A Tecnogera nasceu da compra de 15 geradores usados e evoluiu para soluções de segurança energética. Segundo o InfoMoney, Abraham Curi transformou revenda em locação, construiu frota com mais de 2 mil equipamentos e chegou a R$ 750 milhões de receita em 2025, com eletrificação ganhando peso no negócio nacional.
Os geradores que deram origem à Tecnogera apareceram em uma negociação fora do plano inicial de Abraham Curi. Ele havia ido a um centro logístico em busca de máquinas de suco de laranja usadas, mas encontrou 15 grupos geradores de energia sob uma lona e identificou ali uma oportunidade de mercado.
O caso foi relatado no podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney, em março de 2026. A partir da compra e revenda de equipamentos usados, a Tecnogera evoluiu para locação, segurança energética, soluções para setores críticos e uma nova frente de eletrificação de frotas.
Compra de geradores abriu a entrada no setor de energia
Antes da Tecnogera se consolidar como empresa de energia, Abraham Curi atuava com compra, reforma e revenda de equipamentos usados, especialmente máquinas de suco de laranja. Segundo o relato ao InfoMoney, ele procurava esse tipo de máquina em um centro logístico quando recebeu a oferta de 15 geradores usados.
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Cada equipamento foi oferecido por R$ 5 mil, totalizando R$ 75 mil. A máquina que ele pretendia comprar originalmente custava cerca de R$ 2 mil, o que mostra como a negociação mudou a escala da decisão empresarial naquele momento.
Antes de fechar a compra, Curi anotou dados técnicos dos equipamentos e buscou validar se havia compradores dispostos a pagar mais por aqueles geradores.
Segundo a reportagem, a pesquisa indicou possibilidade de revenda por R$ 15 mil cada unidade. A partir daí, a compra abriu caminho para dois movimentos: vender parte dos equipamentos e usar o restante como base para aprender o mercado de energia.
Revenda mostrou limite de escala do modelo inicial

Nos anos seguintes, Curi passou a comprar e vender grupos geradores em diferentes regiões do Brasil. O mercado tinha disponibilidade de equipamentos usados, em parte por causa da compra de geradores após a crise energética do início dos anos 2000.
Esse modelo era rentável, mas tinha limitação clara: dependia da oferta de máquinas usadas, da negociação pontual e da capacidade de encontrar equipamentos disponíveis no mercado. Ou seja, havia margem, mas não havia previsibilidade suficiente para escala maior.
Foi nessa leitura de escalabilidade que a Tecnogera começou a mudar de rota. A empresa deixou de olhar apenas para compra e venda de máquinas e passou a estruturar uma operação de locação.
A mudança foi estratégica porque deslocou o foco do equipamento para o serviço. Em vez de vender um gerador e encerrar a relação comercial, a empresa passou a oferecer disponibilidade de energia como solução contínua para clientes empresariais.
Tecnogera nasceu como fornecedora de segurança energética
A Tecnogera foi fundada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e passou a atuar como fornecedora de segurança energética. Segundo a transcrição, a virada ocorreu em 2008, quando a empresa deixou a compra e venda de equipamentos usados para focar em locação e soluções completas.
A lógica do negócio era ir além da entrega de uma máquina. Em vez de disputar apenas a locação de geradores, a empresa passou a vender ao cliente a segurança de não ficar sem energia em operações críticas.
Essa diferença de posicionamento ajudou a Tecnogera a se afastar da visão de simples locadora. O serviço passou a incluir equipamentos, acessórios, cabos, suporte e planejamento para reduzir risco de parada operacional.
O foco em segurança energética abriu espaço em setores como indústria, mineração, óleo e gás e outras áreas estratégicas, nas quais interrupções de energia podem gerar perdas, atrasos e risco operacional.
Frota passou de equipamentos usados para mais de 2 mil geradores
Com sede no ABC Paulista e presença nacional, a Tecnogera construiu uma frota com mais de 2 mil geradores, segundo o InfoMoney. A empresa desenvolve soluções para evitar paradas, reduzir perdas operacionais e garantir energia para setores estratégicos da economia brasileira.
O crescimento da frota mostra a mudança de escala. O que começou com 15 equipamentos usados evoluiu para uma estrutura nacional de locação, atendimento e suporte técnico.
Em negócios intensivos em capital, frota não é apenas estoque: é capacidade operacional. Cada equipamento precisa ser comprado, mantido, deslocado, instalado, monitorado e integrado ao contrato de serviço.
Por isso, a expansão da Tecnogera exigiu capital, governança e capacidade de gestão. A empresa saiu de uma operação inicial de revenda para um modelo que depende de ativos, logística, manutenção e relacionamento com grandes clientes.
