1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Os Estados Unidos acabam de fechar acordo inédito para usar lasers militares em solo americano — o plano é criar um domo de defesa que derruba drones à velocidade da luz e custa centavos por disparo
Faça um comentário 5 min de leitura

Os Estados Unidos acabam de fechar acordo inédito para usar lasers militares em solo americano — o plano é criar um domo de defesa que derruba drones à velocidade da luz e custa centavos por disparo

Foto de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 20/04/2026 às 18:45 Atualizado em 20/04/2026 às 18:49
Sistema de arma a laser de alta energia montado em veículo militar
Laser de 20 kW do sistema LOCUST já opera na fronteira EUA-México contra drones
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Os Estados Unidos acabam de fechar um acordo inédito com a aviação civil para usar lasers militares em solo americano — o objetivo é criar um domo de defesa que derruba drones à velocidade da luz e custa centavos por disparo

Em 13 de abril de 2026, a FAA — agência que controla o espaço aéreo dos Estados Unidos — anunciou um acordo histórico com o Departamento de Defesa. Pela primeira vez, lasers militares foram autorizados a operar regularmente dentro do espaço aéreo civil americano para derrubar drones não autorizados.

O acordo é o primeiro passo para o que o Pentágono chama de “Laser Dome” — um domo de defesa baseado em energia dirigida que pode proteger cidades, bases militares e infraestrutura crítica.

A decisão veio após dois incidentes na fronteira com o México em fevereiro de 2026, quando lasers militares foram usados contra drones e causaram fechamento imediato do espaço aéreo civil — expondo a necessidade urgente de regras claras para o uso dessa tecnologia.

Os incidentes na fronteira que aceleraram tudo

Em 11 de fevereiro de 2026, perto de Fort Bliss, em El Paso, Texas, agentes da Patrulha de Fronteira usaram um laser militar de 20 quilowatts — o sistema AMP-HEL, uma versão veicular do LOCUST, fabricado pela AeroVironment — contra um alvo não identificado.

O espaço aéreo foi fechado imediatamente.

Dezesseis dias depois, em 27 de fevereiro, militares perto de Fort Hancock neutralizaram um drone da própria Patrulha de Fronteira, causando outro fechamento.

Os dois incidentes expuseram um problema: lasers potentes o suficiente para derrubar drones também podem ser perigosos para aviões civis que passam por cima.

A FAA e o Pentágono precisavam de um acordo formal de segurança. E conseguiram em tempo recorde.

Míssil hipersônico cruzando o céu visto de instalação radar

Por que um laser é diferente de um míssil — e por que custa centavos

Sistemas de defesa tradicionais como o Patriot ou o Iron Dome disparam mísseis interceptadores. Cada míssil custa entre US$ 50 mil e US$ 3 milhões.

Contra drones que custam US$ 500 — ou até menos —, essa conta simplesmente não fecha. Um único míssil Patriot poderia pagar mil drones inimigos.

Um laser de alta energia viaja à velocidade da luz — 300 mil km por segundo. Não há tempo de reação do alvo. E cada disparo consome apenas energia elétrica, custando centavos.

Enquanto um sistema de mísseis tem munição finita, um laser pode disparar indefinidamente enquanto tiver eletricidade.

O sistema LOCUST, usado na fronteira, opera a 20 quilowatts. Ele vem montado em veículos militares e possui um mecanismo de desligamento automático que impede disparos quando aeronaves civis estão no caminho.

O que a FAA testou — e por que liberou

Antes de fechar o acordo, a FAA e a JIATF-401 — força-tarefa do Pentágono para contra-drones — realizaram testes no White Sands Missile Range, no Novo México.

As conclusões foram claras:

  • O mecanismo de desligamento automático do LOCUST impede disparos inseguros
  • O feixe de laser não causa danos catastróficos a aeronaves em alcance máximo
  • Em altitudes de cruzeiro, a energia do feixe é insuficiente para afetar aviões comerciais

Em outras palavras: o laser é mortal para drones a curta distância, mas inofensivo para aviões a quilômetros de altitude.

A FAA concluiu que o uso regular “não apresenta riscos indevidos a aeronaves de passageiros.”

Sistema de defesa antimíssil lançando interceptadores à noite

US$ 580 milhões para construir o “Laser Dome” americano

O acordo com a FAA é apenas o primeiro passo.

No orçamento fiscal de 2027, o Pentágono solicitou US$ 580 milhões em pesquisa e desenvolvimento para a JIATF-401, mais US$ 800 milhões potenciais em aquisições de sistemas de contra-drones.

O objetivo de longo prazo é criar uma rede de lasers capaz de proteger território americano contra ameaças aéreas — o chamado “Laser Dome”.

O plano se alinha ao programa “Golden Dome for America” do presidente Trump, que busca um escudo antimísseis doméstico impulsionado por tecnologias de energia dirigida.

Paralelamente, o Reino Unido anunciou em janeiro de 2026 planos para uma “tela de laser doméstica” com ofuscadores de baixa potência para proteger instalações militares e infraestrutura crítica — sinalizando que a corrida por defesa de energia dirigida é global, não apenas americana.

Vista aérea do Pentágono em Washington D.C.

De 20 quilowatts a megawatts: o caminho até derrubar mísseis

Os lasers atuais de 20 kW são eficazes contra drones pequenos. Mas para ameaças maiores — como mísseis de cruzeiro ou veículos hipersônicos —, a potência precisa aumentar dramaticamente.

Empresas americanas como a nLight estão desenvolvendo lasers de classe megawatt, capazes de derrubar mísseis balísticos.

A diferença de potência é equivalente a comparar uma lanterna com um holofote de estádio. Os 20 kW atuais queimam drones em segundos. Um megawatt poderia destruir um míssil voando a Mach 5.

Mas essa tecnologia ainda não está operacional. O arsenal atual de lasers militares dos EUA é limitado, e o Pentágono reconhece que a meta de implantação em escala pode levar três anos ou mais.

As limitações que ninguém pode ignorar

O entusiasmo com lasers de defesa tem contrapontos importantes.

Lasers são afetados por condições atmosféricas. Chuva, neblina e poeira reduzem sua eficácia. Em um país do tamanho dos EUA, garantir cobertura em todas as condições climáticas é um desafio enorme.

O acordo da FAA cobre apenas a fronteira terrestre. Usar lasers sobre áreas urbanas densas levanta questões de segurança muito mais complexas.

E enquanto os EUA avançam na defesa com lasers, adversários como China e Rússia investem em drones e mísseis cada vez mais rápidos, baratos e numerosos — uma corrida em que o volume de ameaças pode superar a capacidade de qualquer domo.

Porém, o acordo de 13 de abril marca um ponto de inflexão. Pela primeira vez, armas a laser foram integradas formalmente ao espaço aéreo civil de um país — abrindo caminho para uma nova era de defesa aérea que opera à velocidade da luz.

Se os EUA já liberam lasers para derrubar drones de US$ 500 na fronteira, quanto tempo até que essa tecnologia chegue a cidades inteiras — e a que custo para a privacidade?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x