Em programa de TV nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, Maduro ergueu boné do MST, misturou português e espanhol e pediu que brasileiros defendam a Venezuela, enquanto os EUA ampliam ataques contra o narcotráfico e o acusam de chefiar o cartel terrorista de Los Soles em operações no Caribe.
Em um programa de TV transmitido nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apareceu falando em portunhol, ergueu um boné do MST diante das câmeras e pediu que brasileiros saiam às ruas em defesa da luta pela paz e soberania do país.
De acordo com o portal UOL, o apelo ocorre enquanto, ontem, 4 de dezembro de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou novos ataques contra o narcotráfico no Caribe e no oceano Pacífico, operações usadas pela Casa Branca para sustentar a acusação de que Maduro comandaria um cartel de drogas classificado como organização terrorista.
Apelo em portunhol e boné do MST em rede de TV
Nas imagens do programa, Maduro recebe de um dos participantes um boné do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, símbolo do movimento brasileiro.
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Com o acessório nas mãos, ele passa a discursar, misturando português e espanhol diante do público na Venezuela.
Em tom de convocação, o presidente repete bordões como “a luta continua e a vitória nos pertence” e exalta, em voz alta, “a unidade do povo do Brasil” e “a unidade do povo venezuelano”.
Em determinado momento, ele pede que o povo do Brasil saia às ruas para apoiar a Venezuela e a luta pela paz com soberania, encerrando o trecho com um enfático “Viva o Brasil”.
Ataques dos EUA no Caribe e no Pacífico contra o narcotráfico
Na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, as Forças Armadas americanas informaram ter realizado mais um ataque no oceano Pacífico, contra embarcações que, segundo Washington, seriam operadas por uma organização terrorista responsável pelo transporte de drogas rumo ao território americano.
No total, mais de 80 pessoas já foram mortas e 23 embarcações foram alvo das operações, justificadas pelo governo Trump como uma forma de “cessar o fluxo de entorpecentes” que entra nos Estados Unidos.
As ações militares são apresentadas como parte de uma estratégia mais ampla de combate ao narcotráfico.
Desde agosto, o governo americano reforçou a presença dos Estados Unidos no mar do Caribe e no oceano Pacífico.
O objetivo declarado por Washington é combater o narcotráfico que circula pela região e atravessa fronteiras até chegar ao mercado consumidor norte-americano.
Casa Branca liga Maduro ao chamado Cartel de Los Soles
A Casa Branca afirma que Nicolás Maduro é líder do chamado Cartel de Los Soles, grupo que os Estados Unidos classificam como organização terrorista.
De acordo com o governo americano, essa estrutura criminosa estaria por trás do transporte de drogas em rotas que passam pelo Caribe e pelo Pacífico, afetando diretamente a segurança do país.
Já o governo da Venezuela chama a acusação de “ridícula” e sustenta que o grupo “nunca existiu”, reiterando que Maduro nega veementemente qualquer participação em um cartel.
Apesar da negativa, o tema segue no centro da disputa política e judicial entre Caracas e Washington.
Além das acusações contra o presidente, dois sobrinhos da esposa de Maduro já foram condenados por tráfico de cocaína em Nova York, nos Estados Unidos.
O caso é frequentemente citado por autoridades americanas para sustentar a narrativa de que o entorno familiar do líder da Venezuela estaria ligado ao narcotráfico internacional.
Acusações de roubo de combustível, garimpo e corrupção na Venezuela
Segundo a organização Insight Crime, o grupo apontado como Cartel de Los Soles é acusado de diversos delitos dentro da própria Venezuela.
Entre as principais atividades atribuídas ao cartel estão o roubo de combustível, o garimpo e diferentes esquemas de corrupção ligados ao tráfico de drogas.
Essas suspeitas se somam às operações militares dos Estados Unidos na região e aumentam a pressão internacional sobre o governo de Maduro e sobre a situação interna da Venezuela.
Reação de Maduro e impacto para Brasil e região
Ao erguer o boné do MST e falar em portunhol, Maduro reforça a ideia de solidariedade entre os povos da Venezuela e do Brasil, unindo o gesto simbólico ao discurso de unidade latino-americana.
O gesto sugere uma tentativa de transformar a disputa com os Estados Unidos em uma causa regional, com apelo direto a movimentos sociais e à opinião pública brasileira.
Ao mesmo tempo, a escalada militar americana no Caribe e no Pacífico e as acusações de terrorismo e narcotráfico mantêm a Venezuela no centro das tensões geopolíticas no continente, enquanto o país enfrenta graves desafios internos políticos, econômicos e sociais.
Diante desse cenário, você acha que o apelo de Maduro aos brasileiros pode influenciar a forma como o Brasil se posiciona em relação à Venezuela e às ações dos Estados Unidos?


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