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Taiwan ergue muralha marítima de 4 km no Porto de Taipei, instala caixões de concreto contra ondas de até 7 metros e transforma sedimentos dragados em nova terra para expandir um dos portos mais estratégicos da ilha

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/06/2026 às 21:45
Atualizado em 17/06/2026 às 21:48
Taiwan constrói muralha marítima de 4 km no Porto de Taipei com caixões gigantes e sedimentos dragados para expandir área portuária. (Imagem: Ilustrativa)
Taiwan constrói muralha marítima de 4 km no Porto de Taipei com caixões gigantes e sedimentos dragados para expandir área portuária. (Imagem: Ilustrativa)
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Obra no Porto de Taipei combina engenharia marítima, caixões de concreto e reaproveitamento de sedimentos para proteger operações portuárias, conter dragagens e ampliar áreas logísticas em uma região exposta a monções e tufões.

Taiwan avança na construção de uma barreira marítima de 4.014 metros no Porto de Taipei, obra costeira voltada à proteção da infraestrutura portuária e à ampliação de áreas operacionais no norte da ilha.

O projeto combina engenharia marítima, contenção de sedimentos dragados e criação de terreno aterrado para apoiar a expansão logística da região.

A estrutura, conhecida como Taipei Port Seawall, fica no Porto de Taipei, em New Taipei, área exposta às condições do Mar da China Oriental.

Segundo a construtora Gamuda, responsável pela obra em consórcio com a taiwanesa Dong-Pi Construction, o paredão foi projetado para reduzir o impacto de ondas oceânicas, ventos sazonais e tempestades sobre as operações portuárias.

A barreira também tem função territorial.

Além de proteger o porto, a estrutura ajuda a conter sedimentos retirados por dragagem, oferece espaço para descarte controlado de solo de obras e permite que parte desse material seja usado na formação de nova área útil para o complexo portuário.

Como o Porto de Taipei transforma sedimentos em área útil

A lógica da obra usa processos comuns em grandes portos sujeitos a assoreamento.

A dragagem remove sedimentos acumulados para manter canais navegáveis e áreas de manobra, enquanto o material retirado pode ser direcionado para áreas de contenção planejadas.

No caso de Taipei, esses sedimentos ficam retidos atrás da nova estrutura e contribuem para o processo de recuperação de terras.

A técnica é chamada de land reclamation, ou aterro sobre áreas aquáticas, e costuma ser aplicada em regiões com restrição de espaço em terra firme.

O Porto de Taipei já foi desenvolvido com uso de áreas recuperadas do mar.

A nova etapa segue essa lógica ao permitir a ampliação da capacidade portuária sem depender apenas de terrenos urbanos próximos, segundo informações do próprio projeto.

De acordo com a consultoria de engenharia CECI, a obra do dique nas etapas 3 e 4 tem aproximadamente 4.014 metros e pode viabilizar uma área aterrada de 167 hectares, com capacidade para acomodar 38,27 milhões de metros cúbicos de material.

Esses números indicam que a intervenção reúne funções de proteção costeira, gestão de sedimentos e expansão portuária.

Muralha marítima-Porto de Taipei - Imagem: Reprodução/Gamuda
Muralha marítima-Porto de Taipei – Imagem: Reprodução/Gamuda

Caixões de concreto sustentam a barreira marítima

O componente estrutural mais visível da barreira é a sequência de 117 caixões de concreto, blocos de grande porte usados como parte da fundação e do corpo do paredão marítimo.

Segundo a Gamuda, cada unidade pode pesar até 8.600 toneladas.

Na engenharia portuária, caixões desse tipo são peças pré-fabricadas posicionadas no mar para formar estruturas de contenção, fundação ou proteção costeira.

Depois de assentadas no local previsto, elas passam a integrar o sistema de defesa contra a ação das ondas.

A etapa de instalação exige precisão porque uma peça colocada fora da posição pode precisar ser reflutuada, retirada e instalada novamente.

Por isso, o posicionamento de cada caixão depende de janelas climáticas favoráveis, equipamentos adequados e controle técnico durante a operação marítima.

Huang Chun Hao, chefe de seção de Operação e Construção da Gamuda e integrante da equipe dedicada ao projeto, afirmou que “a principal função do quebra-mar é proteger”.

Segundo ele, sem essa barreira, ondas de grande porte atingiriam diretamente o porto, afetando áreas planejadas de proteção ambiental, piscinas de maré e a segurança de atracação dos navios.

Em outra declaração divulgada pela empresa, Huang disse que a instalação de cada caixão em ambiente marítimo é uma operação de alto risco e que “não há espaço para erro”.

