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Enquanto data centers em terra gastam energia para não superaquecer, China coloca servidores a 35 metros no fundo do mar, usa água do oceano para resfriar máquinas e ainda abre alerta sobre ataques sonoros contra a nuvem digital

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 09/05/2026 às 18:30
Atualizado em 09/05/2026 às 18:33
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O data center submarino da China mostra como servidores submersos podem reduzir consumo de energia, aproveitar resfriamento natural da água do mar e transformar a infraestrutura da internet em um novo ponto de atenção para segurança, manutenção e expansão da inteligência artificial

A China colocou servidores a 35 metros no fundo do mar para enfrentar um dos maiores problemas de todo data center: o calor gerado por máquinas que funcionam sem parar.

A apuração foi publicada por Tom’s Hardware, portal especializado em tecnologia e hardware. O projeto fica perto de Xangai, usa módulos selados no mar e aposta na água do oceano como forma natural de resfriar equipamentos.

O caso chama atenção porque a chamada nuvem digital parece invisível para o usuário, mas depende de estruturas enormes, energia constante e máquinas físicas. Agora, parte dessa infraestrutura pode ficar submersa, com apoio de energia eólica offshore e novas preocupações de segurança.

China transforma o fundo do mar em sala de servidores para tentar reduzir o gasto de energia

Um data center é um local cheio de servidores. Esses equipamentos guardam dados, processam informações e mantêm serviços digitais funcionando. Aplicativos, bancos, redes sociais, sistemas de empresas e ferramentas de inteligência artificial dependem desse tipo de estrutura.

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O problema é simples de entender: servidor esquenta. Quando muitos servidores trabalham juntos, o calor aumenta e a refrigeração vira uma parte importante do consumo de energia.

A solução chinesa tenta usar o próprio mar como aliado. Os módulos ficam fechados e protegidos, instalados a cerca de 35 metros de profundidade, onde a água ajuda a retirar o calor das máquinas.

Com isso, o oceano passa a funcionar como uma espécie de resfriamento natural. A ideia é reduzir a dependência de sistemas tradicionais usados em terra, que costumam exigir muita energia para manter os equipamentos em temperatura segura.

Água do oceano vira peça central no resfriamento de servidores submersos

O ponto mais curioso do projeto é a mudança de lógica. Em vez de construir apenas grandes prédios em terra, a China colocou parte da estrutura digital dentro do mar, em módulos selados.

Esses módulos protegem os servidores do contato direto com a água. Ao mesmo tempo, o ambiente submarino ajuda no controle do calor, já que a água do oceano absorve temperatura com mais eficiência do que o ar.

A iniciativa envolve Shenergy e China Telecom, nomes ligados ao projeto citado. Também há previsão de uso de energia eólica offshore, que é energia gerada por turbinas instaladas no mar.

Esse conjunto mostra uma tentativa de aproximar data centers de fontes de energia e de soluções naturais de resfriamento. Para um mundo que usa cada vez mais inteligência artificial, esse tipo de proposta ganha peso.

Projeto perto de Xangai lembra experimento da Microsoft com servidores debaixo d’água

A ideia de colocar servidores no mar não surgiu do nada. A Microsoft já realizou o Project Natick, um experimento com servidores submersos na Escócia.

O objetivo era entender se equipamentos de computação poderiam operar de forma eficiente embaixo d’água. A lógica era parecida: usar o ambiente marítimo para ajudar no controle do calor.

Tom’s Hardware, portal especializado em tecnologia e hardware, trouxe os pontos centrais do projeto chinês e relacionou a iniciativa à busca por data centers mais eficientes. O caso reforça uma tendência: a infraestrutura digital está saindo do formato tradicional.

Antes, o data center era imaginado como um prédio grande, cheio de cabos, máquinas e ar condicionado forte. Agora, o setor testa novos espaços, inclusive o fundo do mar.

Ataques sonoros contra data centers submersos viram alerta inesperado para a segurança digital

A parte mais incomum desse assunto envolve o risco de ataques sonoros. Pesquisadores estudam se sons debaixo d’água poderiam atrapalhar o funcionamento de servidores submersos.

O estudo acadêmico AquaSonic, pesquisa sobre vulnerabilidades acústicas subaquáticas, analisou cenários experimentais em que som no ambiente submarino poderia afetar discos, sistemas distribuídos e desempenho computacional.

Discos são peças usadas para guardar dados. Sistemas distribuídos são grupos de computadores trabalhando juntos. Se uma parte falha ou fica lenta, o serviço pode ser prejudicado.

Esse alerta mostra que colocar servidores no mar cria riscos diferentes. Em terra, a preocupação envolve energia, calor, acesso físico e falhas comuns. No oceano, entram também som, pressão da água, manutenção difícil e segurança marítima.

Expansão da inteligência artificial aumenta a pressão por data centers mais eficientes

A inteligência artificial exige muito processamento. Quanto mais sistemas desse tipo crescem, mais servidores são necessários para treinar modelos, responder usuários e manter serviços ativos.

Isso aumenta o calor gerado pelas máquinas. Também aumenta a necessidade de energia. Por isso, soluções de resfriamento viraram tema importante para empresas e governos.

O data center submarino perto de Xangai aparece dentro desse cenário. Ele tenta responder a uma pergunta prática: como manter mais servidores funcionando sem ampliar ainda mais o gasto com refrigeração?

A resposta chinesa aposta no mar. A água ajuda no resfriamento, enquanto a energia eólica offshore entra como parte da estratégia energética do projeto.

O data center submarino perto de Xangai

Infraestrutura digital no mar pode virar assunto estratégico para governos e empresas

Se esses tipos de data center submarinos crescerem, o oceano pode ganhar mais uma função na economia digital. Além de cabos submarinos, navios, turbinas e plataformas, o mar também pode receber estruturas que sustentam a internet.

Isso muda a forma de pensar segurança. Um data center no fundo do mar não depende apenas de técnicos em salas refrigeradas. Ele exige manutenção submarina, proteção contra falhas físicas e atenção ao ambiente ao redor.

A principal consequência é direta: servidores submersos podem ajudar a economizar energia, mas também podem transformar a infraestrutura digital em uma estrutura marítima crítica.

O caso mostra que a nuvem não é tão leve quanto parece. Ela precisa de máquinas, energia, resfriamento e proteção. Em alguns projetos, tudo isso pode estar abaixo da superfície.

Data centers submarinos mostram uma nova fase da corrida por energia e computação

A instalação de servidores no fundo do mar mostra como a busca por eficiência está levando a tecnologia para lugares pouco imaginados. O objetivo é reduzir o calor, economizar energia e manter a expansão digital em ritmo acelerado.

Ao mesmo tempo, o alerta sobre ataques sonoros mostra que toda solução nova carrega novos riscos. A próxima etapa dos data centers pode envolver tanto inovação energética quanto proteção submarina.

Você confiaria em uma parte essencial da internet funcionando no fundo do mar, longe dos olhos do público, mas cada vez mais importante para IA, bancos, empresas e serviços do dia a dia? Deixe seu comentário.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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