O Australia-Asia PowerLink, da Sun Cable, prevê gerar eletricidade solar no Território do Norte e enviá-la até Singapura depois de 2035
A Austrália quer transformar o sol forte do deserto em energia limpa para a Ásia. O plano parece futurista, mas já avançou em etapas oficiais. Estamos falando do Australia-Asia PowerLink, megaprojeto da Sun Cable estimado em US$ 35 bilhões.
A ideia é simples de explicar e difícil de executar. Primeiro, uma enorme fazenda solar será instalada em Powell Creek, no Território do Norte australiano. Depois, a eletricidade seguirá até Darwin. Em seguida, cruzará o mar por um cabo submarino de cerca de 4.300 km até Singapura.
O dado mais importante veio em 22 de outubro de 2024. A Energy Market Authority de Singapura concedeu aprovação condicional para importar 1,75 GW de eletricidade renovável da Austrália. A operação comercial está prevista para depois de 2035.
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Por que Singapura olha para o sol australiano
Singapura tem um problema conhecido. O país é pequeno, urbano e tem pouco espaço para grandes parques solares. Além disso, mais de 90% de sua eletricidade ainda depende do gás natural.
Portanto, importar energia solar da Austrália aparece como uma saída estratégica. Assim, Singapura pode diversificar sua matriz elétrica e reduzir emissões sem depender apenas de geração local.
Para quem vê de longe, a proposta parece exagerada. Porém, para Singapura, receber energia limpa por cabo pode ser tão importante quanto importar gás hoje.
Como a energia sairia do deserto e chegaria à Ásia
O coração do projeto fica em Powell Creek, uma região de forte incidência solar. Ali, a Sun Cable pretende gerar eletricidade em grande escala.
Depois disso, a energia seria levada por uma linha aérea de transmissão em corrente contínua de alta tensão, a tecnologia HVDC. Esse sistema é usado porque perde menos energia em longas distâncias.
Ao chegar a Darwin, a eletricidade entraria no sistema submarino. Então, os cabos seguiriam por águas da Indonésia até alcançar Singapura.
Além disso, o projeto prevê baterias de grande porte. Elas ajudariam a estabilizar o fornecimento quando não houver geração solar direta.
O cabo submarino que pode quebrar recordes
Aqui está o maior desafio técnico da história. Nenhum cabo submarino de energia com esse tamanho entrou em operação até hoje.
Com cerca de 4.300 km, o sistema seria o maior cabo submarino de energia do mundo. Por isso, a engenharia, o custo e a viabilidade ainda são pontos decisivos.
Segundo a Reuters, a aprovação permite que a Sun Cable avance na próxima fase do desenvolvimento. Ainda assim, o projeto depende de licenças, acordos e decisões comerciais.
O cronograma que define o futuro do projeto
A Sun Cable já enfrentou disputas entre investidores, reestruturação empresarial e dúvidas sobre viabilidade. Mesmo assim, o projeto voltou a andar sob controle ligado ao empresário Mike Cannon-Brookes.
A decisão final de investimento é esperada para 2027, conforme Reuters e Sun Cable. Antes de exportar energia para Singapura, o plano prevê entregar eletricidade para Darwin.
Se avançar, a Austrália poderá abrir uma nova rota global de energia limpa. Em vez de vender apenas carvão ou gás, poderá exportar eletricidade solar diretamente para países vizinhos.
No fim, o megaprojeto deixa uma pergunta estratégica. O futuro da energia limpa será feito por cabos submarinos gigantes ou por combustíveis verdes, como hidrogênio e amônia?
E você, acredita que a energia solar cruzando oceanos será comum nas próximas décadas?

