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Em vez de gastar com a retirada de toda a terra contaminada, Amsterdã colocou barcos aposentados sobre um antigo estaleiro e usou plantas para recuperar o solo industrial

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 02/07/2026 às 18:40 Atualizado em 02/07/2026 às 18:43
Estaleiros abandonados podem voltar à economia sem esconder o problema
Estaleiros abandonados podem voltar à economia sem esconder o problema
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O De Ceuvel une barcos reaproveitados, fitorremediação e solo contaminado, mostrando como um estaleiro industrial pode ganhar uso produtivo enquanto plantas ajudam a tratar a poluição com controle ambiental.

Barcos fora d’água, estruturas reaproveitadas e vegetação crescendo onde antes funcionava um estaleiro formaram um cenário incomum em Amsterdã. O projeto De Ceuvel colocou embarcações aposentadas sobre um solo contaminado e usou a fitorremediação para ajudar na recuperação da área industrial.

As informações foram divulgadas por DELVA Landscape Architecture, escritório de arquitetura paisagística responsável pelo projeto. A área ocupava o antigo estaleiro Ceuvel Volharding, no distrito portuário de Buiksloterham, e recebeu um parque de plantas capazes de extrair parte dos poluentes presentes na terra.

A solução não tratou a poluição como um problema escondido sob uma nova construção. O terreno passou a abrigar atividades produtivas enquanto a recuperação ambiental seguia um processo planejado, com limites de uso e necessidade de acompanhamento técnico.

O antigo estaleiro contaminado ganhou barcos reaproveitados e uma nova função

Em 2012, a cidade de Amsterdã e a organização Noordwaarts disponibilizaram o terreno por 10 anos para o plano escolhido. A proposta levou embarcações sem uso para a área e transformou os barcos em espaços destinados a empreendimentos criativos.

O antigo estaleiro contaminado ganhou barcos reaproveitados e uma nova função
O antigo estaleiro contaminado ganhou barcos reaproveitados e uma nova função

A ideia evitou que o estaleiro ficasse vazio até uma futura intervenção convencional. As embarcações foram instaladas sobre o terreno, permitindo que a área recebesse trabalho, pesquisa e atividades ligadas à inovação urbana.

O projeto também mostrou que recuperar uma área industrial não depende apenas de demolir, escavar e começar tudo outra vez. Em locais onde há poluição acumulada, o uso temporário pode dar uma função ao espaço enquanto a terra passa por tratamento.

Quando plantas entram no plano de recuperação do solo contaminado

A fitorremediação é uma técnica que usa plantas para retirar substâncias indesejadas do solo. Em palavras simples, as raízes ajudam a lidar com a poluição presente na terra, desde que as espécies escolhidas sejam adequadas ao tipo de contaminante existente.

No De Ceuvel, a vegetação foi plantada para atuar no terreno contaminado e formar um parque de limpeza ambiental. A escolha das plantas não teve apenas função visual, pois o objetivo era ajudar a reduzir a carga de poluentes enquanto a área permanecia em uso.

Esse processo exige tempo. Plantas não resolvem um problema ambiental em poucos dias, e a técnica não serve para qualquer área contaminada. O resultado depende do material presente no solo, da profundidade da poluição, das espécies utilizadas e do controle feito durante todo o trabalho.

O custo de remover toda a terra contaminada pode ser alto

A retirada completa da terra contaminada costuma exigir escavação, transporte e destinação adequada do material. Em vez de eliminar o problema no próprio local, a poluição pode apenas ser levada para outro ponto, onde ainda precisará de controle.

O De Ceuvel adotou uma alternativa para um terreno que aguardava um novo uso urbano. A proposta usou plantas para ajudar na recuperação da terra e reaproveitou barcos que já não tinham função na água.

Isso não significa que a retirada de solo deixou de ser necessária em todos os casos. Existem áreas onde a contaminação exige soluções mais complexas e intervenções diretas. A diferença está em avaliar o risco real antes de decidir se a terra precisa ser removida por completo.

Pesquisa e monitoramento definem o limite da fitorremediação

DELVA Landscape Architecture, escritório de arquitetura paisagística responsável pelo projeto, detalhou que o De Ceuvel serviu como área de testes para pesquisas sobre limpeza orgânica do solo e produção de biomassa, material vegetal que pode ser aproveitado para gerar energia.

O De Ceuvel une barcos reaproveitados, fitorremediação e solo contaminado
O De Ceuvel une barcos reaproveitados, fitorremediação e terra contaminada

A presença de plantas não elimina a necessidade de estudos ambientais. Antes de escolher essa técnica, é preciso identificar quais substâncias estão no terreno, verificar a profundidade da contaminação e entender se as espécies escolhidas conseguem atuar naquele ambiente.

O monitoramento acompanha a evolução do solo e mostra se a recuperação avança como previsto. Quando uma planta absorve poluentes, ela também precisa ser tratada com cuidado após a retirada, pois o material contaminado não pode simplesmente voltar ao ambiente.

Estaleiros abandonados podem voltar à economia sem esconder o problema

O caso de Amsterdã mostra uma possibilidade para áreas industriais que ficaram vazias depois do encerramento de antigas atividades. Em vez de manter o estaleiro isolado por muitos anos, o projeto criou uma ocupação temporária ligada ao trabalho e à pesquisa.

O ganho prático está em evitar que um terreno contaminado se transforme apenas em espaço abandonado. Barcos reaproveitados, vegetação e atividades produtivas passaram a dividir o mesmo local, cada parte com uma função definida.

A recuperação de um passivo ambiental, nome dado à poluição deixada por uma atividade antiga, não pode ser tratada como decoração urbana. O ponto central é reduzir riscos, acompanhar o solo e preparar a área para uma futura função que respeite as condições do terreno.

O projeto mostra que recuperar terra contaminada exige mais do que plantar árvores

O De Ceuvel não apresenta a fitorremediação como resposta simples para qualquer estaleiro ou fábrica desativada. A técnica funciona dentro de um plano que reúne análise do solo, seleção de plantas, reaproveitamento de estruturas e acompanhamento constante.

A experiência também reforça que áreas industriais abandonadas podem voltar a ter utilidade enquanto a recuperação ambiental acontece. A ocupação temporária não apaga a poluição, mas pode evitar que o problema fique escondido atrás de muros, entulho e abandono.

Em Amsterdã, barcos aposentados e plantas passaram a trabalhar no mesmo espaço: uns receberam atividades produtivas, outros ajudaram a tratar o solo contaminado. O resultado foi uma forma de recuperação urbana que uniu uso do terreno e responsabilidade ambiental.

Você acredita que antigas áreas industriais no Brasil poderiam voltar a ter uso enquanto passam por recuperação ambiental, sem esconder a poluição que ficou no solo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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