Relatório da Trellis divulgado em maio mostra que empresas mantêm investimentos sustentáveis, enquanto dados da Rede Mulher Florestal apontam desigualdade na liderança do setor no Brasil.
A sustentabilidade corporativa segue no centro das estratégias de grandes empresas. De acordo com o relatório “Retrato da Profissão em Sustentabilidade 2026”, publicado em maio pela Trellis Group, cerca de 57% das organizações mantiveram suas metas ambientais.
Além disso, o estudo ouviu aproximadamente 500 profissionais de sustentabilidade em empresas com receitas estimadas em US$ 1 bilhão. Segundo o levantamento, 24% das companhias reforçaram seus compromissos para 2026, enquanto apenas 16% enfraqueceram ou abandonaram metas.
-
Mansão sustentável no Colorado feita com mais de 1.500 pneus reciclados, barro, latas e garrafas tem 414 m², energia solar, sensores de chuva, estábulo com 23 baias e está à venda por US$ 1,3 milhão
-
Uma floresta tropical quase três vezes maior que Paris foi devastada para abastecer uma cadeia de embalagens rotuladas como “carbono neutro”, enquanto uma investigação internacional rastreou a madeira desde áreas desmatadas em Bornéu até fábricas de celulose e produção de caixas usadas por grandes marcas do setor de saúde
-
Mato Grosso acaba de assinar um plano que pode mudar silenciosamente a origem da madeira usada pela indústria e transformar florestas plantadas em peça-chave do abastecimento sustentável até 2040
-
A represa gigante que São Paulo precisa para não entrar em colapso está cercada por esgoto, microplásticos e loteamentos clandestinos, enquanto quase 22 milhões de pessoas vivem na região que depende de soluções urgentes para água
Orçamento sustentável cresce, mas cortes ainda preocupam
Além disso, a Trellis apontou que 46% das organizações ampliaram orçamento e equipes de sustentabilidade nos últimos dois anos. Dessa forma, a área passou a ocupar espaço mais estratégico na gestão corporativa.
Por outro lado, o relatório também mostra um alerta. Cerca de 25% das empresas cortaram orçamento sustentável, mesmo em um cenário de maior cobrança por resultados ambientais e sociais.
Mulheres seguem sub-representadas no setor florestal
Enquanto isso, no Brasil, o 4º Panorama de Gênero do Setor Florestal, desenvolvido pela Rede Mulher Florestal, revela outro desafio. Segundo a entidade, as mulheres representam apenas 22,97% da força de trabalho do setor florestal brasileiro.
Além disso, elas seguem com baixa presença nos cargos de liderança executiva. Para Liu Berman, especialista em economia criativa e embaixadora do Instituto Reinventando Futuros, esse cenário limita avanços importantes.
Segundo ela, empresas que ignoram as habilidades femininas perdem oportunidades. Afinal, o momento exige liderança, inovação, impacto social, visão de longo prazo e construção coletiva de equipes.
Impacto socioambiental começa a virar valor econômico
Ainda assim, Liu Berman afirma que a sustentabilidade não pode funcionar apenas como vitrine. Para ela, o diferencial está em integrar práticas sustentáveis ao modelo de negócio, e não tratá-las como selo posterior.
Além disso, iniciativas como Maré de Mudanças e Fórum Nordeste de Economia Circular mostram como o impacto socioambiental pode gerar valor real. Entre os resultados citados estão renda, emprego, investimentos, fortalecimento de marcas, redução de custos e acesso a editais.
Por fim, Liu destaca que impacto bem estruturado cria ativos invisíveis. Entre eles estão reputação, confiança e rede, fatores que podem sustentar parcerias de longo prazo e novos modelos de financiamento. Afinal, o futuro dos negócios sustentáveis pode depender justamente dessa conexão entre criatividade, ciência e território?

Seja o primeiro a reagir!