Dados oficiais reforçam o compromisso do governo federal com o desmatamento zero até 2030 e destacam avanços nos mecanismos de monitoramento ambiental
O desmatamento na Amazônia e no Cerrado apresentou redução de 11% entre agosto de 2024 e julho de 2025, conforme informações divulgadas em 30 de outubro de 2025 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Os dados têm base no levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Amazônia registra terceira menor taxa da história
Na Amazônia Legal, o desmatamento atingiu 5.796 km², número que representa uma queda de 11,08% em relação ao ciclo anterior.
Essa é a terceira menor taxa desde 1988, início da série histórica do projeto Prodes, do Inpe.
Segundo a ministra Marina Silva, a redução contínua comprova o compromisso do governo com o desmatamento zero até 2030.
Além disso, ela ressaltou que a agenda ambiental é prioritária e transversal no governo federal.
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De acordo com a ministra, esse avanço é essencial para que o Brasil alcance um desenvolvimento sustentável e fortaleça sua posição nas políticas climáticas globais.
Estados que mais contribuíram e reduções expressivas
Conforme os dados do Inpe, Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram 80% de todo o desmatamento na Amazônia Legal.
Entretanto, houve quedas expressivas em outros estados da região.
O Tocantins registrou uma redução de 62%, o Amapá apresentou queda de 42% e Roraima diminuiu 37%.
Já Rondônia teve 33% de redução, o Acre caiu 27%, o Maranhão apresentou 26% e o Amazonas fechou com 16,93%.
Mesmo com a melhora geral, o Mato Grosso teve alta de 25,05% no desmatamento.
O crescimento está diretamente relacionado aos incêndios florestais e à degradação progressiva das áreas de floresta.
Cerrado mantém tendência de redução após cinco anos de alta
O Cerrado também apresentou queda de 11,49%, totalizando 7.235 km² desmatados no período de análise.
Essa é a segunda redução consecutiva após cinco anos de aumento contínuo.
Conforme o Prodes, o maior desmatamento ocorreu na região do Matopiba — composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — que respondeu por 78% da devastação total do bioma.
O Maranhão concentrou 28% da área desmatada, seguido por Tocantins (21%), Piauí (19%) e Bahia (11%).
Segundo Marina Silva, esses resultados demonstram a eficácia das ações de monitoramento e fiscalização conduzidas em parceria com estados e municípios.
Avanços tecnológicos e monitoramento contínuo
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o progresso nos sistemas de monitoramento como fator essencial no combate ao desmatamento.
Ela afirmou que “os resultados não são obra do acaso, mas fruto da excelência técnica do Inpe e da precisão dos satélites que mapeiam o território nacional”.
O coordenador do Programa BiomasBR, Cláudio Almeida, alertou que, embora a redução seja positiva, o aumento da degradação por incêndios ameaça “levar a floresta ao colapso”.
Para ele, o controle das queimadas será determinante para garantir a recuperação dos ecossistemas e a continuidade da tendência de queda nas taxas de desmatamento.
Compromisso e perspectivas futuras
Segundo o MMA, os resultados reforçam o compromisso do governo brasileiro com a agenda ambiental internacional e com as metas de neutralidade climática.
As reduções também fortalecem a posição do país nas negociações climáticas globais, especialmente na preparação para a COP30, marcada para 2025 em Belém (PA).
Dessa forma, o Brasil avança para consolidar-se como referência mundial no combate ao desmatamento e na transição ecológica.
Mesmo assim, as autoridades destacam que a vigilância permanente e o uso intensivo de tecnologia serão decisivos para alcançar a meta de desmatamento zero até 2030.
