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Mais de 2 mil toneladas de redes de pesca descartadas desde 2020 foram desviadas para uma indústria que transforma plástico usado em bonés, nadadeiras e peças feitas para durar

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 05/07/2026 às 22:18 Atualizado em 05/07/2026 às 22:22
A reciclagem de redes de pesca reaproveita um plástico que perdeu sua função no barco
A reciclagem de redes de pesca reaproveita um plástico que perdeu sua função no barco
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A reciclagem de redes de pesca reaproveita um plástico que perdeu sua função no barco, reduz o risco de descarte no mar e transforma o material em plástico reciclado rastreável para bonés, roupas e equipamentos esportivos após etapas de coleta, triagem, limpeza e moagem.

Mais de 2 mil toneladas de redes de pesca descartadas desde 2020 foram desviadas para uma indústria que transforma esse plástico usado em bonés, nadadeiras e outros produtos. A mudança depende de uma cadeia que começa perto dos barcos e termina em fábricas capazes de reaproveitar um resíduo difícil de tratar.

As informações foram divulgadas por Patagonia, empresa de roupas e equipamentos para atividades ao ar livre. O material chamado NetPlus usa redes de pesca recicladas e permite acompanhar a origem do plástico até a fabricação de novos produtos.

A rede que sai do barco e entra na indústria

Quando uma rede rasga ou perde a condição de uso, ela deixa de servir à pesca, mas ainda carrega plástico que pode ser reaproveitado. O problema aparece quando esse material fica sem destino e pode acabar em aterros ou no ambiente marinho.

A rede que sai do barco e entra na indústria
A rede que sai do barco e entra na indústria

A reciclagem de redes de pesca cria uma rota diferente. Em vez de tratar a rede como simples descarte, a cadeia industrial separa o material e prepara o plástico para uma nova função.

Esse reaproveitamento reduz a necessidade de usar plástico novo em parte dos produtos fabricados. Também mantém um resíduo de uso pesado fora de uma rota de descarte inadequada.

Por que a reciclagem de redes de pesca exige mais cuidado

As redes chegam à coleta com sujeira, desgaste e partes que precisam ser avaliadas. Por isso, esse plástico não pode seguir direto para a fábrica sem passar por um preparo.

A primeira etapa é a triagem, que separa o material que pode ser aproveitado. Depois vem a limpeza, necessária para retirar resíduos acumulados durante o uso no mar.

Em seguida, ocorre a moagem, processo que reduz as redes a pedaços menores. Só então o plástico pode avançar para a transformação em matéria prima reciclada.

Como funciona a cadeia de coleta das redes de pesca

A Bureo mantém um programa de coleta que começou na América do Sul e chegou a oito países. A rede usada é recolhida em comunidades de pesca antes de seguir para as etapas de tratamento.

Quando uma rede rasga ou perde a condição de uso, ela deixa de servir à pesca, mas ainda carrega plástico que pode ser reaproveitado.
Quando uma rede rasga ou perde a condição de uso, ela deixa de servir à pesca, mas ainda carrega plástico que pode ser reaproveitado.

A coleta é uma parte decisiva da reciclagem de plástico. Sem um ponto organizado para entregar redes velhas, o material pode continuar sem destino definido após sair dos barcos.

Depois da triagem, da limpeza e da moagem, as redes passam a integrar o NetPlus. O nome identifica um material produzido a partir de redes descartadas e usado para criar novos itens.

Do plástico usado aos bonés, nadadeiras e roupas

Patagonia, empresa de roupas e equipamentos para atividades ao ar livre, trouxe os números centrais dessa cadeia: mais de 2 mil toneladas de redes foram recolhidas e reaproveitadas desde o início do uso do NetPlus, em 2020.

O material reciclado aparece em abas de bonés, jaquetas, óculos, nadadeiras para pranchas de surfe e até jogos. Uma rede que já não serve para pescar pode, assim, retornar ao mercado com outra função.

Parte do plástico também pode virar fio para roupas. Essa transformação exige trabalho com parceiros da cadeia de fabricação para alcançar um material adequado ao uso em peças de vestuário.

Rastreabilidade mostra a origem, mas não elimina impactos

O NetPlus é descrito como plástico rastreável, expressão usada quando a origem do material pode ser acompanhada. Isso ajuda a mostrar que a matéria prima veio de redes de pesca descartadas, e não de plástico novo.

Mais de 2 mil toneladas de redes de pesca descartadas desde 2020 foram desviadas para uma indústria que transforma esse plástico usado em bonés, nadadeiras e outros produtos.
Mais de 2 mil toneladas de redes de pesca descartadas desde 2020 foram desviadas para uma indústria que transforma esse plástico usado em bonés, nadadeiras e outros produtos.

A rastreabilidade, porém, não elimina todos os impactos. A coleta, o transporte, a limpeza, a moagem e a fabricação ainda exigem organização, energia e estrutura industrial.

O ganho está em aproveitar um resíduo já existente e reduzir parte da demanda por plástico novo. A reciclagem de redes de pesca depende de coleta contínua e de fábricas capazes de manter o material dentro de uma cadeia controlada.

A transformação de redes de pesca descartadas em plástico reciclado mostra que a solução começa bem antes da loja. O caminho passa por pescadores, pontos de coleta e processos industriais que devolvem utilidade a um material que poderia permanecer sem uma rota de reaproveitamento.

Mais do que criar bonés e nadadeiras, essa cadeia tenta reduzir a chance de redes velhas ficarem no ambiente marinho ou em aterros. O resultado depende da qualidade da coleta e de informações claras sobre a origem do material.

Você compraria um produto se pudesse acompanhar uma rede de pesca desde o barco até a loja? Comente e compartilhe esta publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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