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Aos 72 anos e cansado de subir 5 andares sem elevador, engenheiro aposentado chinês gastou R$ 6 mil e um ano para construir um teleférico pessoal entre a janela e um poste; usou por 5 anos até ser mandado destruir

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 24/06/2026 às 20:45 Atualizado em 24/06/2026 às 20:48
Na China, um engenheiro aposentado de um prédio sem elevador gastou R$ 6 mil num teleférico caseiro; a invenção caseira funcionou 5 anos até ser destruída.
Na China, um engenheiro aposentado de um prédio sem elevador gastou R$ 6 mil num teleférico caseiro; a invenção caseira funcionou 5 anos até ser destruída.
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Em Huludao, no nordeste da China, Wang Rishang projetou, soldou e montou sozinho, em 2020, um teleférico caseiro que ligava a janela do quinto andar a um poste na rua. O engenheiro aposentado chegou a patentear a invenção e a usou por cinco anos, até as autoridades mandarem desmontar.

Cansado de encarar todos os dias cinco lances de escada para chegar em casa, um engenheiro aposentado chinês decidiu resolver o problema do jeito que sabia, com engenharia. Wang Rishang, de 72 anos, morador de Huludao, na província de Liaoning, construiu em 2020 um teleférico caseiro que saía direto da janela do seu apartamento no quinto andar e ia até um poste de luz na rua. Não era brincadeira: ele projetou, soldou e montou tudo sozinho. A história foi contada pelo South China Morning Post.

O que parecia uma solução genial teve um fim amargo. Depois de cinco anos usando o equipamento sem problemas, o caso viralizou na internet em 2025, e a fama trouxe junto a fiscalização. As autoridades de Huludao, ao lado do comitê de moradores, mandaram o idoso destruir a própria criação. A engenhosidade que o tirou do sufoco virou, no fim, motivo de ordem de demolição. É a reviravolta que faz essa história doer.

Cinco andares, nenhum elevador e a cabeça de um engenheiro

Um idoso chinês impressionou muitos ao construir um elevador para acessar seu apartamento no quinto andar, já que tinha dificuldades para subir as escadas. Foto: SCMP composite/Douyin
Um idoso chinês impressionou muitos ao construir um elevador para acessar seu apartamento no quinto andar, já que tinha dificuldades para subir as escadas. Foto: SCMP composite/Douyin

O ponto de partida é um drama silencioso de muita gente: morar num prédio sem elevador. Para um homem de mais de 70 anos, subir e descer cinco andares várias vezes por dia deixa de ser exercício e vira tortura. Joelhos, fôlego e coração cobram a conta. Foi essa rotina pesada que levou Wang Rishang a buscar uma saída.

A diferença é que Wang não era um morador qualquer. Como engenheiro aposentado, ele tinha o repertório técnico para transformar a queixa em projeto. Em vez de só reclamar do prédio sem elevador ou esperar uma reforma que talvez nunca viesse, ele decidiu construir o próprio meio de transporte vertical.

A China, vale lembrar, tem milhões de prédios antigos de poucos andares erguidos sem elevador, então o problema dele é o de uma multidão.

A ideia era ousada na medida certa: um teleférico caseiro, simples o bastante para ser feito em casa, mas funcional o suficiente para poupar as pernas todos os dias. O engenheiro aposentado mirou exatamente nesse equilíbrio entre o improviso e a engenharia de verdade.

Um ano de trabalho e 8 mil yuans

Este elevador compacto foi projetado para acomodar apenas uma cadeira, com um cabo que conecta a janela de Wang a um poste de luz situado na rua perto de seu prédio. Foto: Baidu
Este elevador compacto foi projetado para acomodar apenas uma cadeira, com um cabo que conecta a janela de Wang a um poste de luz situado na rua perto de seu prédio. Foto: Baidu

Tirar a ideia do papel não foi rápido. Wang dedicou cerca de um ano ao projeto, pesquisando na internet, estudando o funcionamento e comprando os materiais aos poucos.

O custo total ficou em 8 mil yuans, o equivalente a cerca de US$ 1.100, ou aproximadamente 6 mil reais. Para uma obra de engenharia particular, foi um orçamento modesto diante do resultado.

Todo o trabalho braçal saiu das mãos dele. Wang desenhou o sistema, soldou as peças e montou a estrutura inteira sozinho, sem contratar empresa nem equipe. Essa autoria total é parte do que tornou a invenção caseira tão admirada quando o caso veio a público: não foi um kit comprado pronto, foi conhecimento aplicado com as próprias mãos.

O teleférico caseiro acabou compacto, do tamanho de acomodar apenas uma cadeira. Um cabo ligava a janela da casa de Wang a um poste de iluminação na rua, perto do bloco residencial.

Era o suficiente para o que ele queria: substituir a escadaria cansativa por uma viagem curta e sentada até a altura de casa.

