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17 comentários 6 min de leitura

Ele largou a carreira em TI e construiu um ‘navio-vaca-marinha’ capaz de recolher até 2 toneladas de lixo por viagem, com sistema em funil rebocado, e agora quer criar serviço para retirar plástico das águas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 23/02/2026 às 21:52 Atualizado em 23/02/2026 às 21:54
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
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Iniciativa alemã aposta em embarcação modular para recolher plástico antes que resíduos se espalhem, com capacidade declarada de até duas toneladas por viagem e proposta de transformar a limpeza de rios e áreas costeiras em serviço contínuo, estruturado e integrado à reciclagem em terra.

Uma iniciativa alemã liderada pela organização One Earth – One Ocean aposta em embarcações desenhadas para recolher resíduos flutuantes antes que o plástico se fragmente e se espalhe, com um protótipo apelidado de Seekuh que é apresentado como capaz de retirar até duas toneladas por viagem.

Em vez de depender só de mutirões, o projeto defende transformar a limpeza de rios, canais e zonas costeiras em operação contínua, com logística e escala próximas às de um “serviço” de coleta, conectando a retirada na água à triagem e à destinação em terra.

Seekuh: como funciona o navio-vaca-marinha de coleta de plástico

O nome Seekuh, que em alemão significa “vaca-marinha”, passou a ser usado para identificar um catamarã de limpeza pensado para atuar onde o lixo se concentra na superfície, como manchas em áreas costeiras, entradas de baías e trechos de correnteza que funcionam como corredores de acúmulo.

Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.

O conceito ganhou visibilidade ao ser descrito pelo Bundespreis Ecodesign, prêmio alemão de design, que atribui ao equipamento a capacidade de recolher até duas toneladas de plástico por saída e registra que, na etapa atual, o material retirado é encaminhado para reciclagem em terra.

Embora o volume dependa de condições de operação e do tipo de resíduo encontrado, a repetição do número em materiais e reportagens indica o foco do projeto: retirar muito em pouco tempo, sempre mirando o que está na camada superior, mais sujeito ao vento e ao transporte para o mar aberto.

Günther Bonin e a origem da One Earth – One Ocean

À frente da iniciativa está Günther Bonin, citado por diferentes fontes institucionais como ex-empreendedor de tecnologia da informação que passou a dedicar o trabalho ao combate à poluição aquática, depois de experiências pessoais em navegações nas quais observou descarte e presença de resíduos no mar.

Bonin fundou a One Earth – One Ocean em 2011 e, desde então, a associação passou a apresentar uma estratégia de “maritime waste collection”, com embarcações de portes distintos para ambientes diferentes, como rios urbanos, lagos, estuários e áreas costeiras de baixa profundidade.

Uma reportagem da Deutschlandfunk Kultur descreve a Seekuh como uma estrutura de coleta montada em catamarã, com rede e armação posicionadas entre os cascos para capturar o lixo que flutua, funcionando como uma espécie de “pá” que recolhe o material e facilita a remoção.

Sistema em funil rebocado e capacidade de até 2 toneladas por viagem

Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.

Na descrição técnica divulgada pela própria organização, o catamarã tem cerca de 12 por 10 metros e carrega, entre os dois cascos, redes rebaixáveis com malha de 2,5 centímetros, projetadas para recolher resíduos até aproximadamente dois metros de profundidade, com prioridade para plástico na superfície.

A mesma página do projeto afirma que, atualmente, o sistema pode coletar até duas toneladas “por trip or network”, formulação que reforça o caráter operacional do equipamento e sugere adaptação do método conforme o local, o tipo de mancha de lixo e a estratégia de captura usada.

Além do catamarã em si, a iniciativa descreve um desenho de operação que depende de concentrar o lixo antes da captura, usando barreiras flutuantes para formar um “funil” que guia o resíduo até um ponto de recolhimento, reduzindo o espalhamento causado por vento e correnteza.