A avaliação foi apresentada no contexto das dificuldades de posicionar estruturas de milhares de toneladas em uma área sujeita a vento, correnteza e ondas.

Monções e tufões interferem no ritmo da construção

O Porto de Taipei enfrenta condições marítimas adversas em parte do ano.

Entre outubro e abril, a região sente os efeitos da monção de nordeste, período associado a ventos persistentes e maior agitação do mar.

A temporada de tufões, geralmente mais crítica entre julho e outubro, também altera a rotina do canteiro de obras.

De acordo com a Gamuda, a equipe inicia preparativos cerca de dois dias antes da emissão de um alerta marítimo oficial.

Nessa fase, as operações offshore são suspensas.

As embarcações são presas com cabos de aço, e os acessos de navegação precisam ser mantidos livres para reduzir riscos à entrada e saída de cargueiros comerciais.

Quando um tufão passa pela região, o trabalho pode ficar interrompido por pelo menos uma semana, segundo a empresa.

A paralisação envolve medidas de segurança, proteção de equipamentos e reprogramação de etapas que dependem de condições marítimas mais estáveis.

Fabricação em terra acelerou os caixões do seawall

Um dos procedimentos adotados no projeto foi a fabricação dos caixões em terra, em vez do uso do método flutuante tradicional.

Segundo a Gamuda, essa estratégia reduziu o ciclo de produção de 28 dias para sete dias por unidade.

Com essa mudança, a fabricação pôde continuar ao longo do ano, inclusive em períodos em que o mar não apresentava condições adequadas para operações externas.

A obra passou a combinar uma frente de produção em ambiente controlado com outra frente de instalação marítima, dependente de janelas climáticas favoráveis.

A separação entre fabricação e assentamento ajuda a explicar como uma obra costeira pode avançar mesmo em uma área sujeita a monções e tufões.

A programação reduz a exposição direta das equipes e dos equipamentos aos períodos de maior instabilidade no mar.

Porto artificial amplia área logística no norte de Taiwan

O Porto de Taipei está localizado no distrito de Bali, em New Taipei, próximo à foz do rio Tamsui.

A área tem função logística no norte de Taiwan e foi concebida como porto artificial, com uso de aterros e infraestrutura costeira planejada.

A obra do seawall foi contratada em 2020 pelo consórcio Gamuda-Dong-Pi.

Segundo informações divulgadas pela Gamuda, o contrato inclui a construção da nova muralha marítima, a desmontagem de 945 metros de estruturas existentes e obras de proteção costeira no setor sul do porto.

Comunicados anteriores mencionavam previsão de conclusão em janeiro de 2025.

Em material institucional mais recente, a Gamuda apresenta o período do projeto como janeiro de 2020 a julho de 2026.

A empresa também informou que a obra superava 91% de execução no relato publicado em maio de 2026.

Em obras marítimas, ajustes de prazo podem depender de fatores como clima, segurança operacional, logística de navegação e execução de etapas técnicas, mas o caso específico do Porto de Taipei não teve justificativa confirmada no material consultado.

Engenharia costeira reduz impacto das ondas no porto

A obra reúne princípios de engenharia costeira aplicados à proteção portuária.

A estrutura usa massa, geometria e contenção para reduzir a energia das ondas, estabilizar áreas de aterro e proteger zonas de operação no entorno do porto.

Os caixões de concreto não atuam de forma isolada.

Eles fazem parte de um sistema que inclui fundações, áreas de contenção, aterro, proteção costeira e zonas planejadas para limitar o impacto direto do mar sobre a infraestrutura portuária.

Projetos desse tipo também refletem a demanda de portos por áreas maiores, canais navegáveis seguros e estruturas capazes de operar em ambientes costeiros sujeitos a eventos climáticos severos.

Em ilhas densamente ocupadas, como Taiwan, a recuperação de áreas sobre o mar é uma alternativa usada para ampliar infraestrutura, embora dependa de planejamento técnico, licenciamento e controle ambiental.

No primeiro assentamento de um caixão, Huang relatou que a equipe acompanhou a descida da estrutura enquanto a doca flutuante submergia.

Quando a posição foi confirmada, segundo ele, houve uma sensação coletiva de alívio entre os profissionais envolvidos.

Para quem observa de fora, a operação pode parecer apenas a colocação de grandes blocos de concreto no mar.

No canteiro, porém, cada etapa depende de cálculo estrutural, controle de flutuação, monitoramento das condições marítimas e coordenação entre equipes em terra e no mar.

A expansão do Porto de Taipei mostra como a engenharia costeira tem sido usada para adaptar áreas portuárias a limitações de espaço, navegação comercial e exposição climática.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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