O Brasil aplica R$ 278 bilhões por ano em infraestrutura — mas seria preciso o dobro para sair do buraco em que se encontra
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicados em junho de 2025, o Brasil investiu cerca de 2,24% do PIB em infraestrutura em 2024, somando aproximadamente R$ 215 bilhões entre aportes públicos e privados.
Para 2025, a projeção subiu para R$ 277,9 bilhões — um crescimento de 4,2% em relação ao ano anterior.
Contudo, o patamar considerado adequado seria de aproximadamente 4% do PIB, ou cerca de R$ 500 bilhões anuais.
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Em outras palavras, faltam R$ 200 bilhões por ano para que o país consiga ao menos manter a infraestrutura existente e expandir o que precisa.
Dessa forma, o Brasil investe apenas metade do que seria necessário para modernizar estradas, portos, ferrovias, saneamento e energia.

Enquanto falta dinheiro para o novo, R$ 15,9 bilhões já foram gastos em obras que pararam no meio do caminho
De acordo com levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), até abril de 2025, das 22.621 obras públicas em andamento no Brasil, 11.469 estavam paralisadas.
Isso significa que uma em cada duas obras financiadas com recursos federais estava interrompida ou inacabada.
Além disso, o número de obras paradas cresceu 32% entre 2022 e 2025, enquanto o total de projetos praticamente não se alterou.
O TCU identificou R$ 15,9 bilhões já investidos em empreendimentos que nunca chegaram ao fim.
Por outro lado, para retomar as 12 mil obras paralisadas, seriam necessários mais R$ 29 bilhões — o que geraria 400 mil empregos diretos.
Ainda assim, a maioria das interrupções ocorre nos setores de saúde e educação, que concentram mais de 70% das paralisações.
Do outro lado do mundo, os Emirados construíram 900 km de ferrovia pelo deserto em tempo recorde
Enquanto o Brasil debate há décadas projetos ferroviários como a Ferrogrão e o trem-bala Rio–São Paulo, os Emirados Árabes Unidos concluíram 900 km de ferrovia atravessando o deserto.
A Etihad Rail, empresa estatal responsável pelo projeto, inaugurou a expansão da rede em fevereiro de 2023, conectando todos os sete emirados — de Ghuweifat, na fronteira com a Arábia Saudita, até Fujairah, na costa leste.
Consequentemente, o país que nunca havia tido um trem de passageiros passou a operar uma rede ferroviária completa de carga em menos de três anos.
O investimento total ultrapassou US$ 13,6 bilhões apenas para o trecho de 256 km entre Abu Dhabi e Dubai, completado em março de 2022.
Segundo o site oficial da Etihad Rail, a rede faz parte de um programa ferroviário regional do Golfo avaliado em US$ 100 bilhões.

Em 2026, os emiradenses vão embarcar no primeiro trem de passageiros do país — e a viagem entre Abu Dhabi e Dubai levará apenas 1 hora
Neste ano, a Etihad Rail inaugura o serviço de passageiros, com trens circulando a 200 km/h entre 11 cidades e regiões do país.
De acordo com a empresa, a viagem entre Abu Dhabi e Dubai levará cerca de 1 hora, enquanto o trecho até Fujairah será percorrido em 90 minutos.
Da mesma forma, cada composição terá capacidade para 400 passageiros, com Wi-Fi, tomadas individuais e design moderno.
A rede completa de passageiros terá 1.200 km, conectando 11 cidades nos sete emirados — de Al Sila, no extremo oeste de Abu Dhabi, até Fujairah.
Sobretudo, a operação será conduzida por uma joint venture entre a Etihad Rail e a francesa Keolis, especializada em transporte ferroviário.
Nesse sentido, o país sai do zero para uma rede ferroviária nacional completa em menos de uma década.
Os números do contraste: investimento de 2% versus visão de longo prazo
O Brasil tem uma carteira de projetos em infraestrutura que soma R$ 757 bilhões distribuídos em 469 iniciativas, segundo a consultoria EY Brasil.
Porém, o ritmo de execução é lento: rodovias concentram R$ 210 bilhões, ferrovias R$ 183 bilhões e mobilidade urbana R$ 175 bilhões — quase tudo em fase de estruturação.
Como resultado, o setor privado já responde por 72% de todo o investimento em infraestrutura no país, segundo a CNI.
Por consequência, o governo federal depende cada vez mais de concessões e parcerias para mover projetos que deveriam ser estratégicos.
Conforme relatório do BNDES publicado em 2025, o banco investiu R$ 280 bilhões no ano e projeta R$ 300 bilhões para 2026 — mas esses valores incluem todos os setores, não apenas infraestrutura.
Em contraste, os Emirados trataram a ferrovia como projeto de Estado: financiamento garantido, cronograma rígido e execução em fases com entregas parciais.

