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Padaria da família não prosperou, mas revelou o problema que mudaria a vida de um engenheiro mineiro: fornos que devoravam energia; dessa dor nasceu a Prática, empresa que saiu de um galpão no Sul de Minas para faturar R$ 500 milhões

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Escrito por Carla Teles Publicado em 02/07/2026 às 19:33 Atualizado em 02/07/2026 às 19:35
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Fornos da Prática unem eficiência energética, food service e expansão global enquanto empresa mira IPO na Espanha. Imagem: Divulgação
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Segundo o InfoMoney, a Prática nasceu de fornos mais eficientes para padarias, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Fundada por André Rezende em 1991, a empresa de food service exporta para mais de 50 países, opera nos Estados Unidos e Alemanha e prepara aproximação com mercado de capitais espanhol.

Os fornos usados em padarias foram o ponto técnico que abriu caminho para a criação da Prática, fabricante mineira de equipamentos para food service. Antes da empresa ganhar escala, André Rezende identificou no alto consumo de energia desses equipamentos uma oportunidade para desenvolver soluções mais eficientes para panificação e cozinhas profissionais.

A informação foi relatada ao podcast Do Zero ao Topo e publicada pelo InfoMoney em 19 de junho de 2026. A Prática nasceu em 1991, em um pequeno galpão no Sul de Minas, e hoje exporta para mais de 50 países, com operação nos Estados Unidos, filial na Alemanha e planos ligados ao mercado de capitais europeu.

Padaria revelou problema técnico de mercado

Antes da Prática, André Rezende participou de uma operação familiar em Pouso Alegre que misturava padaria, loja de conveniência e lanchonete. O negócio não avançou como esperado, mas deixou um aprendizado de mercado: os equipamentos de panificação tinham consumo energético elevado.

Segundo Rezende, os fornos da época eram grandes consumidores de energia. A leitura empresarial foi transformar uma limitação operacional do setor em oportunidade técnica, desenvolvendo equipamentos mais eficientes para padarias, cozinhas industriais e operações de alimentação fora do lar.

Engenharia direcionou a primeira solução

fornos da Prática unem eficiência energética, food service e expansão global enquanto empresa mira IPO na Espanha.
Imagem:Divugalgação/Prática

Formado em engenharia, Rezende buscou um produto com mais tecnologia e valor agregado. A Prática começou com desenvolvimento de equipamentos para panificação, até chegar a um forno a gás bienergético, pensado para reduzir dependência do consumo elétrico em horários críticos.

A empresa nasceu em 1991 e passou seus primeiros anos testando protótipos, ajustando produtos e ouvindo clientes da própria região. O foco inicial não foi vender volume, mas encontrar um equipamento viável para uma demanda concreta do food service.

Eficiência energética virou diferencial competitivo

A preocupação com energia ganhou peso ainda maior no início dos anos 2000, durante o período de racionamento elétrico no Brasil. Naquele contexto, a Prática desenvolveu fornos capazes de alternar a fonte de calor, usando eletricidade ou gás conforme a necessidade.

Essa solução abriu espaço para programas de eficientização energética, inclusive com concessionárias como Cemig, Light, Eletropaulo e Cataguases Leopoldina, segundo o relato de Rezende. A economia de energia deixou de ser apenas argumento comercial e passou a integrar a estratégia tecnológica da empresa.

Produto deixou de ser visto como commodity

Para quem olha de fora, fornos podem parecer itens simples de cozinha profissional. Mas a Prática passou a tratar esses equipamentos como plataformas tecnológicas, com programação, conectividade, controle de preparo e soluções voltadas à operação de redes de alimentação.

Rezende citou equipamentos com milhares de linhas de programação, sistemas conectados e tecnologias usadas em fornos rápidos. No food service moderno, o equipamento precisa entregar velocidade, padronização, eficiência e controle em ambientes com grande volume de preparo.

Fornos rápidos ampliaram a presença em redes

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Entre os produtos destacados estão os speed ovens, ou fornos rápidos, que combinam ar quente em alta velocidade, radiação e micro-ondas. Segundo Rezende, esse tipo de equipamento é usado em lojas de conveniência, cafeterias e redes que precisam preparar alimentos em poucos segundos.

