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Doença bacteriana já atinge quase metade do cinturão citrícola brasileiro, provoca perdas de US$ 120 milhões por ano, deforma laranjas ainda verdes e ameaça o país que domina o suco de laranja mundial enquanto EUA e Europa dependem cada vez mais do Brasil

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 28/05/2026 às 14:25 Atualizado em 28/05/2026 às 14:33
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Greening avança sobre quase metade do cinturão citrícola do Brasil
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Greening avança sobre quase metade do cinturão citrícola do Brasil, derruba produtividade e ameaça o maior exportador mundial de suco de laranja.

A maior potência citrícola do planeta enfrenta uma crise silenciosa que já começou a deformar pomares inteiros no coração da produção brasileira. O greening, doença bacteriana considerada a mais destrutiva da citricultura mundial, já atingiu quase metade do cinturão citrícola do Brasil e está pressionando justamente o país que domina as exportações globais de suco de laranja.

Dados divulgados pelo Fundecitrus e publicados pela Reuters mostram que a infecção chegou a aproximadamente 48% das árvores do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, principal região produtora do país. O avanço ocorre em um momento em que Estados Unidos e Europa dependem cada vez mais da produção brasileira após sucessivas quebras de safra em outros países produtores.

Doença deixa frutas verdes, deformadas e inviáveis para o mercado

O greening, também chamado de HLB (Huanglongbing), é causado por bactérias transmitidas pelo psilídeo asiático dos citros, um pequeno inseto que espalha a doença entre as árvores.

Os efeitos são devastadores:

  • frutas ficam deformadas
  • parte da casca permanece verde mesmo madura
  • o sabor fica amargo
  • a produtividade despenca
  • as árvores começam a definhar
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Segundo informações compiladas pela Reuters e pelo Fundecitrus, a doença compromete tanto o consumo in natura quanto a produção industrial de suco.

Brasil domina o mercado global justamente quando a doença acelera

O problema ganhou dimensão internacional porque o Brasil ocupa posição crítica na cadeia global de laranja. O país é:

  • maior produtor de laranja do mundo
  • maior exportador global de suco de laranja
  • principal fornecedor para mercados como EUA e Europa

Segundo dados do USDA e do setor citrícola brasileiro, o Brasil responde por cerca de 70% do comércio global de suco de laranja em alguns anos de safra forte.

Isso significa que qualquer problema sanitário no cinturão citrícola brasileiro rapidamente afeta:

  • preços internacionais
  • indústrias de bebidas
  • supermercados
  • cadeias globais de alimentos

Quase metade do cinturão citrícola já apresenta infecção

O número que mais preocupa o setor é justamente a taxa de avanço da doença. Segundo levantamento do Fundecitrus divulgado em 2025:

  • o greening já atingiu quase 48% das árvores
  • a infecção cresce há oito anos consecutivos
  • algumas áreas apresentam níveis ainda mais críticos

A região afetada inclui:

  • interior de São Paulo
  • Triângulo Mineiro
  • sudoeste de Minas Gerais

que juntos formam o maior cinturão citrícola do planeta.

Produção brasileira caiu para um dos menores níveis em anos

Os impactos já começaram a aparecer nas safras. Segundo dados citados pela Reuters:

  • a safra 2024/2025 foi estimada em cerca de 230,9 milhões de caixas
  • o volume ficou entre os menores dos últimos anos
  • revisões posteriores reduziram projeções futuras

Mesmo com expectativa inicial de recuperação climática, o avanço do greening continuou derrubando produtividade.

Perdas já chegam a US$ 120 milhões por ano

O impacto econômico também se tornou enorme. Segundo dados citados pela Reuters com base na CropLife Latin America, o greening provoca perdas anuais próximas de US$ 120 milhões no Brasil.

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Os prejuízos incluem:

  • queda de produtividade
  • erradicação de árvores
  • controle químico do inseto vetor
  • replantio
  • aumento de custos operacionais

Além disso, produtores precisam monitorar constantemente os pomares para remover árvores contaminadas antes que a doença se espalhe ainda mais.

Estados Unidos também sofrem colapso citrícola causado pelo greening

O avanço da doença no Brasil preocupa ainda mais porque o mesmo problema devastou parte da produção da Flórida, nos Estados Unidos. Nas últimas décadas:

  • o greening reduziu drasticamente a produção americana
  • milhares de hectares foram perdidos
  • a produção de laranja da Flórida despencou

Isso aumentou ainda mais a dependência global do suco brasileiro.

Com menos oferta nos EUA e problemas climáticos recorrentes, o mercado internacional passou a depender fortemente do cinturão citrícola brasileiro justamente quando a doença acelera no país.

Clima brasileiro favorece sobrevivência da bactéria

Pesquisadores afirmam que as condições climáticas do Brasil ajudam a dificultar o controle do greening. Segundo o Fundecitrus:

  • temperaturas elevadas
  • presença constante do inseto vetor
  • vastas áreas plantadas
  • circulação intensa de mudas

favorecem a disseminação da doença. O combate exige:

  • inspeções frequentes
  • eliminação rápida de árvores infectadas
  • controle rigoroso do psilídeo
  • renovação constante dos pomares

Setor teme avanço contínuo nos próximos anos

Embora o Brasil ainda mantenha liderança mundial na produção de suco de laranja, o avanço contínuo da doença colocou o setor em alerta máximo.

O medo da indústria é que o país entre em trajetória semelhante à da Flórida, onde o greening destruiu boa parte da capacidade produtiva ao longo dos anos.

A preocupação cresce porque:

  • o consumo global continua alto
  • a oferta mundial diminuiu
  • o Brasil concentra enorme parcela do mercado

Isso transforma a saúde dos pomares brasileiros em questão estratégica para o abastecimento mundial de suco de laranja.

O maior produtor do planeta enfrenta sua maior ameaça biológica

O caso do greening mostra como uma bactéria microscópica conseguiu atingir o centro de uma das cadeias agrícolas mais importantes do planeta.

Hoje, quase metade do cinturão citrícola brasileiro já convive com a doença que deixa frutas verdes, deformadas e improdutivas.

E talvez o ponto mais impressionante seja justamente este: o país que sustenta boa parte do mercado global de suco de laranja entrou em uma corrida contra o tempo para impedir que a maior região citrícola do mundo siga o mesmo caminho de colapso visto em outras partes do planeta.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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