 1.266 em abril de 2026, uma queda próxima de 40%. O dado reforçou a percepção de que a cidade vinha conseguindo reduzir a dependência do programa por meio da inserção no emprego.

Cidade registrou queda de quase 40% no número de famílias no Bolsa Família
Foto : Prefeitura de Bento Gonçalves / Divulgação / CP

A própria prefeitura já havia informado antes uma queda de 2.215 famílias para cerca de 1.400 entre novembro de 2024 e setembro de 2025. Isso indica que a redução não foi pontual, mas parte de uma tendência observada ao longo de meses.

Salário médio de R$ 5.022 ajuda a explicar o caso de Bento Gonçalves

Outro fator que transformou a cidade em símbolo do debate é sua realidade econômica. Bento Gonçalves aparece com um dos salários médios formais mais altos entre municípios brasileiros de porte semelhante, o que ajuda a entender por que o tema ganhou tanta repercussão.

Segundo dados do IBGE mencionados em reportagens sobre o assunto, o município tem salário médio formal de aproximadamente R$ 5.022 por mês. Em um cenário nacional marcado por informalidade e renda baixa, esse número chama atenção e reforça a singularidade do caso gaúcho.

A cidade concentra atividades industriais ligadas principalmente aos setores moveleiro, metalúrgico, alimentício e vitivinícola. Essa base econômica sustenta uma demanda recorrente por trabalhadores qualificados e não qualificados, criando um ambiente favorável para políticas de aproximação entre empresas e beneficiários.

Luciano Hang colocou a falta de mão de obra no centro do debate

A discussão ganhou ainda mais repercussão depois das declarações do empresário Luciano Hang. Durante a inauguração de uma unidade da Havan em Taquara, no Rio Grande do Sul, ele afirmou que muitas empresas enfrentam dificuldade para contratar trabalhadores.

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Segundo Hang, parte das pessoas teria se acostumado a viver com os valores pagos pelo programa social, mesmo diante de oportunidades de emprego com salários mais altos. O empresário citou vagas com remuneração entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, reforçando o argumento de que a escassez de mão de obra se tornou um problema para o setor privado.

Ele também afirmou que a empresa ampliou a contratação de aposentados e idosos, mencionando funcionários com idades superiores a 70 anos para ajudar a suprir a falta de trabalhadores observada em algumas regiões. A fala colocou a relação entre benefício social, empregabilidade e escassez de mão de obra no centro do noticiário.

Luciano Huck reacendeu o debate sobre dependência do Bolsa Família

Poucos dias antes, Luciano Huck também havia provocado forte repercussão ao afirmar que o Bolsa Família não estaria conseguindo gerar incentivos suficientes para que algumas famílias deixassem o programa. A declaração reacendeu uma discussão antiga sobre os limites e os efeitos de longo prazo da política social.

As falas geraram respostas de pesquisadores, economistas e estudiosos de políticas públicas. Parte dos estudos citados por veículos nacionais sustenta que uma parcela relevante dos beneficiários deixa o programa ao longo do tempo, contrariando a tese de permanência permanente muitas vezes levantada por críticos.

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Mesmo assim, o episódio ampliou a polarização em torno do tema. De um lado, cresceram as vozes que defendem maior foco em empregabilidade, renda do trabalho e qualificação profissional. Do outro, seguiram fortes os argumentos que ressaltam o papel do programa na redução da pobreza extrema e na proteção social imediata.

Bento Gonçalves virou exemplo de integração entre assistência social e mercado de trabalho

Independentemente das divergências ideológicas, o caso de Bento Gonçalves passou a ser lembrado com frequência porque o município não se concentrou apenas em reduzir o número de beneficiários. O ponto central foi a tentativa de aproximar pessoas em situação de vulnerabilidade de empresas que precisavam contratar.

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Essa conexão entre assistência social, empregabilidade e crescimento econômico local é o elemento que fez a cidade gaúcha ganhar destaque. Em vez de tratar o tema apenas como custo social ou apenas como falta de mão de obra, o município buscou uma ponte prática entre os dois lados da equação.

Segundo dados do Caged citados por reportagens sobre o tema, Bento Gonçalves criou 1.104 empregos formais em 2025. Esse desempenho ajudou a sustentar o ambiente que favoreceu a redução no número de famílias atendidas pelo programa social.

Caso de Bento Gonçalves expõe uma pergunta que continua dividindo o Brasil

Enquanto Luciano Hang fala em escassez de mão de obra, Luciano Huck questiona a capacidade do programa de estimular a saída da pobreza e especialistas defendem os resultados sociais do Bolsa Família, Bento Gonçalves virou um laboratório observado em todo o país. O município entrou no centro de uma discussão que mistura emprego, assistência e desenvolvimento local.

A experiência da cidade não encerra o debate nacional, mas acrescenta um elemento importante. Ela sugere que a discussão sobre Bolsa Família pode ganhar outra dimensão quando qualificação, intermediação de mão de obra e crescimento econômico caminham juntos em um mesmo território.

No fundo, o caso gaúcho recoloca uma pergunta que segue dividindo o Brasil. O que acontece quando assistência social e mercado de trabalho deixam de ser tratados como forças opostas e passam a operar como partes de uma mesma estratégia de inclusão econômica.

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Sidney Fernandes
Sidney Fernandes
03/06/2026 22:58

Vi uma mãe de três filhos colocar a comida na mesa pelo Bolsa Familia.
É aí que tudo faz a diferença!
A de mais é trabalhar para que haja dignidade a uma população que só quer uma oportunidade de trabalho.

RaiRis Santos
RaiRis Santos
03/06/2026 10:37

As pessoas críticas muitos os nodestino, mas não sabe a realidade da vida nossa. Muitos não trabalham porquê não tem emprego para todos.não queremos trabalham para fora queremos um trabalho aqui mesmo em nosso nordeste. Aonde eu moro mesmo não tem pessoas.bilhonaroes não!tem pessoas com até um dinheiro más ricos não!aque deram quê luciano dono da Havan visse fazer umas lojas aqui na minha cidade quê ele ia ver se ia faltar gente para trabalhar. Aqui tem muitas gente quer trabalhar mas não tem emprego. E nós a maioria não aguenta ô frios de cidades grandes é isso más nós tem potencial para trabalho quê qualquer coisas nós samos bons.quê Deus abençoe a nação
.!!

Severino Sérgio
Severino Sérgio
03/06/2026 09:19

Não tem o que comentar, mas, sim o que comparar: DESONERAÇÃO DAS FOLHAS vs POLÍTICAS SOCIAIS

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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