Mudança na operação da Gang encerra uma fase marcante do varejo gaúcho, com lojas físicas exclusivas integradas à Pompéia e continuidade da marca no e-commerce, em movimento ligado aos novos hábitos de consumo do público jovem.
A Gang, uma das marcas mais tradicionais da moda jovem no Rio Grande do Sul, vai encerrar suas lojas físicas exclusivas no estado depois de cerca de cinco décadas de atuação no varejo gaúcho.
A decisão foi comunicada pelo Grupo Lins Ferrão, controlador da marca e também da rede Pompéia, e marca uma mudança profunda no formato de operação da empresa.
Com a reestruturação, os pontos próprios da Gang deixam de funcionar como lojas independentes e passam a ser integrados à estrutura da Pompéia, outra varejista do mesmo grupo.
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Segundo informações divulgadas pela companhia, a marca continuará ativa no comércio eletrônico e seguirá avaliando novos canais de venda.
A medida atinge uma rede que, conforme o site da Gang citado pelo portal Exclusivo, mantinha mais de 25 lojas físicas no Rio Grande do Sul.
A empresa, no entanto, não informou oficialmente quantos trabalhadores serão afetados, se haverá demissões ou se parte das equipes será absorvida pela operação da Pompéia.
Gang deixa lojas exclusivas após 50 anos no RS
Fundada em 1976, a Gang construiu sua trajetória ligada ao público jovem, com presença em ruas comerciais, shoppings e centros urbanos gaúchos.
Ao longo dos anos, a marca se tornou conhecida por coleções de jeans, básicos e peças inspiradas no street style, segmento que ajudou a consolidar sua identidade no varejo regional.
A empresa atravessou diferentes fases do consumo de moda no Sul do país, acompanhando gerações que passaram a reconhecer a Gang como uma referência local.
Esse vínculo com o público jovem foi mantido mesmo após a incorporação da marca ao Grupo Lins Ferrão, anunciada em 2013, quando a Pompéia comprou a rede e formou o grupo empresarial.
Agora, a operação deixa de se apoiar em lojas próprias para ganhar outro desenho comercial.
A Gang não desaparece como marca, mas perde o formato físico independente que a acompanhou durante boa parte de sua história e passa a ocupar espaços integrados dentro da Pompéia.
Clientes terão nova forma de acesso à Gang
Na prática, o consumidor que comprava em lojas exclusivas da Gang deverá encontrar os produtos da marca em ambientes vinculados à Pompéia ou pelos canais digitais.
O e-commerce segue ativo, de acordo com o comunicado do Grupo Lins Ferrão, enquanto a empresa avalia oportunidades para novos pontos e formatos de venda.
O grupo informou que a mudança foi definida após análise de dados e estudos complementares sobre o comportamento do consumidor.
Segundo a empresa, a Gang passa por uma alteração no formato de operação para acompanhar as transformações do mercado e os hábitos de compra do público atual.
A CEO do Grupo Lins Ferrão, Carmen Ferrão, afirmou ao portal Exclusivo que o cliente circula naturalmente entre o online e o offline.
Ela disse que a empresa está adequando a Gang a esse novo momento, com o objetivo de ampliar a presença da marca e criar uma jornada de compra mais integrada, fluida e conveniente.
Em outra declaração, Carmen afirmou que a integração das operações busca oferecer uma moda mais assertiva e uma entrega mais ágil.
A fala reforça a estratégia de aproximar canais físicos e digitais, sem manter a antiga estrutura de lojas próprias da Gang no Rio Grande do Sul.
Integração da Gang com a Pompéia reorganiza varejo
O Grupo Lins Ferrão reúne as marcas Gang e Pompéia e informa, em sua página institucional, que soma mais de 135 lojas e cerca de 3.500 colaboradores.
A Pompéia tem origem em Camaquã, no Rio Grande do Sul, e nasceu a partir de uma loja de vestuário masculino aberta em 1953.
A integração da Gang à Pompéia indica um movimento de aproveitamento da estrutura já existente do grupo.
Em vez de manter unidades exclusivas para duas marcas sob o mesmo controle, a companhia passa a concentrar a presença física em uma operação compartilhada, preservando a identidade comercial da Gang em outro modelo.
Esse tipo de reorganização tem relação direta com a mudança no comportamento de compra, especialmente entre consumidores mais jovens.
A empresa afirma que a Gang mantém seu posicionamento voltado ao público jovem, com foco em categorias que fazem parte da história da marca, como jeans, básicos e peças de inspiração urbana.
Apesar da manutenção da marca, a saída das lojas exclusivas altera a relação cotidiana da Gang com cidades onde ela esteve presente por anos.
Pontos tradicionais em ruas e shoppings deixam de funcionar no modelo conhecido pelos consumidores, ainda que os produtos possam continuar disponíveis por outros canais.
Impacto sobre empregos ainda não foi detalhado
O fechamento de mais de 25 pontos físicos levanta dúvidas sobre o impacto trabalhista da reestruturação.
Até o momento, porém, não há informação oficial sobre número de funcionários atingidos, eventuais desligamentos, transferências internas ou remanejamento de equipes para lojas da Pompéia.
Por isso, a afirmação de que a medida “ameaça centenas de empregos” não aparece confirmada nas informações públicas consultadas.
O dado pode refletir preocupação com a dimensão da rede fechada, mas não foi acompanhado de comunicado formal da empresa ou levantamento seguro sobre o número de postos envolvidos.
A falta de detalhamento impede estimar o efeito direto da decisão sobre trabalhadores da Gang.
Em casos de integração operacional, parte das equipes pode ser realocada, mas essa possibilidade não foi confirmada de forma ampla pelo Grupo Lins Ferrão nas fontes verificadas.
E-commerce mantém a marca ativa no mercado
Mesmo com o encerramento das lojas físicas exclusivas, a Gang continua existindo como marca.
O grupo informou que a operação digital será mantida e que a empresa seguirá avaliando canais e oportunidades para atender o público em formatos alinhados aos novos hábitos de consumo.
A mudança encerra uma etapa importante do varejo gaúcho, mas não representa o desaparecimento da Gang.
O que chega ao fim é a presença física independente da rede, substituída por uma estratégia integrada à Pompéia e reforçada pelo comércio eletrônico.
Essa transição também resume uma transformação mais ampla enfrentada por marcas tradicionais de moda.
O ponto de venda físico, antes centro da relação com o consumidor, passa a dividir espaço com canais digitais, logística mais rápida e modelos de compra menos dependentes de lojas exclusivas.
No caso da Gang, a decisão redesenha uma história iniciada nos anos 1970 e desloca a marca para uma operação mais enxuta dentro do próprio grupo controlador.
A partir de agora, sua permanência no mercado dependerá da capacidade de manter relevância entre consumidores jovens sem a mesma presença de vitrines próprias que marcou sua trajetória no Rio Grande do Sul.

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