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Drones jogarão sementes do céu nos Emirados Árabes para tentar plantar 100 milhões de manguezais até 2030: máquinas voadoras carregam até 6 mil sementes por voo, disparam mudas na lama das marés e transformam o litoral de Abu Dhabi em uma muralha verde contra carbono, calor e avanço do mar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/06/2026 às 16:14
Atualizado em 05/06/2026 às 16:21
Assista o vídeoEmirados usam drones para lançar sementes de mangue em Abu Dhabi e acelerar meta de 100 milhões de árvores até 2030.
Drones jogarão sementes do céu nos Emirados Árabes para tentar plantar 100 milhões de manguezais até 2030
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Emirados usam drones para lançar sementes de mangue em Abu Dhabi e acelerar meta de 100 milhões de árvores até 2030.

Em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, drones adaptados estão lançando sementes de mangue sobre áreas costeiras de maré para acelerar uma meta ambiental de escala gigantesca: plantar 100 milhões de manguezais até 2030. A iniciativa faz parte da Abu Dhabi Mangrove Initiative, vinculada à Environment Agency Abu Dhabi, e está conectada ao compromisso anunciado pelo Ministério da Mudança Climática e Meio Ambiente dos Emirados durante a COP26, realizada em Glasgow, em 2021.

A cena parece improvável em um país marcado pelo deserto: máquinas voadoras cruzam o litoral carregando milhares de sementes de Avicennia marina, espécie de mangue comum na região, e disparam esse material diretamente na lama das marés. Segundo a Abu Dhabi Mangrove Initiative, cada drone pode transportar até 6 mil sementes, enquanto mais de 6 milhões de sementes foram distribuídas por drones somente em 2023.

Drones viram plantadores voadores em Abu Dhabi e lançam sementes de mangue na faixa onde o mar encontra o deserto

A operação funciona como uma semeadura aérea de precisão. Antes do lançamento, áreas costeiras são analisadas para identificar bancos de lama com condições adequadas de fixação, germinação e crescimento.

Depois, os drones sobrevoam esses trechos e lançam as sementes diretamente no sedimento úmido, onde a influência da maré cria o ambiente necessário para o mangue se desenvolver.

O sistema foi criado para acelerar uma tarefa que, no método tradicional, exige equipes trabalhando em regiões alagadas, instáveis e difíceis de acessar. Com drones, a distribuição cobre áreas maiores em menos tempo, reduz a necessidade de deslocamento humano sobre ecossistemas sensíveis e amplia a escala da restauração costeira.

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A primeira fase em grande escala ganhou destaque em janeiro de 2023, quando a Environment Agency Abu Dhabi anunciou o plantio de 1 milhão de sementes de mangue usando drones em áreas próximas a Al Mirfa, na região de Al Dhafra. A ação marcou a entrada da tecnologia aérea no plano de expansão dos manguezais do emirado.

A meta de 100 milhões de manguezais até 2030 nasceu na COP26 e ampliou um plano ambiental que antes era de 30 milhões

O número mais forte do projeto foi anunciado oficialmente em novembro de 2021, durante a COP26. Na conferência climática, os Emirados Árabes Unidos ampliaram sua meta anterior de 30 milhões para 100 milhões de manguezais plantados até 2030, em uma tentativa de reforçar soluções baseadas na natureza contra mudanças climáticas.

A meta não se limita a uma campanha simbólica de plantio. O governo emiradense apresenta os manguezais como parte de uma estratégia de mitigação climática, proteção costeira e expansão de ecossistemas de carbono azul.

A lógica é transformar árvores costeiras em uma infraestrutura natural capaz de capturar carbono e proteger áreas vulneráveis.

Segundo informações oficiais do Ministério da Mudança Climática e Meio Ambiente dos Emirados, a expansão dos manguezais pode elevar a cobertura desse ecossistema para 483 quilômetros quadrados e aumentar a captura anual para aproximadamente 115 mil toneladas de dióxido de carbono. Esse dado dá dimensão climática à operação e explica por que o país passou a tratar o mangue como ativo estratégico.

A chuva verde dos Emirados acontece no litoral, onde manguezais conseguem sobreviver à salinidade e às marés

Embora a imagem dos drones sobre um país desértico seja forte, o plantio não ocorre no meio das dunas. Manguezais dependem de áreas costeiras, água salgada ou salobra, sedimentos úmidos e influência das marés.

Por isso, os drones atuam em trechos litorâneos de Abu Dhabi, onde o encontro entre o mar e a terra cria as condições adequadas para a germinação.

Emirados usam drones para lançar sementes de mangue em Abu Dhabi e acelerar meta de 100 milhões de árvores até 2030.
Restaurando manguezais com drones

Esse contraste torna a operação ainda mais visual. Em vez de uma floresta convencional surgindo no deserto interior, o projeto tenta ampliar uma muralha verde costeira em uma região marcada por calor extremo, urbanização acelerada e infraestrutura litorânea sensível ao avanço do mar e à erosão.

A espécie utilizada, Avicennia marina, também conhecida como mangue-cinzento, é adaptada a ambientes salinos e aparece como uma das espécies mais importantes dos manguezais emiradenses. Suas raízes ajudam a estabilizar sedimentos, reduzir a força das ondas e criar abrigo para organismos marinhos em áreas de transição entre terra e água.

