A Eletrobras, empresa gigante do setor energético, foi privatizada no último ano e já anunciou planos de investimentos em hidrogênio verde, o combustível do futuro.
Em seu primeiro Investor Day realizado desde a privatização da empresa no último ano, a Eletrobras afirma estar interessada no mercado de hidrogênio verde, combustível do futuro essencial para a transição energética. A companhia enxerga que o Brasil possui vantagens competitivas para a produção desse combustível, e que o grande parque gerador de energia renovável da Eletrobras projeta a empresa como um potencial player relevante.
Alocação de capital será um desafio para a companhia
Em coletiva de imprensa, O CEO da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, destacou que a empresa está analisando atuar em novos mercados, como o de Hidrogênio Verde. Entretanto afirmou que a alocação de capital será um grande desafio para a companhia, visto que o número de oportunidades rentável no mercado é grande.
O executivo afirma que a Eletrobras deve ser muito focada e disciplinada para aproveitar as oportunidades. A XP Investimentos ressaltou este ponto entre todas as novidades trazidas pela Eletrobras aos investidores, afirmando que há uma chance da empresa se tornar um competitivo fornecedor de energia para a produção do combustível do futuro.
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Segundo as analistas Marcella Ungaretti e Luiza Aguiar, a demanda por Hidrogênio Verde está crescendo e os investimentos globais devem impulsionar a capacidade instalada. As analistas destacam ainda que a Eletrobras possui capacidade de usar sua escala para oferecer preços competitivos nesse mercado.
Obtido por meio da eletrólise da água utilizando fontes renováveis como solar, eólica, hídrica e biomassa com baixa emissão de carbono, o hidrogênio verde pode ter vários usos, como combustíveis, aço e fertilizantes. Com essas diversas possibilidades e possível contribuição com vários mercados, o hidrogênio verde é visto como um impulsor da descarbonização global.
Eletrobras continua investindo em fontes nucleares
Além da possível entrada no mercado do combustível do futuro, a Eletrobras informou na última semana, durante um evento para investidores, que o início de operação da planta foi prorrogado em mais um ano e agora está previsto para junho de 2029. Ainda que tenha sido privatizada, a Eletrobras continua sendo sócia da Eletronuclear e já realizou vários investimentos na construção de Angra 3.
A Eletrobras afirmou ainda que o novo orçamento da obra será definido ainda neste mês de julho. Já o valor da venda de energia gerada pela planta será anunciado até março do próximo ano, quando também será realizada a seleção da empresa EPCista para a finalização da construção.
Para lembrar, até então, estão sendo realizadas as obras do plano de aceleração do Caminho Crítico para adiantar os trabalhos em algumas partes da usina, como a conclusão da superestrutura de concreto do edifício do reator.
Com tecnologia alemã, Angra 3 deve gerar 12 milhões de MW por ano, energia suficiente para abastecer o consumo residencial de toda a região norte e de quase toda a região Centro-Oeste do país. A geração de Angra 1, 2 e 3 juntas deve equivaler a 60% do consumo de energia do estado do Rio de Janeiro.
Brasil recebe 13 bilhões de investimentos no mercado de hidrogênio verde
O primeiro projeto viável de hidrogênio verde no Brasil será do Rio Grande do Norte, que realizará investimentos de R$ 13 bilhões e promete reduzir cerca de 1 GW. O empreendimento será instalado no Vale do Assu, onshore, contando com energia eólica e energia solar, com 70% e 30% respectivamente.
Os investimentos para o projeto do combustível do futuro serão da Nordex Acciona, associada ao Vieira, grupo local que conta com uma longa história na área médica.