Quando a coleta acontece em áreas maiores, a lógica apresentada pelo projeto é trabalhar com estruturas rebocadas e apoio motorizado para conduzir a massa de resíduos até a região de captura, uma tentativa de tornar o processo menos dependente de ação pontual e mais próximo de rotina.

Estrutura modular e transporte em contêineres

Um dos pontos usados para justificar a expansão do conceito é a modularidade, já que a One Earth – One Ocean afirma que a Seekuh pode ser desmontada e armazenada em quatro contêineres de 40 pés, o que permitiria transportar a embarcação para operações em diferentes regiões.

Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.

O jornal marítimo THB também registra a exigência de que o catamarã fosse “zerlegbar”, isto é, desmontável, e relata que os módulos podem ser embalados para envio, ao mesmo tempo em que repete a capacidade de cerca de duas toneladas por viagem e descreve limitação de profundidade das redes.

Na prática, a própria organização já usou esse argumento em ações internacionais, como quando informou ter enviado a Seekuh para Hong Kong após desmontagem e transporte em contêineres, associando a operação à ideia de demonstrar o modelo a tomadores de decisão e parceiros locais.

Cadeia de embarcações: SeeHamster e SeeElefant

Dentro do portfólio, a ONG descreve embarcações menores, como o SeeHamster, apresentado como unidade compacta para águas interiores, e divulga que esses catamarãs foram usados como implementação prática inicial do conceito em 2012, com atuação em lagos e rios.

No extremo oposto, a organização apresenta o SeeElefant como navio de processo para ampliar escala de triagem e reaproveitamento, com material institucional que projeta capacidade anual elevada e menciona o objetivo de integrar etapas de coleta, classificação e processamento.

Esse desenho em “cadeia” tenta responder ao desafio logístico central: retirar lixo da água resolve apenas a primeira parte do problema, enquanto o passo seguinte envolve transporte, triagem e destinação, num cenário em que resíduos degradados, contaminados ou misturados podem perder valor e exigir soluções compatíveis com regras locais.

Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.
Navio-vaca-marinha alemão recolhe até 2 toneladas de plástico por viagem e propõe serviço contínuo de limpeza de rios e mares.

Limites da coleta e integração com gestão de resíduos

Ao apresentar a reciclagem em terra como etapa atual, o Bundespreis Ecodesign descreve também planos de, no futuro, processar plástico a bordo de navios maiores, tema que costuma aparecer junto do debate técnico e regulatório sobre emissões, eficiência e viabilidade industrial de rotas de conversão.

Por outro lado, mesmo quando a tecnologia de coleta funciona, a operação precisa lidar com segurança de navegação, manutenção e monitoramento, além de coordenação com autoridades, porque recolher resíduos em canais urbanos, estuários e áreas costeiras envolve tráfego de embarcações e variabilidade de correnteza.

Ainda assim, a força da proposta está na tentativa de tornar a limpeza mensurável e recorrente, usando números como “até duas toneladas por viagem” para dimensionar a capacidade de remoção e, ao mesmo tempo, evidenciar o tamanho da carga de lixo disponível em certos trechos.

Se o projeto tenta provar que dá para retirar plástico antes que ele se fragmente, a questão pública que fica é de governança: por que a coleta de resíduos flutuantes ainda raramente vira uma atividade permanente, com metas, orçamento e integração formal com a gestão de resíduos em terra?

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Guadalupe
Guadalupe
02/03/2026 19:32

Excelente idea, excelente iniciativa, pregunta que debe ser contestada por el estado, por todos los estados en las cumbres mundiales en que se reúnen.

Hernane
Hernane
01/03/2026 11:29

Ainda tem esperanças Para limpar o rio gande

Hernane
Hernane
01/03/2026 11:26

Que maravilha se ele fechar acordo com o presidente dá ÍNDIA para limpar o rio gande vai ficar bilionário.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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