Durante a COP30, a Aliança Solar Internacional destacou novas estratégias e premiou startups da América Latina e Caribe, reforçando o papel da energia solar no futuro energético global.
A discussão sobre energia solar entrou em uma nova fase no cenário internacional. Durante a COP30, realizada em Belém, no Brasil, a Aliança Solar Internacional (ISA) apresentou uma visão mais prática e orientada a resultados sobre o futuro da transição energética.
O foco agora está menos na ambição declaratória e mais na implementação efetiva de soluções solares, especialmente em países do Sul Global, onde desafios de acesso, financiamento e infraestrutura ainda persistem.
ISA amplia atuação e reforça papel da América Latina e do Caribe
Criada como uma organização intergovernamental baseada em tratado internacional, a ISA reúne atualmente 125 países membros. Na COP30, a entidade anunciou um passo estratégico importante: a expansão de suas ações na América Latina e no Caribe.
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O destaque foi a divulgação dos vencedores do SolarX Startup Challenge – Edição América Latina & Caribe (LAC), iniciativa que reforça a presença da Aliança na região.
Ao todo, dez startups de nove países foram selecionadas. Seis delas são lideradas por mulheres, o que também evidencia a diversidade e a inclusão no setor de energia solar.
O anúncio ocorreu durante uma mesa-redonda oficial da COP30 e seguiu o histórico de edições anteriores do desafio realizadas na África e na Ásia-Pacífico.
Inovação como motor da transição energética no Sul Global
Nos últimos anos, a ISA apoiou cerca de 50 startups na África e na Ásia-Pacífico, incluindo a Índia. Esse suporte envolveu aportes financeiros diretos e programas estruturados de aceleração.
Agora, ao chegar à América Latina e ao Caribe, a organização busca identificar soluções solares escaláveis, acessíveis e adaptadas à realidade regional.
Esse movimento ocorre em um contexto simbólico. Em 2025, as fontes renováveis superaram o carvão como principal fonte de geração elétrica no mundo.
Esse marco, citado durante a COP30, reforça o papel da energia solar como eixo central da transição energética global.
Quatro pilares estruturam a estratégia da ISA
A visão defendida pela Aliança Solar Internacional está ancorada em quatro pilares estratégicos. O primeiro deles é o Financiamento Catalítico, voltado a destravar e mobilizar investimentos em larga escala. Em paralelo, a entidade aposta na Capacitação Global e Digitalização, fomentando inovação, plataformas digitais e formação técnica nos países membros.
Além disso, a estratégia inclui Engajamento Regional e Nacional, com ações adaptadas às necessidades locais, e a construção de Roteiros de Tecnologia e Política, que aceleram a adoção de tecnologias solares emergentes por meio de políticas públicas e instrumentos técnicos.
A edição latino-americana do SolarX Startup Challenge recebeu 113 candidaturas de 29 países, número que reflete o crescente interesse por soluções práticas em energia solar. Desse universo, dez startups foram selecionadas com base em critérios como impacto real, viabilidade econômica e relevância tecnológica.
Cada empresa vencedora recebeu um incentivo financeiro de US$ 15 mil. Além disso, elas terão acesso a programas de mentoria técnica, redes de investidores e capacitação profissional oferecidas pelos parceiros da ISA. O objetivo é fortalecer modelos de negócio capazes de ampliar o acesso à energia limpa e aumentar a resiliência das redes elétricas.
Declaração reforça compromisso com soluções regionais
Segundo o diretor-geral da ISA, Ashish Khanna, a inovação local é um dos principais caminhos para acelerar a transição energética. “Esses vencedores ilustram como a inovação local pode apoiar significativamente a transição energética da região. A América Latina e o Caribe têm um potencial solar significativo, mas continuam a enfrentar desafios de acesso, acessibilidade e resiliência. O SolarX Challenge visa preencher essa lacuna apoiando empreendedores que estão desenvolvendo modelos de negócios adaptáveis e impactantes. A ISA permanece comprometida em viabilizar esses esforços e avançar para um futuro mais sustentável para a região”, disse.
A fala reforça que a expansão da energia solar não depende apenas de tecnologia, mas também de modelos financeiros, políticas públicas e capacitação local.
Além disso, as startups selecionadas representam uma ampla gama de aplicações solares. A Kingo, da Guatemala, desenvolve soluções de energia limpa e conectividade baseadas em IoT para regiões remotas. Já a brasileira Digital Grid atua com uma plataforma SaaS voltada à automação de geração solar compartilhada, enfrentando desafios operacionais e regulatórios.
Outra empresa do Brasil, a SQUAIR, trabalha com gestão integrada de energia e temperatura em ambientes de alto consumo, como centros logísticos. Do Chile, a Suncast oferece serviços avançados de previsão de geração de energia solar e estimativa de poluição sem uso de sensores físicos.
No Uruguai, a Grinplus ajuda pequenos geradores solares a monetizar certificados de energia renovável. A argentina HD Photovoltaics inova ao produzir painéis BIPV que funcionam também como materiais de construção.
Soluções sociais e mobilidade elétrica também ganham destaque
A lista de vencedores inclui iniciativas com forte impacto social. A equatoriana SUNNA desenvolve aquecedores solares, lâmpadas e sistemas fotovoltaicos de fácil instalação, voltados a diferentes contextos socioeconômicos.
Já a nicaraguense Green Energy integra purificação de água com geração solar fora da rede por meio do Shagara WaterHub.
Na Bolívia, a Quantum Motors se destaca por integrar painéis solares diretamente em veículos elétricos urbanos. O modelo Quantum E4 Solar conta com um painel flexível de 100W no teto, ampliando a autonomia energética.
Enquanto isso, a colombiana Suno aposta em finanças digitais para viabilizar financiamento transparente e transfronteiriço de projetos de energia solar comunitários.
ISA consolida papel como articuladora global da energia solar
Fundada em 2015 por Índia e França durante a COP21, em Paris, a Aliança Solar Internacional se consolidou como a primeira organização intergovernamental sediada na Índia.
Desde sua criação, a entidade atua em parceria com governos para ampliar o acesso à energia, fortalecer a segurança energética e promover a energia solar como base de um modelo sustentável.
Com atuação cada vez mais orientada à implementação prática, a ISA reforça seu papel de conectar inovação, financiamento e políticas públicas.
Ao apoiar soluções adaptadas às realidades locais, a organização busca transformar comunidades, impulsionar crescimento econômico sustentável e ampliar a oferta de energia limpa, confiável e acessível em escala global.

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