Entre evaporação extrema, salinidade de 34% e risco de desaparecimento em quatro décadas, engenheiros apostam em dessalinização, energia hidrelétrica e cooperação internacional para reverter a crise hídrica no ponto mais baixo da Terra
O Mar Morto, localizado entre Israel, Jordânia e Palestina, enfrenta um declínio alarmante em seus níveis de água. Considerado o ponto mais baixo da Terra, a impressionantes 428 metros abaixo do nível do mar, esse lago hipersalgado corre o risco real de desaparecer nas próximas quatro décadas. O cenário preocupa cientistas, governos e investidores, pois a combinação entre evaporação intensa e uso humano da água vem acelerando uma crise ambiental sem precedentes no Oriente Médio.
A informação foi divulgada pelo canal “Construction Time”, que detalha o complexo projeto de engenharia para tentar salvar o lago milenar por meio da conexão com o Mar Vermelho, conforme destacado em análises técnicas recentes sobre o tema.
Por que o nível do Mar Morto está diminuindo tão rapidamente?
Primeiramente, a principal causa do encolhimento do Mar Morto é a redução drástica do fluxo do Rio Jordão, seu maior afluente. Ao longo das últimas décadas, países vizinhos desviaram grande parte da água para agricultura e consumo humano. Consequentemente, o lago deixou de ser reabastecido naturalmente em volume suficiente para compensar a evaporação extrema da região desértica.
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Além disso, a exploração mineral intensiva contribui para o problema. Empresas que extraem potássio e magnésio utilizam bacias de evaporação industrial, o que acelera ainda mais a perda de água. Como resultado direto, a orla do lago recua ano após ano.
Esse recuo, por sua vez, provoca o surgimento de milhares de sinkholes (buracos de subsidência). Esses buracos já destruíram estradas, hotéis e áreas turísticas, comprometendo a infraestrutura e afetando a economia local baseada no turismo de bem-estar.
Para compreender a dimensão desse ecossistema único e frágil, é fundamental observar seus indicadores técnicos:
- Salinidade: cerca de 34%, aproximadamente dez vezes superior à dos oceanos.
- Altitude: 428 metros abaixo do nível do mar, o ponto mais baixo da Terra.
- Biodiversidade: restrita a microrganismos extremófilos, capazes de sobreviver em ambientes altamente salinos.
Como funciona o projeto Canal dos Dois Mares?

Diante desse cenário crítico, surgiu o chamado Canal dos Dois Mares, um projeto ambicioso que pretende bombear água do Mar Vermelho até uma usina de dessalinização na cidade de Aqaba, na Jordânia.
Inicialmente, a água captada seria dessalinizada para abastecer populações locais. Em seguida, a salmoura, subproduto altamente salgado do processo, seria direcionada ao Mar Morto com o objetivo de elevar seu nível.
Além disso, o projeto aproveita o desnível natural de 428 metros para gerar energia hidrelétrica durante a queda da água. Dessa forma, parte do sistema poderia operar com apoio da própria diferença de altitude, tornando a solução mais eficiente do ponto de vista energético.
No entanto, misturar águas de mares diferentes não é uma decisão simples. Ambientalistas alertam que a introdução de água do Mar Vermelho pode alterar a composição química singular do Mar Morto. Consequentemente, existe o risco de proliferação de algas vermelhas e formação de cristais de gipsita, o que mudaria a coloração e a transparência das águas.
Para ilustrar a complexidade da operação, observe a comparação técnica entre as duas fontes de água:
| Fonte de Água | Salinidade Média | Densidade |
|---|---|---|
| Mar Vermelho | 4% | 1.025 kg/m³ |
| Mar Morto | 34% | 1.240 kg/m³ (corpo flutua facilmente) |
Portanto, a diferença de densidade e salinidade é significativa, o que exige estudos de impacto ambiental rigorosos antes de qualquer implementação definitiva.
Quanto custa salvar o ponto mais baixo da Terra?
O custo estimado para viabilizar o canal e as usinas de dessalinização ultrapassa US$ 2 bilhões. Além do alto investimento financeiro, o projeto depende de acordos diplomáticos delicados entre Israel, Jordânia e Palestina.
Por outro lado, defensores da iniciativa argumentam que o custo da inação pode ser ainda maior. Sem intervenção técnica e política coordenada, o Mar Morto continuará encolhendo, alterando permanentemente a geografia do Oriente Médio e afetando turismo, biodiversidade e economia regional.
Enquanto isso, especialistas ressaltam que a gestão sustentável do Rio Jordão é igualmente essencial. Sem recuperar o fluxo natural do afluente, qualquer solução pode se tornar apenas paliativa.
No Brasil, por exemplo, a gestão de recursos hídricos é monitorada pela Agência Nacional de Águas (ANA), que reforça a importância da preservação das bacias hidrográficas. Da mesma forma, no cenário internacional, o portal do Ministério das Relações Exteriores acompanha debates sobre cooperação ambiental entre nações.
O que o futuro reserva para o Mar Morto?
O destino do Mar Morto depende diretamente da combinação entre engenharia, diplomacia e sustentabilidade. Se o projeto Canal dos Dois Mares avançar com responsabilidade ambiental, ele pode representar um marco histórico na preservação de um patrimônio geológico milenar.
Entretanto, se os desafios políticos e ecológicos não forem superados, o lago poderá continuar encolhendo até atingir um ponto irreversível.
Afinal, estamos diante de uma das maiores experiências de engenharia hídrica do século e também de um teste crucial para a cooperação internacional em tempos de crise climática.
Você acredita que a engenharia pode realmente reverter o desaparecimento de um lago milenar ou a solução precisa começar pela redução do consumo de água na região?


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