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Nordeste brasileiro recebe a maior avalanche de investimentos em energia limpa já vista no país, com R$ 200 bilhões em eólica e solar, 9 mil km de linhas de transmissão e uma promessa que pode mudar a economia de 60 milhões de pessoas

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/04/2026 às 09:37
Atualizado em 12/04/2026 às 11:00
Campo de aerogeradores eólicos no sertão nordestino ao pôr do sol
O Nordeste concentra R$ 225 bilhões em investimentos no setor elétrico até 2026, com 18 mil MW outorgados em parques eólicos e solares e 60 mil empregos previstos na região.
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Com R$ 225 bilhões em investimentos no setor elétrico até 2026, o Nordeste brasileiro concentra a maior parte dos novos parques eólicos e solares do país, com 18 mil MW outorgados, 60 mil empregos prometidos e uma rede de transmissão de 9 mil km que pode transformar a economia de 60 milhões de pessoas

O Nordeste brasileiro está no centro de uma transformação energética sem precedentes. O governo federal planeja investir R$ 225 bilhões no setor elétrico até 2026, e a maior fatia desse montante se destina a projetos de energia eólica e solar na região, segundo dados do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De acordo com o ministro Alexandre Silveira, os leiloes de transmissão realizados pela Aneel devem destravar entre R$ 180 bilhões e R$ 200 bilhões especificamente em energia eólica e solar no Nordeste. “Serão em torno de R$ 56 bilhões de investimentos nesse setor que vão destravar de R$ 180 a até R$ 200 bilhões em energia eólica e solar no Nordeste brasileiro”, afirmou Silveira à CNN Brasil.

Além disso, o ministro estimou que o leilão de transmissão de 2023 deve gerar cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos na região. Portanto, o impacto vai muito além das torres e painéis — trata-se de uma reconfiguração econômica de uma região com 60 milhões de habitantes.

Linhas de transmissão de energia eólica e solar cruzando o semiárido nordestino

Leilão de transmissão arrecadou R$ 15,7 bilhões e prevê 6.184 km de novas linhas

O leilão de transmissão realizado pela Aneel em março de 2023 arrecadou R$ 15,7 bilhões em investimentos para a construção de 6.184 km de linhas e 400 MVA em subestações. Dessa forma, o foco principal é escoar a energia produzida no Nordeste para o Sudeste, onde está a maior demanda do país.

Os leilões previstos para 2024 devem captar R$ 23 bilhões — o equivalente a 72% dos R$ 32 bilhões totais em obras de transmissão programadas até 2026. Desse montante, quase R$ 15 bilhões se concentram no Nordeste, financiando 9 mil km de linhas e novas subestações.

Contudo, especialistas alertam que gargalos na transmissão ainda persistem. A capacidade de escoar excedentes de energia renovável ao Sudeste depende da execução integral desses projetos, que estão sujeitos a prazos e condições regulatórias.

Parques eólicos somam R$ 130 bilhões outorgados e 18 mil MW de capacidade

Os números da expansão eólica no Nordeste impressionam. Atualmente, há R$ 21 bilhões em parques eólicos em construção na região, com capacidade total de 3 mil MW. Ainda assim, o volume de projetos outorgados mas ainda não iniciados é muito maior: R$ 130 bilhões em investimentos e 18 mil MW de capacidade.

Por outro lado, a energia eólica já representava 10,7% da matriz elétrica nacional, com projeção de atingir 11,2%. A energia solar, por sua vez, saltou de 1,9% para 2,6% no mesmo período. Dessa forma, a região já demonstrou capacidade de suprir quase 100% da demanda regional em dias de pico.

