El Niño 2026 pode aumentar chuvas, granizo e tempestades no Sul do Brasil, elevando risco de enchentes, deslizamentos e prejuízos agrícolas.
Segundo a Epagri/Ciram e a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, em nota meteorológica conjunta publicada em 15 de abril de 2026, há 80% de probabilidade de formação do El Niño entre julho e agosto, com tendência de persistir ao longo da primavera e do verão. A atualização se baseia em dados do Climate Prediction Center da NOAA, órgão meteorológico dos Estados Unidos, e representa a avaliação mais recente disponível sobre o fenômeno.
O cenário é sustentado pelo aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial observado nos últimos meses. Ainda há incerteza quanto à intensidade final do evento, com cerca de 25% de chance de um El Niño muito forte, mas os impactos esperados para o Sul do Brasil seguem um padrão já conhecido: aumento das chuvas, maior frequência de frentes frias, tempestades severas com vendavais e granizo, além de risco elevado de enxurradas, inundações e deslizamentos.
Entenda o que é o El Niño e como o aquecimento do Pacífico altera o clima global
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global.
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Com o aumento da temperatura da superfície do mar, os ventos alísios enfraquecem, permitindo que águas quentes se desloquem para o Pacífico Central e Oriental. Esse processo modifica padrões de convecção, chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Diferença de impactos do El Niño entre Sul, Norte e Nordeste do Brasil explica extremos climáticos
No Brasil, o El Niño provoca efeitos distintos entre as regiões. No Norte e no Nordeste, tende a reduzir as chuvas devido à alteração dos padrões atmosféricos em altitude. Já no Sul, ocorre o efeito oposto: aumento da frequência de frentes frias, maior aporte de umidade e persistência de sistemas meteorológicos.
O resultado é um cenário de chuvas acima da média, especialmente durante a primavera e o verão, quando a região já apresenta maior volume pluviométrico. Eventos históricos mostram a recorrência de impactos severos associados ao El Niño.
Os episódios de 1982/1983, 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024 registraram enchentes, deslizamentos e prejuízos significativos na agricultura e na infraestrutura.
Em 2023, municípios do Paraná registraram volumes de chuva em um único dia superiores à média mensal. Em Dois Vizinhos, por exemplo, foram 296 mm em 24 horas, enquanto a média histórica de outubro é de 243 mm. Os prejuízos agrícolas no estado foram estimados em cerca de R$ 2,5 bilhões.
Formação de granizo está diretamente ligada a tempestades convectivas intensificadas pelo El Niño
O granizo é resultado de tempestades convectivas intensas, que se desenvolvem em nuvens de grande extensão vertical.
Para sua formação, são necessárias três condições principais: ar quente e úmido na superfície, ar frio em altitude e correntes ascendentes fortes.
O El Niño favorece esse ambiente ao aumentar a umidade e a instabilidade atmosférica, criando condições ideais para tempestades com granizo.
Paraná concentra maior frequência de granizo no Brasil devido à combinação de fatores climáticos e geográficos
O Paraná apresenta a maior frequência histórica de ocorrência de granizo no Brasil. Essa condição resulta da combinação de fatores como latitude subtropical, relevo de planalto e posição estratégica em relação às frentes frias vindas do sul. Durante eventos de El Niño, a frequência e intensidade dessas ocorrências tendem a aumentar.
Santa Catarina desenvolveu a Operação Primavera como estratégia de preparação para eventos climáticos extremos.
O programa envolve ações preventivas nos 295 municípios do estado, incluindo limpeza de rios, reforço de sistemas de drenagem, contenção de encostas e capacitação de equipes de resposta.
Em 2026, a operação inclui a realização do II Workshop El Niño, reunindo especialistas para atualização de estratégias e definição de protocolos de atuação.
Monitoramento meteorológico no Paraná utiliza rede avançada para prever tempestades e emitir alertas
O Paraná conta com o Simepar, sistema de monitoramento ambiental que opera uma das redes mais avançadas do país.
A estrutura inclui pluviômetros automáticos, câmeras de monitoramento e modelos de previsão de curto prazo, utilizados para emissão de alertas pela Defesa Civil. Esse sistema permite antecipar eventos extremos, como tempestades, ventos fortes e granizo.
Caso se confirme, o fenômeno deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026.
O pico é esperado entre a primavera e o início do verão, período naturalmente mais chuvoso no Sul do Brasil. A combinação de fatores aumenta o risco de eventos extremos concentrados em curtos períodos, potencializando enchentes e deslizamentos.
Setor agrícola enfrenta risco elevado com excesso de chuva durante plantio e colheita
O El Niño cria desafios específicos para o agronegócio. Chuvas acima da média podem beneficiar o plantio inicial, mas prejudicar a colheita, especialmente em culturas como trigo, cevada, soja e milho.
A concentração de precipitação em períodos curtos aumenta o risco de perdas produtivas. Um fator adicional para 2026 é o aquecimento do Oceano Atlântico.

Temperaturas mais altas aumentam a evaporação e a quantidade de vapor de água na atmosfera, fornecendo mais energia para tempestades. Esse cenário pode amplificar os efeitos tradicionais do El Niño.
Agora queremos saber: o Sul do Brasil está preparado para enfrentar um novo ciclo de eventos extremos em 2026?
O cenário projetado indica aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.
Na sua visão, os sistemas de monitoramento e prevenção atuais são suficientes para reduzir impactos ou o risco tende a crescer nos próximos anos?


Sou morador de Porto Alegre, mais um dos que perdeu tudo de material que tinhamos. E por aqui, apesar de não termos certeza se atingirá com grande magnitude no Rio Grande do Sul, estão sendo iniciadas obras “emergênciais” para melhorias como fechamento de acessos da água dos rios da região, em prazo curto com termino próximo a setembro.