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Engenheiro transforma hashis descartados por restaurantes em móveis premium, prensa bambu usado até ficar mais duro que maple e mais resistente que carvalho e mostra como lixo de comida pode virar design de alto valor

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 20/05/2026 às 14:18 Atualizado em 20/05/2026 às 14:21
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Coleta de hashis para construir mobilia premium – Ilustração
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Startup canadense transforma hashis descartados em móveis e revestimentos usando tecnologia que comprime bambu reciclado em material de alto desempenho.

Todos os anos, bilhões de hashis descartáveis são usados por poucos minutos e acabam no lixo logo após refeições em restaurantes asiáticos ao redor do mundo. O que parecia apenas mais um resíduo urbano comum acabou virando matéria-prima para uma das startups de reciclagem mais curiosas do setor de design sustentável. A empresa canadense ChopValue criou um sistema capaz de transformar hashis usados em móveis, painéis, mesas, revestimentos e peças de decoração de alto padrão.

O diferencial chamou atenção porque a companhia não apenas recicla o material: ela prensa o bambu descartado até criar um compósito extremamente denso, descrito pela própria empresa como mais duro que maple, mais resistente que carvalho e tão durável quanto teca.

O projeto foi criado pelo engenheiro alemão-canadense Felix Böck, que percebeu o volume gigantesco de hashis descartados diariamente em Vancouver, no Canadá. A partir disso, decidiu testar se aquele “lixo de restaurante” poderia virar um material estrutural de valor muito maior.

A ideia surgiu após o engenheiro perceber bilhões de hashis indo para o lixo

Segundo a ChopValue e projetos parceiros ligados à economia circular, mais de 1,5 bilhão de hashis descartáveis são jogados fora todas as semanas no mundo.

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Grande parte desses utensílios é produzida na Ásia, transportada milhares de quilômetros e utilizada apenas uma única vez antes do descarte.

Felix Böck percebeu que, apesar de serem descartados rapidamente, os hashis ainda eram feitos de bambu de alta qualidade. Em vez de tratar o material como lixo, ele decidiu enxergá-lo como uma fonte de madeira engenheirada pronta para reaproveitamento. Foi assim que nasceu a ChopValue em 2016, inicialmente em Vancouver.

A empresa coleta hashis usados em restaurantes, aeroportos e universidades e transforma hashis em móveis

A operação da empresa começa com programas de coleta espalhados por restaurantes, praças de alimentação, universidades e aeroportos.

Os hashis usados são separados em recipientes específicos e enviados para microfábricas locais da empresa. Lá, o material passa por higienização, secagem, organização e prensagem industrial.

Segundo a University of Toronto Mississauga, parceira do programa de reciclagem da ChopValue, a companhia já reciclou mais de 200 milhões de hashis e desviou centenas de toneladas de resíduos de aterros sanitários. A própria empresa afirma já ter ultrapassado 283 milhões de hashis reciclados globalmente.

O bambu reciclado vira um material extremamente denso e resistente

O aspecto mais impressionante do projeto talvez esteja no material criado pela startup. Os hashis são alinhados, comprimidos sob calor e pressão e transformados em placas densas semelhantes a madeira engenheirada. A ChopValue afirma que o resultado final é um compósito de alto desempenho desenvolvido com tecnologia proprietária.

Engenheiro transforma hashis descartados por restaurantes em móveis premium, prensa bambu usado até ficar mais duro que maple e mais resistente que carvalho e mostra como lixo de comida pode virar design de alto valor
Coleta de hashis para construir mobilia premium – Ilustração

Segundo a empresa, o material fica:

  • mais duro que maple;
  • mais resistente que carvalho;
  • e tão durável quanto teca.

Isso permitiu que os hashis reciclados deixassem de ser apenas matéria-prima decorativa para virarem estruturas usadas em:

  • mesas;
  • bancadas;
  • painéis;
  • cadeiras;
  • suportes;
  • revestimentos;
  • móveis corporativos;
  • e interiores comerciais.

Uma única mesa pode usar cerca de 10 mil hashis reciclados

O volume de material utilizado nos produtos também chama atenção.

Segundo reportagens sobre a operação da empresa, uma mesa grande pode consumir aproximadamente 10 mil hashis reciclados. Já peças menores, como suportes ou utensílios domésticos, usam algumas centenas de unidades.

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A escala obrigou a ChopValue a criar um modelo descentralizado de produção.

Em vez de operar apenas uma fábrica central, a companhia utiliza pequenas microfábricas próximas das cidades onde os hashis são coletados. Isso reduz transporte, emissões e custo logístico.

Hoje a empresa possui operações em países como Canadá, Estados Unidos, México, Japão, Singapura, Filipinas, Malásia e Reino Unido.

O projeto virou referência internacional em economia circular

A ChopValue ganhou destaque internacional justamente porque conseguiu transformar um resíduo extremamente banal em produto premium.

O modelo chamou atenção de empresas de hotelaria, escritórios, restaurantes e até programas ligados à IKEA Social Entrepreneurship, que destacou a startup como exemplo de economia circular aplicada ao design e à fabricação local.

O conceito central da empresa é simples: usar resíduos urbanos já existentes em vez de derrubar novas árvores para produzir móveis e revestimentos.

Por isso, a startup passou a descrever seus produtos com o slogan “All of the wood, none of the trees”, algo como “toda a madeira, sem derrubar árvores”.

A empresa que transforma hashis em móveis e criar uma cadeia industrial global

O objetivo da ChopValue hoje vai além da reciclagem de transformar hashis em móveis. A companhia trabalha para expandir um modelo de microfábricas urbanas capazes de reaproveitar resíduos locais e transformá-los em produtos industriais de alto valor agregado.

Segundo a empresa, o sistema também ajuda a reduzir emissões ligadas ao transporte internacional de madeira e mobiliário. A ChopValue afirma já ter evitado mais de 13,8 milhões de kg de emissões equivalentes de CO₂ desde o início da operação.

Talvez seja exatamente isso que tenha transformado o projeto em um dos exemplos mais curiosos da economia circular moderna: ele mostra que algo usado durante poucos minutos em uma refeição pode acabar voltando ao mercado como mesa, painel ou móvel projetado para durar décadas.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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