  • Parques em construção: R$ 21 bilhões e 3 mil MW
  • Projetos outorgados: R$ 130 bilhões e 18 mil MW
  • Solar em 10 anos: mais de R$ 100 bilhões (28% do setor elétrico)
  • PDE até 2031: R$ 192 bilhões, com 34% em usinas de grande porte
Megausina solar fotovoltaica no sertão do Piauí com painéis alinhados no horizonte

Banco do Nordeste já aplicou R$ 25 bilhões em renováveis e crédito solar cresceu 304%

O Banco do Nordeste (BNB) tem sido peça-chave nessa transformação. Entre 2019 e 2022, a instituição aplicou mais de R$ 25 bilhões em projetos eólicos e solares em sua área de atuação, que abrange todo o Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo. Só em 2022, foram R$ 5,9 bilhões contratados.

“Nós atuamos para oferecer estrutura de atração a novos negócios ao mesmo tempo que contribuímos para o País ter uma geração de energia mais limpa”, declarou José Gomes da Costa, presidente do BNB.

O crédito para energia solar disparou 304% em quatro anos — saltando de R$ 948 milhões em 2019 para R$ 3,8 bilhões em 2022, acumulando R$ 9,8 bilhões no período. No Ceará, o BNB destinou R$ 3,6 bilhões para projetos renováveis nos mesmos quatro anos. Por consequência, o financiamento tem impulsionado desde pequenos painéis residenciais até megausinas solares.

Operários instalando painéis solares em planta industrial no Nordeste do Brasil

Rio Grande do Norte mira R$ 127 bilhões em hidrogênio verde e quer rivalizar com líderes globais

A ambição do Nordeste não se limita a eólica e solar convencionais. O Rio Grande do Norte projeta investimentos de R$ 127 bilhões em hidrogênio verde, incluindo US$ 20 bilhões em aportes diretos. Além disso, estados como Bahia (R$ 30 bilhões projetados), Ceará (Complexo do Pecém) e Piauí (megausinas solares) disputam protagonismo nessa corrida.

A projeção de crescimento econômico do Nordeste entre 2026 e 2034 é de 3,1%, puxado justamente pelas renováveis. Os investimentos totais na região, somando eólica, petróleo, aeroportos e infraestrutura, podem chegar a R$ 750 bilhões.

O outro lado: projetos parados, gargalos e a pergunta “para quem?”

Apesar dos números impressionantes, é preciso cautela. Os R$ 130 bilhões em projetos eólicos outorgados ainda não foram iniciados e estão sujeitos a atrasos regulatórios e de mercado. Além disso, os gargalos na transmissão continuam sendo um obstáculo real para escoar o excedente energético ao Sudeste.

Há também um debate crescente sobre quem de fato se beneficia dessa transição. Analistas questionam se os ganhos ficam na região ou se o capital estrangeiro captura a maior parte do retorno — uma discussão sintetizada na provocação do Observatório de Política Externa Brasileira.

Por fim, todas as projeções até 2026 estão sujeitas a variações de inflação, câmbio e mudanças regulatórias. As fontes oficiais utilizadas nesta reportagem apresentam dados consolidados até 2023-2024, e os valores futuros são estimativas do Ministério de Minas e Energia, Aneel e EPE.

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Francisco Fortes Filho
Francisco Fortes Filho
13/04/2026 09:25

Já manifestei opinião a respeito do assunto. Se ñ fosse p/beneficiar o grande capital nacional//internacional, liberava a venda da produção excedente p/quem fez e quem fazer p/vender o excedente p/as geradoras/distribuidoras, ou vender no mercado livre.

São milhões de TETOS ociosos que poderiam serem aproveitados sem a necessidade de desmatamento da nossa caatinga, um dos biomas + ameaçados do país. Aqui msm no Piauí, tivemos um exemplo de uma usina de energia solar, que devastou cerca de 2.000 km2 e que causou um grande problema ambiental. A usina solar de S. Gonçalo do Gurgueia, d/ msm enrolada da ENEL de S. Paulo.A msm fica a poucos km de Gilbués-Pi. O maior deserto do Brasil, q foi provocado por mineração de Diamantes.

Essa história de meio ambiente é pura balela, senão vejamos o caso da guerra EUA/IRÃ. Explodem vários petroleiros e mundo que se lixe. Triste!!!

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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