Com baixa liquidez, taxas dos DIs refletem cautela do mercado diante do déficit fiscal e das projeções da inflação IPCA.
As taxas dos DIs encerraram a segunda-feira (29) próximas da estabilidade, refletindo um ambiente de baixa liquidez, típico do fim de ano, e a ausência de grandes gatilhos tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
O movimento ocorreu em meio à divulgação de dados relevantes sobre déficit fiscal, expectativas para a inflação IPCA e ao comportamento dos Treasuries dos EUA, que ajudaram a balizar as decisões dos investidores.
Logo no início da sessão, os juros futuros mostraram pouca volatilidade.
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O DI com vencimento em janeiro de 2028 terminou o dia a 13,18%, levemente acima do ajuste anterior, de 13,16%.
Já o contrato para janeiro de 2035 marcou 13,64%, praticamente em linha com os 13,65% observados na sessão passada.
Portanto, mesmo com negociações reduzidas, o mercado manteve cautela e evitou movimentos mais bruscos.
Taxas dos DIs refletem cenário de fim de ano
O comportamento das taxas dos DIs esteve diretamente ligado ao ritmo mais lento das negociações.
Com investidores ajustando posições e reduzindo exposição antes do encerramento do ano, a curva de juros futuros permaneceu praticamente lateralizada.
Ainda assim, analistas destacam que a estabilidade não significa ausência de preocupação.
Pelo contrário, o mercado segue atento aos fundamentos fiscais e inflacionários, que continuam sendo os principais vetores de precificação dos contratos de DI ao longo de 2025.
Déficit fiscal acima do esperado entra no radar
Apesar da calmaria nos preços, a agenda econômica trouxe informações relevantes.
Durante a tarde, o Tesouro Nacional informou que o governo central registrou um déficit fiscal primário de R$ 20,172 bilhões em novembro.
O número veio acima da expectativa do mercado, que projetava um rombo de cerca de R$ 13,5 bilhões, segundo levantamento da Reuters.
Em coletiva de imprensa após a divulgação do relatório, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que o resultado primário de 2025 deve ficar “mais próximo do centro da meta do que do piso”.
A declaração ajudou a conter uma reação mais negativa nos juros futuros, ao sinalizar compromisso com o arcabouço fiscal.
Por outro lado, o dado reforçou a percepção de que o equilíbrio das contas públicas segue como um desafio estrutural.
Assim, o déficit fiscal continua sendo um fator central na formação das expectativas para a trajetória das taxas dos DIs no médio e longo prazos.
Inflação IPCA em trajetória de desaceleração
Outro ponto relevante para os juros futuros veio da divulgação da pesquisa Focus.
O levantamento mostrou que os economistas reduziram pela sétima semana consecutiva a estimativa para a inflação IPCA de 2025, que passou de 4,33% para 4,32%.
Além disso, a projeção para 2026 também apresentou recuo pela sexta semana seguida, com a mediana caindo para 4,05%, ante 4,06% na semana anterior.
Esses números reforçam a percepção de desaceleração gradual da inflação, o que tende a aliviar pressões sobre as taxas dos DIs, especialmente nos vértices mais longos da curva.
Enquanto isso, pela manhã, a Fundação Getulio Vargas divulgou que o IGP-M recuou 0,01% em dezembro, encerrando o ano com queda acumulada de 1,05%.
Embora o índice não seja diretamente utilizado pelo Banco Central, ele ajuda a compor o cenário inflacionário mais amplo acompanhado pelo mercado.
Juros futuros acompanham Treasuries dos EUA
No ambiente internacional, os Treasuries dos EUA exerceram influência adicional sobre os juros futuros domésticos.
Os rendimentos dos títulos americanos recuaram ao longo do dia, enquanto os investidores aguardavam a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, prevista para esta terça-feira (30).
Por volta das 16h43, o rendimento do Treasury de dez anos referência global para decisões de investimento caía cerca de dois pontos-base, para 4,116%.
Esse movimento contribuiu para limitar pressões de alta nas taxas dos DIs, uma vez que a curva brasileira costuma reagir às variações dos juros internacionais.
Perspectivas para as taxas dos DIs
Com isso, o mercado encerra o ano mantendo uma postura defensiva.
A combinação entre déficit fiscal acima do esperado, desaceleração gradual da inflação IPCA e comportamento dos Treasuries dos EUA seguirá determinando o rumo dos juros futuros nas próximas sessões.
Enquanto isso, especialistas avaliam que a tendência de curto prazo é de continuidade da estabilidade, ao menos até que novos dados fiscais, inflacionários ou sinais mais claros da política monetária americana tragam maior volatilidade.
Assim, as taxas dos DIs permanecem como um termômetro sensível do equilíbrio entre risco fiscal, inflação e cenário externo.

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