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Engenheiros cravaram mais de 10 milhões de troncos no lodo da lagoa e criaram a floresta submersa de madeira mineralizada que sustenta uma cidade com ruas e palácios até hoje

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 10/02/2026 às 10:25 Atualizado em 10/02/2026 às 10:26
Assista o vídeoFloresta, Floresta submersa, Cidade, Troncos
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Uma engenharia medieval invisível sustenta palácios e canais italianos, usando madeira mineralizada, camadas precisas e logística monumental que transformaram um pântano instável em cidade durável

A estabilidade de Veneza, na Itália, repousa sobre uma solução de engenharia tão engenhosa quanto invisível. Sob os canais e palácios, mais de 10 milhões de troncos de madeira sustentam a cidade, cravados no subsolo da lagoa ao longo de séculos.

Em vez de solo firme, os edifícios históricos se apoiam em estacas que atravessam o lodo até alcançar uma camada mais resistente, garantindo equilíbrio em um ambiente naturalmente instável.

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Por que a madeira resiste no fundo da lagoa

O principal motivo para a durabilidade dessas estacas está nas condições químicas do fundo lagunar. A lama densa cria um ambiente com pouquíssimo oxigênio, conhecido como anaeróbico.

Sem oxigênio disponível, fungos e microrganismos aeróbicos, responsáveis pela decomposição acelerada da madeira, praticamente não conseguem atuar.

Mesmo que bactérias anaeróbicas estejam presentes, sua ação é extremamente lenta. Esse ritmo reduzido faz com que as estacas permaneçam estruturalmente íntegras por centenas de anos, capazes de sustentar enormes cargas de mármore e alvenaria sem comprometer a base da cidade.

O endurecimento natural das fibras de troncos submersos

Com o passar do tempo, a madeira submersa passa por um processo de alteração física. A água salobra da lagoa carrega minerais e sedimentos que são absorvidos lentamente pelas fibras dos troncos.

Esses materiais inorgânicos ocupam os espaços internos da madeira, tornando-a progressivamente mais rígida.

Não se trata de uma transformação em pedra, mas de um endurecimento que aumenta significativamente a resistência do material.

Esse fenômeno natural explica por que as estacas continuam cumprindo sua função estrutural, mesmo após séculos de pressão constante exercida pelos edifícios de Veneza.

As camadas que sustentam a cidade

Para evitar que as construções afundem, engenheiros medievais criaram um sistema preciso de superposição de materiais.

A fundação foi pensada para distribuir o peso vertical e impedir que a umidade suba até as paredes.

O método utiliza três elementos principais. Primeiro, estacas de amieiro são fincadas profundamente até atingir o caranto, uma camada de solo mais sólido.

Sobre elas, uma plataforma de lariço forma uma superfície nivelada. Por fim, blocos de pedra istria criam uma barreira impermeável, protegendo os palácios da umidade da lagoa e garantindo a estrutura das edificações.

A origem das árvores usadas na fundação da floresta submersa que sustenta a cidade

A construção de Veneza exigiu uma operação logística de grande escala. Troncos foram extraídos de regiões que hoje pertencem à Eslovênia e à Croácia e transportados pelo Mar Adriático.

A preferência por carvalho e amieiro se deu pela densidade e pela durabilidade dessas madeiras em ambientes saturados de água.

Quem se interessa por história e engenharia urbana encontra uma explicação detalhada em um vídeo do canal BBC News Brasil, que soma mais de 517 mil visualizações.

Nele, André Biernath mostra como essa floresta invisível sustenta a cidade até hoje, revelando uma das soluções mais impressionantes da engenharia medieval.

Com informações de BMC News.

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Romário Pereira de Carvalho

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