A história de Tatiana Nascimento, publicada pela Agência Sebrae de Notícias em 29 de março de 2025, mostra como o coco virou base da Coco Bom em Penedo, com água de coco, gelo saborizado, pitaya própria, processamento diário variável e reaproveitamento integral de resíduos com apoio local do Sebrae Alagoas.
O coco deixou de ser apenas parte de uma plantação familiar em Penedo, no interior de Alagoas, para virar a base da Coco Bom, marca estruturada por Tatiana Nascimento, engenheira de petróleo que retornou ao campo e passou a atuar como produtora rural.
Segundo a Agência Sebrae de Notícias, Tatiana transformou uma área antes usada como pastagem para gado em um negócio de água de coco, gelo saborizado e produção sustentável. No vídeo do Sebrae Alagoas, ela afirma que o processamento pode variar conforme os pedidos e chegar a cerca de 1.000 cocos por dia.
Plantação de coco saiu da pastagem e virou negócio estruturado

Antes da Coco Bom ganhar embalagens, rótulos e processo formal, a propriedade da família era uma plantação de coco sem aproveitamento comercial estruturado. A área havia começado com o avô de Tatiana e, segundo a ASN, era usada como pastagem para gado.
-
Veterana do Corpo de Fuzileiros transformou um ônibus escolar aposentado de US$ 5 mil em mini casa para morar com os filhos, vendeu por US$ 50 mil e já construiu dezenas de outras conversões sobre rodas
-
Aos 15 ele ganhava R$ 8 mil por mês com um servidor de Minecraft, criou um banco digital para adolescentes e agora, aos 28, comanda uma “fábrica de influenciadores” de inteligência artificial que somou 1,2 bilhão de visualizações em 9 meses
-
Mãe de cinco filhos em Roraima tentou viver na cidade, voltou para a roça por amor ao campo, apostou no cacau mesmo após perder parte da lavoura e hoje mantém 940 pés produzindo, com mais de 1.400 mudas em desenvolvimento para ampliar a propriedade e fortalecer a renda familiar
-
Tamancos romanos de 1.800 anos aparecem quase intactos em Vindolanda e mostram o truque simples que protegia soldados em banhos quentes
A mudança aconteceu quando a venda de água de coco, iniciada de forma simples pelo pai de Tatiana, começou a mostrar potencial. Em três anos, a empreendedora padronizou a produção, criou identidade para a marca e passou a vender para supermercados, eventos e dois institutos federais por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar.
Água de coco passou por padronização antes de ganhar mercado

No início, a comercialização era informal, com água de coco vendida em garrafas PET reutilizadas. O negócio foi ganhando estrutura com embalagem, rotulagem, código de barras e processos voltados ao setor de alimentos.
No vídeo, Tatiana explica que o coco colhido passa por higienização antes de entrar na fábrica. O processo inclui lavagem com cloro, lavagem manual para retirar resíduos e nova lavagem com água antes do resfriamento e envase. A operação deixou de depender apenas da colheita e passou a funcionar como uma cadeia organizada de produção.
Processamento pode chegar a 1.000 cocos por dia
A rotina de produção varia conforme a demanda. No vídeo do Sebrae Alagoas, Tatiana afirma que a quantidade aberta por dia pode ir de 100 a 800, chegando a cerca de 1.000 cocos, dependendo do fluxo de pedidos.
Esse dado mostra o tamanho que a Coco Bom alcançou ao transformar a matéria-prima local em produto com saída comercial. A empresa trabalha com água de coco e também usa a base da fruta para criar novos itens, ampliando o portfólio sem abandonar a produção rural.
Gelo saborizado com pitaya virou carro-chefe da marca

A inovação mais chamativa da Coco Bom veio com o gelo saborizado de água de coco com frutas. Segundo a ASN, a ideia surgiu durante a pandemia, quando as comemorações em casa e os drinks preparados pelos próprios consumidores abriram espaço para um produto prático e diferente.
O gelo de pitaya e kiwi passou a ser um dos destaques da empresa. Depois, Tatiana decidiu plantar pitaya para reduzir a dependência de compra da fruta fora da safra. A propriedade conta com cerca de 400 pés de pitaya, usados integralmente na produção e comercialização dos gelos saborizados.
Resíduos do coco voltam para os coqueirais como adubo
A sustentabilidade também entrou no modelo da Coco Bom. Tatiana afirma que a empresa reaproveita 100% dos resíduos do coco: fibras e cascas são transformadas em adubo e retornam aos coqueirais.
No vídeo, ela detalha que o coco processado segue para trituração e compostagem, formando fibra e adubo para a própria produção. O resíduo deixa de ser sobra da fábrica e volta ao campo como parte do ciclo produtivo.
Embalagens também têm destinação fora da propriedade
Além do reaproveitamento do coco, Tatiana relata que os resíduos de embalagem são destinados a associações de catadores do município. Segundo ela, a empresa alterna a destinação entre duas instituições locais.
Esse ponto reforça que a sustentabilidade da Coco Bom não se limita à lavoura. O modelo combina adubação orgânica, reaproveitamento de cascas e fibras, compostagem e encaminhamento de embalagens, conectando produção rural e responsabilidade ambiental.
Sebrae ajudou na estruturação da empresa
A Agência Sebrae de Notícias informa que o Sebrae Alagoas apoiou Tatiana desde o plano de negócios até a formalização da Coco Bom. O suporte incluiu manual de boas práticas, capacitação de funcionários, certificações, registros e orientações específicas para o setor de alimentos.
Tatiana também integra o Sebrae Delas, projeto voltado a reconhecer, impulsionar e acelerar a trajetória de mulheres empreendedoras. A gestora do programa, Érica Pereira, é citada pela ASN como uma das pessoas ligadas ao acompanhamento da empreendedora.
Do petróleo ao agro, a mudança foi de rota e método
A formação de Tatiana em Engenharia de Petróleo aparece como contraste com a atividade atual no campo, mas a história da Coco Bom não se resume a uma troca de profissão. O ponto central é a aplicação de método, processo e organização em uma propriedade que já existia, mas ainda não tinha sido transformada em negócio.
Ao estruturar água de coco, gelo saborizado, plantio de pitaya e reaproveitamento de resíduos, a empresa passou a operar em diferentes frentes do agro. A Coco Bom mostra como um produto comum pode ganhar valor quando recebe padronização, inovação e gestão.
O que a Coco Bom mostra sobre o agro brasileiro
A trajetória de Tatiana Nascimento em Penedo mostra um caminho possível para pequenos negócios rurais: usar o que já existe na propriedade, organizar a produção, criar produto com identidade e reduzir desperdício ao longo do processo.
A pergunta que fica é prática: quantas propriedades com coco, frutas ou outras culturas poderiam virar negócios mais fortes se recebessem estrutura, orientação técnica e apoio comercial? Você acha que o futuro do agro brasileiro passa mais por grandes máquinas ou por ideias simples bem executadas como essa? Deixe sua opinião nos comentários.

