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Enfermagem presencial: decisão do MEC reduz riscos e anima setor educacional

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 29/12/2025 às 20:54
MEC ajusta marco regulatório da enfermagem presencial e diminui impactos do fim do EAD para grandes grupos educacionais.
Foto: IA
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MEC ajusta marco regulatório da enfermagem presencial e diminui impactos do fim do EAD para grandes grupos educacionais.

Ministério da Educação (MEC) anunciou, na última sexta-feira (26), que cursos de enfermagem presencial poderão ser mantidos mesmo quando originalmente ofertados em EAD, desde que migrem para a modalidade presencial.

A medida foi oficializada por meio da Portaria 921/2025, publicada em Brasília, e surge como resposta direta ao novo Marco regulatório do MEC, que restringiu a formação em enfermagem exclusivamente ao ensino presencial.

A decisão afeta instituições de ensino superior, estudantes e grandes grupos educacionais, ao permitir a adaptação dos cursos e reduzir o risco de encerramento abrupto dessas graduações no Brasil. 

Logo no curto prazo, a mudança busca evitar prejuízos acadêmicos e financeiros, enquanto, no médio prazo, tende a reorganizar o setor educacional ligado à área da saúde.

Analistas avaliam que o impacto é positivo, sobretudo para companhias listadas na Bolsa que mantêm forte atuação no ensino a distância. 

O que muda com o novo marco regulatório do MEC 

Marco regulatório do MEC, reforçado pelo Decreto 12.246/2025, estabeleceu que a formação em enfermagem deve ocorrer exclusivamente de forma presencial.

Inicialmente, a decisão gerou preocupação no setor, especialmente entre empresas com grande número de alunos matriculados em EAD

Entretanto, a Portaria 921/2025 introduziu um mecanismo de transição.

Agora, as instituições poderão criar sedes físicas para transformar os cursos afetados em enfermagem presencial, evitando a interrupção completa da oferta.

Esse modelo permite uma adaptação gradual, sem ruptura imediata para estudantes e mantenedoras. 

Avaliação dos bancos indica impacto positivo para o setor educacional 

Segundo análises de instituições financeiras, a flexibilização do marco regulatório reduz significativamente os impactos negativos no curto prazo e cria oportunidades de crescimento no médio prazo.

Para o Bradesco BBI, a decisão sustenta uma visão construtiva para o segmento educacional, especialmente na área da saúde. 

O banco destaca que o aumento de matrículas em enfermagem presencial, aliado à possibilidade de expansão de outros cursos da área, pode impulsionar receitas e diluir riscos regulatórios.

Assim, o cenário passa a ser visto como uma reorganização do setor, e não como um retrocesso estrutural. 

Cogna Educação aparece como principal beneficiada 

De acordo com o J.P. Morgan, o curso de enfermagem representou cerca de 9% da base de alunos EAD da companhia em 2024. 

Dados do INEP, citados pelo banco, indicam que a Cogna oferece o curso em mais de 600 cidades brasileiras.

Com a autorização para migração ao formato presencial, a empresa reduz o risco de perda de alunos e preserva uma parcela relevante de sua operação. 

Vitru Educação também deve sentir efeitos positivos 

Vitru Educação surge como outra beneficiada pela flexibilização.

Conforme avaliação do Bradesco BBI, a companhia poderá autorizar até 240 unidades presenciais no processo de transição. 

Esse número se aproxima de aproximadamente 300 polos que, anteriormente, responderam por cerca de 80% das receitas de enfermagem em EAD, o equivalente a aproximadamente 4% da receita consolidada da empresa em 2025.

Assim, a mudança regulatória reduz o risco de perda significativa de faturamento. 

Prazo de transição e critérios exigidos pelo governo 

Os cursos impactados terão um prazo de até dois anos para estruturar suas sedes presenciais.

Esse período de transição busca garantir continuidade acadêmica e tempo hábil para adequações físicas, pedagógicas e administrativas. 

No entanto, o governo estabeleceu critérios claros para a continuidade dos programas.

Entre eles, os cursos precisam obter nota igual ou superior a 4 nas avaliações do MEC e manter, no mínimo, 40 alunos matriculados nas cidades onde a formação é ofertada. 

Reorganização do setor e perspectivas futuras 

Com a consolidação da enfermagem presencial como exigência regulatória, o setor educacional entra em uma nova fase.

A adaptação tende a favorecer grupos com maior capacidade de investimento em infraestrutura e expansão física, ao mesmo tempo em que redefine o papel do EAD na área da saúde. 

Enquanto isso, a decisão do MEC sinaliza uma tentativa de equilíbrio entre qualidade da formação e estabilidade do mercado educacional.

Para empresas como Cogna Educação e Vitru Educação, o ajuste representa não apenas mitigação de riscos, mas também uma oportunidade estratégica dentro do novo marco regulatório. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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