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Três lingotes de chumbo de 70 kg do século XVII são achados empilhados no fundo do Mar do Norte durante investigação para o parque eólico Hornsea 3, a 120 km da costa de Norfolk

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 08/07/2026 às 18:48 Atualizado em 08/07/2026 às 18:50
Três lingotes de chumbo de 70 kg do século XVII são achados empilhados no fundo do Mar do Norte durante investigação para o parque eólico Hornsea 3, a 120 km da costa de Norfolk
Imagem: Ilustração artística
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Encontrados a 40 metros de profundidade no Mar do Norte, artefatos de 70 kg podem revelar detalhes sobre rotas comerciais entre Inglaterra e Países Baixos no século XVII

Três raros lingotes de chumbo do século XVII foram recuperados de um naufrágio histórico encontrado durante investigações no fundo do mar para o parque eólico offshore Hornsea 3, no sul do Mar do Norte. As peças, de cerca de 70 kg cada, estavam a 120 km da costa de Norfolk e ajudam a revelar rotas do comércio marítimo britânico.

Carga de chumbo estava empilhada no fundo do mar

Os três lingotes de chumbo foram encontrados em sua formação original, empilhados no fundo do mar, a 40 metros de profundidade. Pouco restou da embarcação de madeira, mas arqueólogos marítimos identificaram fragmentos sob a carga.

Esses vestígios confirmaram que havia ali um naufrágio até então desconhecido. A descoberta ocorreu durante levantamentos de rotina feitos antes das obras do parque eólico offshore Hornsea 3.

A investigação tinha como objetivo identificar possíveis munições não detonadas no fundo do mar. O trabalho foi conduzido por especialistas em arqueologia marinha da MSDS Marine, com apoio de equipes que operaram veículos remotamente controlados, os ROVs.

Três lingotes de chumbo de 70 kg do século XVII são achados empilhados no fundo do Mar do Norte durante investigação para o parque eólico Hornsea 3, a 120 km da costa de Norfolk
Crédito da imagem: MSDS Marine

Marcas nos lingotes de chumbo indicam possível ligação com navio mercante holandês

Cada lingote apresenta uma marca de fabricante diferente: “IS”, “EB” e “H”. Segundo os arqueólogos, essas marcas são semelhantes às encontradas em uma carga de chumbo recuperada do naufrágio do Kennemerland.

O Kennemerland era um navio da Companhia Holandesa das Índias Orientais, que afundou perto das Ilhas Shetland em 1664.

Pela semelhança das marcas, os pesquisadores acreditam que o naufrágio localizado em Hornsea 3 também pode ter sido de um navio mercante holandês.

A hipótese se soma ao local da descoberta. O naufrágio está em uma rota marítima histórica entre Hull e os Países Baixos, usada no comércio pelo Mar do Norte.

Chumbo pode ter saído de Derbyshire no século XVII

Os pesquisadores suspeitam que o chumbo tenha origem no Peak District e em Derbyshire, uma das regiões mais importantes da mineração de chumbo na Inglaterra durante o século XVII.

Na época, grandes quantidades de chumbo inglês eram exportadas por portos como Hull e Londres. O destino incluía centros comerciais relevantes, como Amsterdã e Roterdã.

Antes de os riscos à saúde ligados ao chumbo serem compreendidos, o metal era usado em encanamentos, construção civil, munições e outros produtos manufaturados. Transformar o material em lingotes facilitava o transporte como carga comercial.

Alison James, Diretora de Serviços de Patrimônio da MSDS Marine, descreveu a descoberta como “uma ligação direta com o passado”. Ela afirmou esperar que futuras análises confirmem se o chumbo foi extraído em Derbyshire antes de iniciar sua última viagem marítima.

Três lingotes de chumbo de 70 kg do século XVII são achados empilhados no fundo do Mar do Norte durante investigação para o parque eólico Hornsea 3, a 120 km da costa de Norfolk
Imagem: Reprodução

Achado foi preservado antes de ir para museu

Após os trabalhos de conservação, os artefatos foram transferidos para o Museu da Mineração de Chumbo do Peak District, em Matlock, Derbyshire. As peças serão exibidas ao público enquanto novas pesquisas investigam sua origem exata.

A Ørsted, empresa dinamarquesa de energias renováveis responsável pelo Hornsea 3, trabalhou com a MSDS Marine, a Historic England e a Maritime & Coastguard Agency para documentar, conservar e preservar os artefatos.

O naufrágio é apontado como uma das descobertas arqueológicas mais significativas feitas durante as investigações no sítio Hornsea 3, concluídas no ano passado. O anúncio ocorreu somente agora, após a conservação e a realocação da carga histórica.

O projeto Hornsea 3 deverá se tornar o maior parque eólico offshore do mundo quando concluído. O empreendimento, de 8,5 bilhões de libras esterlinas, deve gerar energia renovável suficiente para abastecer cerca de 3,3 milhões de residências no Reino Unido.

A descoberta ganha importância porque a área de desenvolvimento de Hornsea 3, no sul do Mar do Norte, tem relativamente poucos naufrágios conhecidos de navios de madeira anteriores ao século XVIII.

Esta matéria foi elaborada com base em informações de MSDS Marine, Ørsted, Historic England e Maritime & Coastguard Agency, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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