Black Friday explicada: origem polêmica, fraude no Brasil e por que o mundo inteiro espera esse dia
A Black Friday é hoje um dos eventos mais aguardados do varejo mundial, sinônimo de filas nas lojas, carrinhos virtuais lotados e bilhões em faturamento. No entanto, a história da data começa longe do glamour do consumo. Seu nome nasceu de uma crise financeira nos Estados Unidos no século XIX e, ao longo de mais de 150 anos, foi ressignificado até se tornar o feriado comercial que inaugura a temporada de compras de fim de ano.
A Black Friday acontece sempre na última sexta-feira de novembro, um dia após o feriado de Ação de Graças. O evento, que nasceu nos Estados Unidos, transformou-se em um fenômeno global, sendo adotado por países da América Latina, Europa e Ásia. No Brasil, ela se consolidou como uma das datas mais importantes do varejo, impulsionando o comércio físico e o e-commerce e movimentando bilhões em poucos dias.
De crise financeira a tradição popular

A primeira vez que a expressão “Black Friday” foi usada ocorreu em 24 de setembro de 1869, durante uma crise provocada pela manipulação do mercado do ouro por dois investidores americanos, Jay Gould e James Fisk.
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A especulação levou a uma queda brusca nos preços, falências em série e perdas generalizadas um dia que entrou para a história como uma sexta-feira negra.
Mais de meio século depois, o termo ressurgiu em outro contexto.
Na Filadélfia, nos anos 1960, policiais usaram “Black Friday” para descrever o caos urbano e o trânsito intenso que se formavam no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, quando multidões invadiam o centro da cidade para aproveitar liquidações.
O termo ganhou força popular e passou a ser adotado por comerciantes locais.
Quando o vermelho virou preto
Nos anos 1980, o varejo americano ressignificou a expressão com um viés positivo. Tradicionalmente, lojistas registravam prejuízo (“no vermelho”) durante boa parte do ano, e a sexta-feira após o feriado marcava o início da fase de lucros (“no preto”).
O nome Black Friday passou então a simbolizar prosperidade, movimento e consumo em alta, consolidando-se como o ponto de virada para o comércio de fim de ano.
A partir da década de 1990, o evento se espalhou por todo o território americano e se transformou em um ritual nacional de consumo, com descontos agressivos em eletrônicos, moda, eletrodomésticos e automóveis.
O crescimento foi impulsionado pela cultura de filas e acampamentos em frente às lojas, imagens que se tornaram icônicas no imaginário do consumidor.
A chegada da Black Friday ao Brasil
A Black Friday chegou ao Brasil em 2010, inicialmente com foco em vendas online.
O sucesso veio acompanhado de desconfiança: consumidores denunciaram práticas enganosas, como aumento prévio de preços para simular grandes descontos o fenômeno ficou conhecido como “Black Fraude”.
Com o tempo, a fiscalização de órgãos de defesa do consumidor e o amadurecimento do e-commerce profissionalizaram o evento.
Hoje, a Black Friday brasileira movimenta bilhões de reais, abrange lojas físicas e digitais e se estende por semanas, dando origem à “Black Week” e até à “Black November”.
Além dos descontos, a data se tornou um laboratório de estratégias logísticas e tecnológicas, com o uso de big data, inteligência artificial e monitoramento de preços em tempo real para garantir competitividade e transparência.
Do caos financeiro à cultura global de consumo
O que começou como um colapso econômico no século XIX se transformou em um dos maiores fenômenos comerciais do século XXI.
A Black Friday ultrapassou fronteiras e adaptou-se a diferentes culturas, tornando-se um símbolo do poder do consumo globalizado.
Hoje, o evento é celebrado em mais de 20 países, movimenta trilhões de dólares e influencia o comportamento de milhões de consumidores.
Seu impacto vai além do varejo: afeta cadeias de suprimento, políticas de precificação e até o calendário fiscal de empresas.
Você acha que a Black Friday ainda representa boas oportunidades de compra ou se tornou apenas um símbolo do consumo exagerado?