Eficiência virou vantagem competitiva no primeiro ciclo
No primeiro ciclo de crescimento, a Tecnogera apostou em eficiência operacional e redução de consumo. Abraham Curi relatou que a empresa trabalhou com fabricantes de motores veiculares e montadores de grupos geradores para desenvolver máquinas mais eficientes.
Segundo ele, a solução buscava reduzir consumo específico de diesel em comparação com modelos usados no mercado. A proposta combinava locação, serviço e menor custo total para o cliente, considerando equipamento e combustível.
A vantagem competitiva não estava apenas no preço da locação, mas no custo total da energia entregue. Para clientes industriais, o consumo de combustível pesa diretamente na conta final.
Essa abordagem ajudou a empresa a ganhar mercado entre 2008 e 2014. Nesse período, a Tecnogera consolidou a oferta de segurança energética e avançou em projetos mais estruturados, especialmente no ambiente industrial.
Entrada de investidor ajudou a ampliar governança
Em 2015, a Tecnogera recebeu investimento do Pátria Investimentos. Segundo o relato de Curi, a entrada do sócio financeiro ocorreu em um momento em que a empresa já faturava cerca de R$ 90 milhões e precisava de capital para continuar crescendo.
A parceria também trouxe ganhos de governança, profissionalização e desenvolvimento corporativo. A empresa já vinha sendo preparada desde anos anteriores, com auditoria, organização tributária, controle de riscos e conselho consultivo.
Para uma empresa de energia intensiva em capital, crescer sem estrutura financeira adequada pode limitar a operação. A entrada de capital ajudou a ampliar a capacidade de expansão e a maturidade de gestão.
A parceria com o fundo durou de 2015 a 2020. Depois desse período, Curi recomprou a participação do sócio e iniciou uma nova fase estratégica, ligada à transição energética e à eletrificação de frotas.
Novo ciclo apostou em eletrificação de frotas
A partir de 2021, a Tecnogera iniciou um segundo ciclo de crescimento. A empresa passou a investir em equipamentos elétricos, especialmente plataformas elevatórias, aproveitando sua experiência anterior com infraestrutura energética e clientes corporativos.
A lógica era clara: se a dúvida do cliente na eletrificação é onde carregar e como garantir energia, a Tecnogera já tinha conhecimento em segurança energética. Isso criou uma ponte entre o negócio tradicional de geradores e a nova frente de equipamentos elétricos.
A eletrificação de frotas não substituiu imediatamente os geradores, mas passou a dividir espaço no portfólio. Segundo o relato, o negócio de segurança energética ainda representa 60% da receita, enquanto equipamentos 100% elétricos já respondem por 40%.
A companhia comprou 3 mil plataformas elevatórias em um primeiro ciclo de aquisição e viu a ocupação crescer nos anos seguintes. Segundo Curi, a Tecnogera se tornou a maior empresa da América Latina nesse equipamento 100% elétrico.
Receita chegou a R$ 750 milhões em 2025
Segundo a transcrição do episódio, a Tecnogera chegou a 2025 com receita de R$ 750 milhões, 20 filiais e 750 funcionários. A empresa também se posiciona como líder em segurança energética e vê potencial de crescimento na frente de eletrificação.
Esse resultado mostra a transformação do modelo ao longo de duas décadas. A empresa saiu da revenda de geradores usados, passou pela locação, consolidou segurança energética e entrou em equipamentos elétricos para frotas corporativas.
A trajetória da Tecnogera é, principalmente, um caso de reposicionamento de negócio. O ativo inicial foram geradores; o diferencial passou a ser serviço, eficiência, capilaridade, capital e adaptação à transição energética.
A companhia também já acessou o mercado de capitais por meio de debêntures e avalia novas alternativas de crescimento, incluindo dívida, equity, aquisições, fusões e eventual abertura de capital, conforme o desenvolvimento do mercado.
O que a Tecnogera mostra sobre o mercado de energia
O caso da Tecnogera mostra que o mercado de energia vai além da geração tradicional. Empresas que dependem de operação contínua precisam de segurança no fornecimento, redundância, equipamentos bem dimensionados e capacidade de resposta rápida.
Os geradores continuam relevantes em situações de segurança energética, mas a eletrificação cria novas frentes. Plataformas elevatórias elétricas, baterias de lítio e equipamentos sem diesel entram no portfólio de empresas que querem reduzir emissões e melhorar eficiência.
O ponto de virada está em combinar segurança energética com transição energética. A Tecnogera tenta ocupar justamente esse espaço: garantir operação para clientes críticos enquanto amplia soluções elétricas.
Você acha que empresas de energia devem acelerar a eletrificação de frotas ou os geradores ainda serão indispensáveis por muitos anos em setores estratégicos? Deixe sua opinião nos comentários e conte qual modelo parece mais importante para o Brasil: segurança imediata ou transição mais limpa.

