Descoberta feita nas montanhas norueguesas impulsionou buscas anuais durante o degelo, revelando roupas, ferramentas de caça, esquis de madeira, tecidos e outros objetos preservados durante séculos ou milênios em placas de gelo
Um sapato de couro com 3.400 anos, encontrado em 2006 nas montanhas da Noruega, ajudou a impulsionar um amplo programa de arqueologia glacial. Desde então, pesquisadores recuperaram aproximadamente 4.500 artefatos, incluindo roupas, ferramentas de caça e equipamentos de viagem preservados durante séculos ou milênios sob o gelo.
Sapato de couro de 3.400 anos deu início às buscas
O calçado foi localizado pelo alpinista norueguês Reidar Marstein enquanto emergia do gelo derretido. Diante do estado de conservação do objeto, ele o embalou cuidadosamente e entrou em contato com um arqueólogo da região.
A descoberta contribuiu para o desenvolvimento do projeto Segredos do Gelo, que se tornou um dos principais programas de arqueologia glacial do mundo. As equipes passaram a investigar áreas montanhosas durante as temporadas de degelo.
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Os objetos recuperados oferecem informações sobre pessoas que viajaram, caçaram e trabalharam na região há milhares de anos. Muitos materiais frágeis dificilmente teriam sobrevivido fora das condições proporcionadas pelo gelo.

Crédito:Segredos do Gelo/Facebook
Artefatos do gelo incluem esquis, flecha e roupas
Entre os aproximadamente 4.500 artefatos do gelo estão tecidos, peças de vestuário, equipamentos de caça e objetos perdidos em antigas rotas de viagem.
Alguns apresentam aparência familiar, enquanto outros possuem características adequadas para exposições de museus.
Os pesquisadores também encontraram o que foi descrito pela revista Smithsonian como o par de esquis de madeira intacto mais antigo do mundo.
Outro destaque é uma flecha de 3.000 anos associada a um caçador de renas da Idade do Bronze.
Madeira, couro e tecidos foram protegidos porque o gelo funcionou como um congelador natural. Esse ambiente impediu ou retardou a deterioração que normalmente destruiria materiais orgânicos ao longo do tempo.

Degelo abre uma janela curta para o resgate
Quando os objetos deixam o gelo, porém, a preservação termina. Luz solar, chuva, vento e micróbios podem danificar rapidamente peças que permaneceram intactas por milhares de anos.
Por isso, arqueólogos percorrem as montanhas a cada temporada de degelo em busca de itens recém-expostos.
O trabalho precisa ser realizado antes que os materiais se deteriorem ou desapareçam no terreno.
As placas de gelo estacionárias costumam preservar melhor os artefatos do que as geleiras, que se movimentam e podem esmagar ou danificar os objetos. O aumento das temperaturas tornou essa busca mais urgente.
O arqueólogo William Taylor, do Museu de História Natural da Universidade do Colorado, afirmou que muitos capítulos da história humana permanecem guardados nesse gelo raro e em rápido derretimento. Ele teme que parte desse patrimônio desapareça dentro de poucos anos.
Esta matéria foi elaborada com base em informações das revistas Smithsonian e The Weather Channel, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

