Pirenópolis, fundada em 1727 a 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília, preserva centro histórico tombado desde 1990, realiza Festa do Divino com 30 mil pessoas ao ano e reúne mais de 80 cachoeiras na Serra dos Pireneus
A cidade histórica de Pirenópolis reúne legado iniciado em 1727, centro tombado pelo IPHAN desde 1990, Festa do Divino com público de 30 mil pessoas por ano e mais de 80 cachoeiras catalogadas, consolidando-se como destino cultural e natural a 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília.
Encravada na Serra dos Pireneus, às margens do Rio das Almas, Pirenópolis mantém ruas de quartzito e construções coloniais que remetem ao ciclo do ouro.
O município surgiu como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, fundado por garimpeiros liderados por Manoel Rodrigues Tomás.
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Origem no ciclo do ouro e nascimento da imprensa no Centro-Oeste
O ouro impulsionou o crescimento inicial, financiando igrejas e a urbanização do arraial. Com o declínio das jazidas, a cidade encontrou novo protagonismo no século XIX, quando o comendador Joaquim Alves de Oliveira decidiu investir em comunicação.
Em 1830, ele adquiriu uma tipografia no Rio de Janeiro e transportou um prelo francês em lombo de mula até a então Meia Ponte. Assim surgiu o Matutina Meyapontense, primeiro jornal de Goiás e de todo o Centro-Oeste.
Foram publicadas 526 edições em quatro anos, período em que apenas 5% dos goianos sabiam ler. O episódio consolidou o título de Berço da Imprensa Goiana, marco histórico associado até hoje a Pirenópolis.
Festa do Divino mobiliza 30 mil pessoas e é patrimônio cultural na cidade
A Festa do Divino Espírito Santo ocorre desde 1819, sempre 50 dias após a Páscoa, com duração de quase 30 dias. A programação inclui novenas, folias e alvoradas que ocupam ruas e igrejas do centro histórico.
O ponto alto são as Cavalhadas, encenação de batalhas medievais entre mouros e cristãos. Dois exércitos formados por 12 cavaleiros cada se apresentam durante três dias consecutivos, atraindo cerca de 30 mil pessoas anualmente.
Em 2010, o IPHAN registrou a celebração como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2022, a Organização Mundial de Periodistas de Turismo elegeu a festividade como festa do ano, ampliando sua visibilidade.
Durante o evento, os Mascarados circulam pelas ruas com fantasias e cabeças de boi e onça, compondo o cenário tradicional que se tornou símbolo cultural de Pirenópolis.
Centro histórico preservado e mais de 80 cachoeiras catalogadas
O conjunto arquitetônico foi tombado pelo IPHAN em 1990. Casarões do século XVIII, igrejas e um teatro de traços coloniais e neoclássicos formam o núcleo urbano preservado.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário foi construída entre 1728 e 1732, sendo o templo mais antigo de Goiás. Após um incêndio em 2002, passou por reconstrução com apoio do IPHAN.
Nos arredores, a Serra dos Pireneus concentra mais de 80 cachoeiras catalogadas. A Cachoeira do Abade, antiga mina de ouro do século XVIII, oferece trilhas, pontes suspensas e um poço de 900 m² destinado ao banho.
O Pico dos Pireneus atinge 1.385 m de altitude, ponto mais alto da região, com entrada gratuita. Já o Santuário de Vida Silvestre Vagafogo dispõe de trilha de 1.500 m, piscinas naturais, arvorismo e brunch com 45 variedades de frutos do cerrado.
A Fazenda Babilônia, engenho do final do século XVIII tombado em 1965, serve café sertanejo com mais de 40 quitutes preparados em fogão a lenha. No centro, a Rua do Lazer concentra bares, restaurantes e música ao vivo.
Gastronomia regional e acesso rodoviário em até 2 horas
A culinária de Pirenópolis combina tradição goiana, influência mineira e ingredientes do cerrado. O arroz com pequi é um dos pratos mais procurados, assim como o empadão goiano recheado com frango, linguiça, azeitona e guariroba.
Pamonhas doces e salgadas são vendidas próximas à Igreja Matriz. No Vagafogo, o brunch inclui geleias, chutney de manga e pesto de baru.
Na Fazenda Babilônia, o café sertanejo reúne sequilhos, broas, pamonha frita e requeijão quente.
O clima é tropical, com duas estações bem definidas. O inverno seco corresponde à alta temporada, período de céu limpo e cachoeiras volumosas.
O acesso ocorre pela GO-431, a partir de Goiânia, e pela BR-070 seguida da GO-225, saindo de Brasília. O trajeto leva cerca de 2 horas desde as duas capitais.
Não há aeroporto na cidade; o Aeroporto de Goiânia concentra os voos regulares.
Entre história, natureza e tradições bicentenárias, Pirenópolis mantém identidade construída ao longo de quase três séculos, combinando patrimônio tombado, celebrações reconhecidas e paisagens naturais que estruturam sua atividade turística e cultural.
Com informações de Correio Braziliense.


Corrigindo: Pirenópolis tem sim um aeroporto!
Deu vontade de ir morar lá.