Sistema criado em Nebraska combina canos subterrâneos, cobertura de policarbonato e circulação de ar para manter uma estufa produtiva em pleno inverno, usando a temperatura estável do solo como aliada para cultivar frutas cítricas, verduras e flores durante todo o ano.
Em Alliance, no oeste de Nebraska, uma estufa criada por um carteiro aposentado mostrou que é possível cultivar cítricos, verduras e flores durante todo o ano mesmo em uma região conhecida por neve, vento e frio intenso.
Batizada de Greenhouse in the Snow, a solução usa tubos enterrados a cerca de 2,4 metros para aproveitar a temperatura mais estável do solo, o que reduz a dependência de aquecimento convencional em períodos de inverno rigoroso.
Por trás da ideia está Russ Finch, ex-funcionário do serviço postal dos Estados Unidos, que transformou testes práticos em um modelo comercial baseado em geotermia rasa e voltado ao cultivo protegido em regiões frias.
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Segundo o Nebraska Business Development Center, ligado à Universidade de Nebraska em Omaha, a empresa associada ao projeto vendeu mais de 700 kits, com peças fabricadas em Alliance pela Antioch Machine, parceira da iniciativa.
Embora a lógica pareça simples, o funcionamento exige planejamento técnico, porque o desempenho depende da profundidade dos tubos, da circulação do ar, da vedação da estrutura e da adaptação às condições climáticas locais.
Como a estufa usa o calor do solo em Nebraska

Enquanto a superfície enfrenta temperaturas negativas, o subsolo mantém uma condição térmica mais constante em determinada profundidade, criando uma fonte natural de equilíbrio para o ambiente interno da estufa.
No modelo descrito pela instituição, o sistema utiliza a temperatura natural da terra a 8 pés, o equivalente a aproximadamente 2,4 metros, onde o solo fica em torno de 52 graus Fahrenheit, cerca de 11 graus Celsius.
Antes de entrar na estufa, o ar circula por canos instalados sob a terra, percurso que ajuda a amenizar o frio no inverno e também contribui para reduzir o calor durante os meses mais quentes.
Com essa combinação de tubos subterrâneos, cobertura de policarbonato e circulação forçada, a estrutura mantém condições mais favoráveis para plantas que normalmente não seriam associadas ao inverno de Nebraska.
O contraste chamou atenção porque Finch conseguiu cultivar laranjas, limões, outras frutas, vegetais e flores em uma paisagem marcada por baixas temperaturas e neve acumulada em parte do ano.
A busca pelo sistema começou quando Finch procurava uma forma natural de aquecer sua casa, mas os testes evoluíram para uma estufa capaz de usar energia geotérmica rasa no controle térmico.
De experiência caseira a negócio de estufas geotérmicas
A passagem da experiência doméstica para um produto comercial ocorreu depois que Finch procurou Allen Bright, dono da Antioch Machine, para fabricar componentes usados na construção das estufas.
A parceria começou em 2010, e Bright passou a cuidar da fabricação, das vendas, da entrega dos kits e das visitas às unidades demonstrativas mantidas em sua propriedade.
Nos kits vendidos pela Greenhouse in the Snow, o comprador recebe estrutura, cobertura de policarbonato e instruções detalhadas para montagem, mantendo o mesmo princípio de circulação subterrânea do ar.

O modelo citado pelo centro de desenvolvimento tem 17 pés de largura, cerca de 5,2 metros, e pode ser produzido em comprimentos diferentes, conforme o terreno e a necessidade de cultivo.
De acordo com a empresa, Finch aperfeiçoou o conceito ao longo de 35 anos, até consolidar um desenho que passou a ser vendido comercialmente a partir de 2013.
A página oficial da Greenhouse in the Snow também registra que Finch morreu em novembro de 2024, depois de se tornar o nome associado à criação e ao desenho do sistema.
Reconhecimento do projeto sustentável nos Estados Unidos
O projeto ganhou projeção ao unir uma solução de engenharia simples a um desafio comum em regiões frias: manter produção agrícola protegida durante todo o ano sem elevar excessivamente os custos de energia.
Além do apelo visual da neve do lado de fora e das plantas cítricas no interior, a estufa virou exemplo prático de como a geotermia rasa pode ser aplicada em pequenas estruturas agrícolas.
Finch e Bright receberam orientação do Nebraska Business Development Center em pesquisa, análise de concorrência, planejamento do negócio e melhorias no site, apoio que ajudou a estruturar a operação comercial.
Em 2014, a Greenhouse in the Snow foi nomeada Negócio Sustentável do Ano pelo centro, e no ano seguinte recebeu reconhecimento da Small Business Administration no distrito congressional III de Nebraska.
Construída na casa de Finch, a estufa original permaneceu por mais de duas décadas como demonstração da tecnologia, atraindo interessados em agricultura protegida e soluções de baixo consumo energético.
Em dezembro de 2022, porém, a estrutura foi destruída pelo peso da neve acumulada, segundo a página oficial da empresa, que afirma ter usado a experiência para seguir desenvolvendo o negócio.
Expansão da Greenhouse in the Snow fora dos EUA
Mesmo após a perda da unidade original, a Greenhouse in the Snow manteve a operação por meio da fabricação dos kits e das estufas demonstrativas ligadas a Allen Bright.
Fora dos Estados Unidos, a empresa informa ter licenciado o produto na Europa em janeiro de 2020, com atuação associada à região da Bretanha, na França.
No Canadá, o sistema também passou a ser fabricado sob licença a partir de 2020, segundo a divisão canadense da marca, ampliando a presença comercial do projeto em mercados frios.
A mesma fonte canadense afirma que há estufas em produção nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, embora apresente número superior ao dado de mais de 700 unidades citado por fontes anteriores.
Como as contagens disponíveis aparecem em páginas comerciais diferentes, a formulação mais segura mantém o dado de “mais de 700 kits”, confirmado pelo Nebraska Business Development Center e pela própria Greenhouse in the Snow.
Instalação exige planejamento técnico e adaptação ao clima
Nenhuma estufa desse tipo funciona apenas por enterrar canos no solo, já que o resultado depende de instalação correta, escolha de materiais, vedação eficiente e dimensionamento da circulação de ar.
Também pesam no desempenho o clima local, a profundidade dos tubos, a qualidade da construção e o equilíbrio entre entrada de luz, isolamento térmico e renovação do ar.
Ainda assim, o princípio central permanece direto: usar a estabilidade térmica da terra para ajudar a controlar a temperatura de um ambiente de cultivo em áreas onde o inverno costuma limitar a produção.
A partir dessa lógica, Finch transformou canos enterrados, policarbonato e circulação de ar em um sistema capaz de levar laranjas, limões, vegetais e flores a uma paisagem marcada pelo inverno de Nebraska.


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