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Cogumelos, cascas de laranja e resíduos agrícolas estão virando painéis de isolamento para construção, substituindo materiais convencionais por paredes cultivadas em vez de fabricadas

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 02/07/2026 às 14:51 Atualizado em 02/07/2026 às 14:53
Cogumelos, cascas de laranja e resíduos agrícolas estão virando painéis de isolamento para construção, substituindo materiais convencionais por paredes cultivadas em vez de fabricadas
Cogumelos, cascas de laranja e resíduos agrícolas estão virando painéis de isolamento para construção.
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Empresa britânica usa cogumelos, cascas de laranja e resíduos agrícolas para criar painéis de isolamento biodegradáveis para a construção civil.

A construção civil está entre os setores que mais consomem matérias-primas no planeta, enquanto toneladas de resíduos agrícolas e alimentares continuam sendo descartadas diariamente. No Reino Unido, uma empresa decidiu unir esses dois problemas em uma única solução: cultivar materiais de construção utilizando fungos, cascas de frutas e resíduos da indústria alimentícia.

A britânica Biohm desenvolveu painéis de isolamento feitos com micélio, a estrutura filamentosa que funciona como sistema radicular dos fungos, combinada com resíduos orgânicos provenientes da agricultura e da indústria de alimentos. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a tecnologia utiliza cascas de laranja, cascas de cacau, subprodutos agrícolas e outros materiais que normalmente seriam descartados, transformando-os em componentes para edifícios mais sustentáveis.

Micélio de cogumelos está sendo usado para criar painéis de isolamento biodegradáveis para casas e edifícios

Ao contrário dos materiais convencionais, produzidos em processos industriais intensivos em energia, os painéis desenvolvidos pela Biohm são literalmente cultivados.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, o micélio cresce sobre resíduos agrícolas e alimentares, formando uma rede natural capaz de unir partículas orgânicas sem necessidade de colas sintéticas ou derivados petroquímicos. Após atingir o formato desejado, o crescimento é interrompido por meio de um processo térmico, transformando o material em um produto estável e pronto para uso na construção civil.

O resultado é um painel de isolamento térmico produzido a partir de recursos renováveis, biodegradável e com potencial para substituir materiais tradicionais que apresentam elevada pegada de carbono.

Cascas de laranja, resíduos de cacau e subprodutos agrícolas deixam de ser lixo para virar matéria-prima da construção sustentável

A empresa também desenvolveu um material chamado ORB, sigla para Organic Refuse Biocompound. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o ORB é produzido com resíduos provenientes da agricultura e da indústria alimentícia, utilizando um ligante de origem vegetal para formar chapas que podem substituir painéis derivados da madeira. O produto é descrito pela empresa como 100% biodegradável e vegano, podendo ser moldado em diferentes formatos e aplicações.

Além de cascas de laranja, a Biohm afirma utilizar resíduos como cascas de cacau, subprodutos agrícolas e outras biomassas descartadas em larga escala. A proposta é criar uma cadeia produtiva baseada em economia circular, na qual o desperdício de um setor se transforma em matéria-prima de outro.

Construção civil enfrenta pressão crescente para reduzir emissões e reaproveitar resíduos

O interesse por biomateriais cresce em um momento em que a construção civil enfrenta desafios ambientais cada vez maiores. Segundo dados citados pelo AskNature, plataforma vinculada ao Biomimicry Institute, o Fórum Econômico Mundial estima que os resíduos gerados pela construção poderão alcançar 2,2 bilhões de toneladas anuais até 2025, enquanto aproximadamente um terço dos alimentos produzidos no planeta é desperdiçado.

Nesse cenário, materiais produzidos com fungos aparecem como alternativa para reduzir a dependência de insumos convencionais, diminuir o descarte de resíduos orgânicos e reduzir emissões associadas à fabricação de materiais industriais. Especialistas apontam que o potencial desses produtos vai além do isolamento térmico, podendo incluir chapas estruturais, revestimentos internos, mobiliário e aplicações arquitetônicas mais amplas.

Fungos podem ajudar a criar edifícios mais eficientes e com menor pegada de carbono

Outro diferencial do micélio é sua capacidade natural de crescimento. Segundo a Biohm, o fungo forma pequenas bolsas de ar durante seu desenvolvimento, característica que contribui para propriedades isolantes e para a regulação de umidade no ambiente construído. Alguns estudos também investigam o potencial desses materiais para sequestrar carbono durante sua fase produtiva, embora a quantificação desse benefício ainda dependa de análises específicas de ciclo de vida.

A empresa afirma ainda que seus materiais foram concebidos para integrar sistemas circulares, permitindo reaproveitamento ou biodegradação ao final da vida útil, reduzindo a geração de resíduos permanentes. Em vez de produzir placas de isolamento em fornos industriais alimentados por combustíveis fósseis, a proposta é utilizar organismos vivos para cultivar componentes capazes de crescer praticamente sozinhos.

Paredes cultivadas podem representar uma das mudanças mais radicais já vistas na indústria da construção

A ideia de construir casas usando fungos pode parecer ficção científica, mas já está deixando os laboratórios e chegando aos primeiros projetos comerciais. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a Biohm integra iniciativas internacionais voltadas à economia circular e ao desenvolvimento de materiais regenerativos, buscando provar que edifícios do futuro podem ser produzidos a partir de recursos considerados resíduos hoje.

Se durante décadas a construção civil dependeu de cimento, aço, concreto e derivados petroquímicos, uma nova geração de materiais começa a mostrar que parte das cidades do futuro talvez possa ser cultivada em vez de fabricada. A pergunta agora é outra: quantos dos resíduos produzidos diariamente pela agricultura e pela indústria alimentícia ainda podem se transformar em casas, escritórios e edifícios inteiros?

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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