A empresa também incorporou recursos como catalisador interno, capaz de transformar gordura em água e gás carbônico, reduzindo necessidade de extração em alguns usos. Esse avanço amplia a aplicação dos equipamentos fora da cozinha tradicional, em pontos menores e operações de atendimento rápido.

Expansão começou com consolidação no Brasil

Antes da presença internacional mais forte, a Prática consolidou canais no mercado brasileiro. A empresa começou com clientes próximos, avançou por revendedores, representantes e vendas diretas, até alcançar liderança nacional no segmento em que atua.

Esse processo permitiu ampliar portfólio e ganhar massa crítica. A Prática passou a oferecer soluções para panificação, cozinhas profissionais, refrigeração e outros equipamentos ligados ao propósito de comida de qualidade sem desperdício, conforme descrito por Rezende no episódio.

América Latina abriu caminho para exportação

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A expansão internacional começou de forma mais consistente pela América Latina, com destaque para o Chile. Segundo Rezende, a empresa encontrou distribuidores estratégicos e passou a construir presença fora do Brasil antes de avançar para mercados maiores.

Hoje, segundo o InfoMoney, a Prática exporta para mais de 50 países. A internacionalização não ocorreu como movimento isolado, mas como consequência de uma visão de empresa de classe mundial, com produto, processo e gestão preparados para competir fora.

Estados Unidos exigiram presença local

O grande salto internacional veio com a entrada direta nos Estados Unidos, considerado por Rezende o maior mercado de food service do mundo. A Prática abriu operação própria em Dallas, no Texas, para competir localmente com empresas já estabelecidas.

Segundo o fundador, o desafio principal foi construir confiança em um mercado competitivo. A estratégia foi atuar como presença local, com distribuição, serviço e relacionamento. Para vender equipamentos profissionais, não basta exportar: é preciso garantir suporte, reposição e credibilidade operacional.

Alemanha reforçou disputa tecnológica

A Prática também abriu uma filial na Alemanha, país associado a alguns dos principais concorrentes globais do setor. Para a empresa, estar nesse mercado tem valor estratégico porque aproxima a marca de um polo tecnológico relevante para equipamentos industriais e food service.

Rezende afirmou ao InfoMoney que vê equipamentos da Prática em aeroportos e estações alemãs. O dado reforça a expansão internacional da companhia, mas sem transformar a presença externa em resultado consolidado definitivo em todos os mercados.

Mercado de capitais entrou na estratégia

A Prática já é listada na B3 desde a entrada do BNDESPar, que foi acionista entre 2013 e 2023. Segundo Rezende, a listagem trouxe disciplina, governança e melhores condições de acesso a crédito, apesar das exigências regulatórias.

Agora, a empresa busca aproximação com a Bolsa da Espanha, a BME, por enxergar no mercado europeu uma alternativa para competir em bases internacionais. A ideia inicial é atrair investidores qualificados antes de uma abertura mais ampla no futuro.

Receita mira meio bilhão e próximo ciclo

Segundo o InfoMoney, a Prática deve ultrapassar meio bilhão de reais em faturamento neste ano. Rezende também afirmou que a empresa tem capacidade de conquistar o primeiro bilhão, apoiada na expansão internacional e na ampliação de mercado.

A companhia tem aproximadamente 750 funcionários, segundo o relato no podcast. O crescimento passa por manter o Brasil como base relevante, enquanto mercados externos ganham peso na estratégia de longo prazo.

Caso mostra indústria brasileira com tecnologia aplicada

A trajetória da Prática mostra como uma indústria nacional pode nascer de uma demanda técnica específica e crescer com produto, engenharia, canais de venda e internacionalização. Os fornos foram o ponto de partida, mas o negócio avançou para uma plataforma mais ampla de food service.

O ponto central é uma leitura empresarial: alto consumo de energia, desenvolvimento de equipamento mais eficiente, consolidação nacional e expansão para mercados competitivos. Você acha que empresas brasileiras de tecnologia industrial conseguem disputar mais espaço fora do país? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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