No Brasil, o trem de passageiros ainda é uma promessa — e 37 mil km de trilhos foram largados para trás
De acordo com a Railway Technology, o Brasil construiu mais de 37 mil km de trilhos desde os anos 1950 — mas abandonou cerca de um terço deles.
Outro terço opera muito abaixo da capacidade, servindo basicamente ao transporte de minério e grãos para exportação.
Além disso, o país não tem nenhuma ferrovia de alta velocidade em operação ou em construção.
O projeto do trem-bala Rio–São Paulo foi anunciado oficialmente em 2007 e desde então acumula estudos, licitações canceladas e mudanças de governo.
Igualmente, a Transnordestina — ferrovia de 1.206 km iniciada em 2006 — levou 67 anos de planejamento e ainda não foi concluída, com 727 km prontos e prazo para 2027.
Portanto, enquanto os Emirados Árabes entregam 900 km em 3 anos, o Brasil leva décadas para avançar poucos quilômetros.
O que falta para o Brasil sair do 2% e chegar ao 4% do PIB
Segundo a Exame, o “número mágico” para modernizar a infraestrutura brasileira seria de R$ 500 bilhões por ano.
No entanto, o país investe menos da metade disso — e a maior parte vem do setor privado, não do governo.
De fato, a Lei Complementar 215 de 2025 tenta destravar parte do problema ao permitir a retomada de “restos a pagar” cancelados entre 2019 e 2022.
Ainda assim, sem um aumento estrutural no investimento público e privado combinado, o Brasil continuará perdendo R$ 200 bilhões anuais em infraestrutura que não sai do papel.
Para contextualizar: os R$ 200 bilhões que faltam por ano ao Brasil equivalem a construir 13 redes ferroviárias completas como a dos Emirados — todos os anos.
Será que o Brasil conseguirá um dia tratar infraestrutura como prioridade de Estado, como fazem os Emirados — ou continuaremos investindo metade do necessário e acumulando obras paradas?

Bolsonaro construiu dezenas de pontes, inclusive mais uma na fronteira com o Paraguai, e recuperou milhares de quilômetros de estradas e ferrovias, além de ter concluído a transposição do São Francisco. Concluiu obras de outros governos mas suas obras não tiveram continuidade no governo atual.
Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e declarações de membros do governo de transição em 2022 apontaram um alto número de obras públicas federais paralisadas ao final do mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022).Aqui estão os pontos principais levantados sobre o tema:
Volume de Obras Paralisadas: O TCU indicou, no final de 2022, a existência de cerca de 8.674 a 8.700 obras inacabadas com recursos federais.Educação como Área Crítica: A área da educação foi a mais prejudicada, com cerca de 3.993 a 4.500 obras paralisadas, incluindo escolas, creches e universidades.
Aumento das Paralisações: Levantamentos indicaram que a quantidade de obras não finalizadas cresceu durante o período, passando de 29% para cerca de 38,5% das obras com verba federal entre 2020 e 2022.Impacto Financeiro: O valor total dos contratos das obras paralisadas alcançava R$ 27,2 bilhões.
E pensar que teve um governo recente no Brasil, que em 4 anos, contruiu apenas uma ponte de madeira de 150 mt e ai da fez, gastou 750 mil na obra e 1,5 milhão na inauguração.
Cada governo tem seu desempenho, Francisco. O dado da matéria é mais amplo: o Brasil investe em média 2,24% do PIB em infraestrutura há mais de 20 anos — abaixo dos 4-6% que países emergentes em crescimento sustentado costumam aplicar.
Esses Emirados Árabes Unidos são o pior exemplo a ser citado, pois, trata-se de uma monarquia com maioria populacional estrangeira, Europeia e americana, além de ser um protetorado dos EE.UU na região do Golfo Pérsico, para fins de facilitar a extração, exploração e tráfico de petróleo pelos estadunidenses.
José Carlos, ponto relevante. De fato, mais de 80% da população dos Emirados é de trabalhadores expatriados, o que gera debates sobre direitos trabalhistas e representatividade. Obrigado pela reflexão.
Os capachos da russia e china vc adora. Hipocrisia se vê por aqui. Ademais quem tem um vizinho igual ao irã não pode facilitar. Tudo que é aliado de russia e china costuma não prestar.