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Enquanto bitucas de cigarro aparecem em calçadas, praias e bueiros, pesquisadores testaram o lixo em tijolos de argila e calcularam economia de 10% na queima com apenas 1% na mistura

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 17/06/2026 às 21:24
Atualizado em 17/06/2026 às 21:26
Estudo mostra como bitucas de cigarro em tijolos de argila podem reduzir energia no forno de queima
Estudo mostra como bitucas de cigarro em tijolos de argila podem reduzir energia no forno de queima
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O estudo mostra como bitucas de cigarro em tijolos de argila podem reduzir energia no forno de queima, reaproveitar um resíduo tóxico comum nas cidades e abrir uma discussão sobre reciclagem na construção civil, sem tratar a técnica como solução pronta para qualquer olaria

Bitucas de cigarro que aparecem em calçadas, praias e bueiros foram testadas dentro de tijolos de argila por pesquisadores que calcularam economia de 10% na energia usada na queima com apenas 1% do resíduo na mistura.

As informações foram divulgadas por RMIT University, universidade de pesquisa com atuação internacional, em 22 de setembro de 2020. O estudo aproximou um lixo urbano comum, tóxico e fácil de reconhecer de um dos materiais mais tradicionais da construção civil.

O resultado chama atenção porque a queima é uma das etapas mais importantes da fabricação do tijolo. É nela que o forno aquece a argila para endurecer o bloco, processo que pode levar até 30 horas.

O lixo pequeno que se espalha pelas ruas virou alvo de teste na construção civil

A bituca de cigarro parece um resíduo pequeno, mas seu volume é enorme. Mais de 6 trilhões de cigarros são produzidos por ano no mundo, com 1.2 milhão de toneladas de lixo tóxico descartado no ambiente.

Esse descarte preocupa porque o filtro pode concentrar substâncias nocivas. A pesquisa cita bitucas saturadas com compostos tóxicos, incluindo mais de 60 conhecidos por causar câncer.

O lixo pequeno que se espalha pelas ruas virou alvo de teste na construção civil
O lixo pequeno que se espalha pelas ruas virou alvo de teste na construção civil

Na prática, a bituca jogada no chão pode ser carregada pela chuva para bueiros, rios, solo e praias. Por isso, o estudo ganhou força ao ligar um problema urbano visível a uma possível rota de reciclagem de resíduos.

A proposta não transforma o cigarro em produto limpo. Ela avalia se esse resíduo pode ser tratado com controle e usado em uma mistura cerâmica, sem circular livremente pelo ambiente.

Como as bitucas de cigarro entram nos tijolos de argila antes da queima

O teste envolveu tijolos de argila queimados, que são blocos moldados e levados ao forno para ganhar dureza. Antes dessa etapa, as bitucas podem ser incorporadas à massa usada na fabricação.

RMIT University, universidade de pesquisa com atuação internacional, apresentou diferentes formas de inclusão do resíduo. As bitucas podem entrar inteiras, trituradas ou já misturadas a outros materiais usados na produção dos blocos.

A bituca passa a fazer parte da massa antes do forno. Depois, o calor atua sobre essa mistura e transforma o material em tijolo queimado.

Mas isso não significa que qualquer olaria possa adotar a técnica de forma imediata. O processo exige coleta adequada, separação, armazenamento seguro, mistura bem feita e controle do forno.

Economia de 10% no forno veio da mistura com apenas 1% de bitucas

O número mais forte do estudo está na energia. A incorporação de 1% de bitucas de cigarro reduziu em 10% a energia necessária para queimar os tijolos.

A explicação está no próprio resíduo. Durante a queima, parte do material orgânico presente nas bitucas contribui com energia dentro do forno, o que reduz a necessidade de energia externa no processo.

Esse detalhe importa porque a produção de tijolos depende de calor intenso. Como a etapa pode levar até 30 horas, uma redução no gasto de energia pode representar impacto relevante na fabricação.

A pesquisa também calculou uma hipótese de escala. Se apenas 2.5% da produção mundial anual de tijolos incorporasse 1% de bitucas, isso poderia compensar a produção anual desse resíduo.

Resistência, peso e isolamento térmico também entraram na análise dos tijolos

A economia de energia não foi o único ponto avaliado. Os tijolos também passaram por análise de resistência, peso, absorção de água e isolamento térmico.

A incorporação de 1% de bitucas de cigarro reduziu em 10% a energia necessária para queimar os tijolos.
A incorporação de 1% de bitucas de cigarro reduziu em 10% a energia necessária para queimar os tijolos.

Com 1% de conteúdo de bitucas, os tijolos de argila queimados foram apresentados como tão fortes quanto tijolos comuns. Isso é importante porque o bloco precisa suportar uso real na construção.

Ao mesmo tempo, a presença das bitucas muda a estrutura do material. O tijolo pode ficar mais leve e oferecer melhor isolamento, ou seja, pode dificultar a passagem de calor de um lado para o outro.

Esse isolamento pode ajudar a reduzir gastos com aquecimento e resfriamento em casas e prédios. Ainda assim, esse efeito depende do tijolo final, do projeto da construção e do controle de qualidade.

Absorção de água e contaminantes exigem cuidado antes de pensar em uso amplo

A técnica precisa ser vista com cautela. A presença das bitucas pode aumentar a absorção de água, porque a queima deixa pequenos espaços vazios dentro do tijolo.

Em linguagem simples, o bloco pode ficar mais poroso. Isso não impede o estudo, mas exige testes para garantir que o tijolo final continue seguro, resistente e adequado ao uso.

Outro cuidado envolve os contaminantes. As bitucas podem carregar metais como arsênio, cromo, níquel e cádmio, que podem atingir solo e cursos de água quando o descarte ocorre sem controle.

Durante a queima, esses metais e poluentes podem ficar presos dentro dos tijolos. Mesmo assim, o manuseio do resíduo antes do forno precisa seguir regras de segurança para proteger trabalhadores e evitar contaminação.

A escala industrial depende de coleta organizada e controle técnico

A pesquisa também tratou da aplicação em maior escala. Para isso, a reciclagem de bitucas precisa aproximar a gestão de resíduos da indústria de tijolos.

Isso envolve recipientes próprios para coleta, transporte seguro e uma fábrica preparada para receber o material. Sem esse caminho organizado, o resíduo continua sendo lixo contaminado.

A ideia também depende de avaliação local. Cada fábrica usa argila, forno e rotina de produção próprios. Por isso, o mesmo resultado não pode ser prometido automaticamente para todas as olarias.

O estudo abre uma possibilidade técnica, mas não elimina a necessidade de normas, testes e acompanhamento. A reciclagem de bitucas de cigarro em tijolos de argila só faz sentido quando há controle em todas as etapas.

A pesquisa mostra que um resíduo comum nas cidades pode ter outro destino quando passa por estudo, coleta e tratamento adequado. A combinação entre 1% de bitucas e 10% de economia de energia no forno torna o tema relevante para construção civil e meio ambiente.

Ao mesmo tempo, o caso exige prudência. A técnica não resolve sozinha o descarte de cigarros, mas mostra que até um lixo urbano pequeno pode virar pauta importante quando ciência, indústria e gestão de resíduos trabalham juntas.

Você confiaria em uma construção feita com tijolos que reaproveitam bitucas de cigarro se houvesse testes, controle de segurança e fiscalização? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe essa ideia.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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