Como funcionava o teleférico caseiro

O princípio era o mesmo de um teleférico de montanha, só que em escala doméstica. A cadeira presa ao cabo subia e descia entre a rua e a janela do quinto andar, vencendo a altura que antes exigia dezenas de degraus. Em vez de enfrentar a escada, o engenheiro aposentado se acomodava e fazia o trajeto pelo ar.

A seriedade do projeto fica clara num detalhe que pouca gente esperaria de uma invenção caseira: Wang chegou a registrar uma patente. Em outubro de 2020, ele obteve o reconhecimento da Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China para o seu sistema.

Ou seja, não era uma geringonça qualquer, era uma solução considerada original o suficiente para virar patente oficial.

Por cinco anos, o teleférico caseiro cumpriu o papel sem incidentes relatados. Wang usou o equipamento no dia a dia como quem usa um elevador, transformando a frustração de morar num prédio sem elevador numa rotina resolvida. Funcionou, e funcionou por um bom tempo, o que torna o desfecho ainda mais frustrante.

Cinco anos depois, a ordem de destruir

A virada veio justamente do sucesso. Quando vídeos do teleférico caseiro caíram na rede em 2025, a criação de Wang encantou internautas e ganhou alcance nacional.

Mas a mesma visibilidade que rendeu elogios chamou a atenção da fiscalização. As autoridades locais de Huludao, em conjunto com o comitê de moradores, passaram a pressionar o idoso a desmontar o equipamento.

O motivo apontado tem base legal. Segundo a reportagem do portal Nestia, o sistema montado por Wang não atendia à Lei de Segurança de Equipamentos Especiais da China, que regula justamente máquinas como elevadores, teleféricos de passageiros e grandes brinquedos de parque.

Pela norma, uma estrutura desse tipo, ainda mais ancorada num poste público, não poderia operar sem certificação.

Aí está o nó da história. Do ponto de vista da lei, a preocupação com segurança tem lógica, porque um cabo rompido a essa altura seria fatal. Mas do ponto de vista humano, fica a sensação de injustiça: um engenheiro aposentado resolveu sozinho um problema que o poder público não resolveu para ele, usou a solução por cinco anos sem acidente, e ainda assim foi obrigado a destruí-la. A invenção caseira esbarrou na regra que existe para proteger justamente quem a usa.

A engenhosidade que a regra não previu

O caso viralizou porque toca num ponto sensível. De um lado, há a admiração óbvia pela engenhosidade de um senhor de 72 anos capaz de construir e patentear o próprio teleférico caseiro.

De outro, há a frustração de ver esse esforço ser desfeito por uma canetada. Os internautas se dividiram entre aplaudir o engenheiro e questionar a falta de uma alternativa oferecida pelas autoridades.

A pergunta que fica no ar é incômoda. Se o equipamento era irregular, qual era a opção de Wang? Voltar a subir cinco andares de escada aos 72 anos?

O episódio expõe um vácuo: a norma proíbe a gambiarra, mas ninguém apareceu com a solução oficial para o prédio sem elevador onde ele mora. A invenção caseira foi condenada, e o problema original continuou de pé.

Esse tipo de impasse é o que separa as histórias de invenção caseira que só divertem daquelas que fazem pensar. A de Wang faz pensar. Ela mostra a genialidade individual batendo de frente com a burocracia, e deixa claro que engenhosidade, sozinha, nem sempre vence a falta de política pública.

O problema real: envelhecer num prédio sem elevador

Por trás da curiosidade, existe uma questão séria e cada vez maior. Populações estão envelhecendo no mundo inteiro, e boa parte dos idosos vive em prédios antigos sem elevador, erguidos numa época em que ninguém pensava em acessibilidade. Para essas pessoas, cada andar é uma barreira diária, e o caso de Wang Rishang na China é só a versão mais criativa de um drama comum.

No Brasil, a cena é familiar. Milhões de brasileiros moram em prédios de três, quatro ou cinco andares sem elevador, e os mais velhos sentem na pele o peso da escada.

A diferença é que nem todo mundo é engenheiro aposentado com tempo, dinheiro e talento para erguer um teleférico caseiro. Para a maioria, a saída acaba sendo se isolar em casa ou depender da ajuda alheia.

É por isso que a engenhosidade de Wang vai além da curiosidade viral. Ela acende um alerta sobre acessibilidade e moradia para a terceira idade, um tema que tende a crescer à medida que a população envelhece. A invenção caseira dele pode ter sido proibida, mas o problema que ela tentou resolver não vai desaparecer tão cedo.

A história de Wang Rishang mistura admiração e revolta na mesma dose. Um engenheiro aposentado que transforma a frustração de um prédio sem elevador num teleférico caseiro funcional, patenteado, usado por cinco anos, e que no fim é obrigado a destruir tudo. A engenhosidade venceu o desafio físico, mas perdeu para a regra.

E você, acha que as autoridades deveriam ter ajudado Wang a regularizar o equipamento em vez de mandar destruir? Ou a segurança fala mais alto nesse caso? Conta aqui nos comentários o que você faria se morasse no quinto andar de um prédio sem elevador.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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