O drone que carrega até 6 mil sementes transforma uma tarefa lenta em uma operação de escala industrial

O dado técnico que sustenta a escala da iniciativa está na capacidade dos drones. Cada equipamento pode carregar até 6 mil sementes, o que permite distribuir grande volume de material vegetal em áreas onde o trabalho manual seria mais lento, caro e difícil. A tecnologia reduz o tempo de operação e amplia a cobertura das áreas selecionadas.

Em 2023, mais de 6 milhões de sementes foram distribuídas com drones especialmente adaptados. O sistema não apenas despeja sementes de forma aleatória. Ele segue áreas mapeadas, evita trechos inadequados e busca reproduzir padrões naturais de dispersão, aumentando as chances de estabelecimento das futuras árvores.

Emirados usam drones para lançar sementes de mangue em Abu Dhabi e acelerar meta de 100 milhões de árvores até 2030.
Drones jogarão sementes do céu nos Emirados Árabes para tentar plantar 100 milhões de manguezais até 2030

Esse tipo de plantio também reduz a interferência física em áreas sensíveis. Em ecossistemas de lama, raízes e marés, pisoteio, trilhas e deslocamento de equipes podem alterar o sedimento. Ao lançar sementes pelo ar, a operação tenta restaurar o ambiente sem pressionar excessivamente o próprio ecossistema que pretende recuperar.

Manguezais funcionam como muralha natural contra carbono, erosão, calor extremo e avanço do mar

Manguezais são considerados ecossistemas estratégicos porque combinam várias funções ambientais ao mesmo tempo. Eles armazenam carbono na biomassa e no solo, ajudam a conter erosão, reduzem a força das ondas e criam habitats para peixes, crustáceos, aves e outras espécies costeiras.

Nos Emirados, esse papel ganha peso porque boa parte da infraestrutura urbana e econômica está concentrada no litoral. Abu Dhabi e Dubai cresceram com portos, ilhas artificiais, áreas turísticas, zonas industriais e bairros costeiros, o que torna a proteção natural das margens um tema relevante para as próximas décadas.

O conceito de carbono azul aparece nesse cenário. Ele se refere ao carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos, como manguezais, pradarias marinhas e marismas. Ao ampliar manguezais, os Emirados tentam fortalecer uma solução natural que captura carbono e, ao mesmo tempo, ajuda a proteger a costa contra impactos físicos.

Depois da COP28 em Dubai, os manguezais ganharam ainda mais força como símbolo climático dos Emirados

A agenda dos manguezais ganhou visibilidade adicional depois da COP28, realizada em Dubai entre novembro e dezembro de 2023. Em abril de 2024, a Environment Agency Abu Dhabi anunciou o plantio de 850 mil manguezais ao longo de áreas costeiras do emirado dentro da iniciativa Ghars Al Emarat.

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A iniciativa previa o plantio de 10 manguezais para cada visitante da COP28, reforçando a ligação entre eventos climáticos globais e ações locais de restauração. A agência também informou uso de métodos inovadores, incluindo semeadura por drones, para ampliar a recuperação de áreas costeiras.

Esse movimento consolidou os manguezais como um dos símbolos ambientais mais fortes dos Emirados. A árvore que cresce na lama da maré passou a ocupar espaço em uma narrativa nacional sobre clima, proteção costeira, tecnologia e compromissos internacionais.

A operação depende da sobrevivência das sementes depois que elas caem do céu

O lançamento aéreo acelera a distribuição, mas não transforma automaticamente cada semente em árvore. Depois que o material chega ao sedimento, começa a etapa mais difícil: germinar, criar raízes, resistir à salinidade, suportar a variação das marés e sobreviver ao calor intenso da região.

Por isso, o mapeamento das áreas é decisivo. Os drones não atuam em qualquer ponto do litoral. Eles são direcionados para trechos onde a combinação de lama, maré e posição costeira oferece maior possibilidade de crescimento, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da restauração.

O resultado final será medido ao longo dos anos, conforme as sementes se transformarem em mudas e depois em árvores capazes de formar manguezais funcionais. A tecnologia acelera o começo da floresta, mas a consolidação depende do comportamento do ecossistema.

Abu Dhabi tenta fazer do céu o caminho mais improvável para uma nova muralha verde

A ambição dos Emirados é transformar milhões de sementes lançadas em áreas costeiras em uma floresta viva com função climática e proteção física.

Se o plano avançar como previsto, os manguezais poderão ampliar a captura de carbono, reduzir erosão e fortalecer a defesa natural do litoral em um país fortemente exposto ao calor e à pressão costeira.

O contraste é o que torna o projeto tão marcante. Em uma região conhecida por dunas, arranha-céus e megaprojetos urbanos, drones estão sendo usados para espalhar sementes sobre a lama das marés e tentar construir uma muralha verde de longo prazo.

No limite entre o deserto e o mar, Abu Dhabi aposta em uma cena rara: uma floresta costeira que começa no céu, cai em forma de semente e pode se transformar em uma das maiores vitrines ambientais dos Emirados até 2030.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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