Uma rotina diária em Porto União chama atenção pela combinação de cultivo, família e doação, com alimentos frescos colocados à disposição de quem passa pelo centro da cidade sem cobrança ou cadastro.
Levi Imianoski, de 86 anos, mantém uma rotina diária de distribuição gratuita de alimentos no centro de Porto União, no Planalto Norte de Santa Catarina.
Frutas, legumes e suco produzidos em sua propriedade rural são levados para uma prateleira instalada em frente à empresa Comatol, onde moradores e pessoas que passam pela região podem retirar os itens sem pagar.
Na banca, um aviso orienta a retirada: “Custo Zero. Um pacote por pessoa”.
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Entre os alimentos oferecidos estão laranjas, limões, pokans, abóboras e chuchus, conforme a produção disponível na chácara.
A iniciativa foi relatada pelo ND Mais em reportagem publicada em 20 de junho de 2026.
A distribuição começou a partir de uma decisão de Levi de aproveitar o excedente da propriedade.
Em entrevista ao portal, ele afirmou que prefere repassar os alimentos a vê-los se perderem.
“Eu não gosto de ver a fruta caída no pé apodrecendo. Então tem que dar para quem não tem”, disse o agricultor.
Agricultor distribui alimentos de graça em Porto União
O hábito de repartir parte da produção já existia antes de Levi passar a viver no sítio.
Segundo a filha dele, Silvia Imianoski, o pai deixava cestas com frutas, verduras e legumes na portaria do prédio onde morava, para que outros moradores pudessem pegar.
Durante a pandemia, Levi mudou a rotina familiar.
Ele, que antes costumava passar os fins de semana na propriedade localizada em Avencal, passou a morar definitivamente no sítio.
Com mais tempo dedicado às árvores frutíferas, à horta e ao jardim, a produção aumentou.
A partir dessa mudança, a distribuição deixou de ocorrer apenas entre moradores do prédio e passou a ser feita em frente à Comatol.
De acordo com Silvia, a iniciativa partiu do próprio pai e foi incorporada ao dia a dia da família.
“Quando morávamos em apartamento, ele levava cestas com frutas, verduras e legumes para deixar na portaria. Depois que veio morar no sítio, a produção aumentou muito e ele transferiu esse costume para a loja. Hoje ele leva o que tiver na época: laranja, limão, abóbora, chuchu. É uma iniciativa totalmente dele”, afirmou Silvia ao ND Mais.

Família ajuda no preparo das frutas e legumes
Levi é casado há 61 anos com Gentile, de 83 anos.
Segundo a reportagem, ela participa do preparo dos alimentos que serão colocados à disposição do público.
O casal colhe, corta frutas quando necessário, organiza os pacotes e abastece a prateleira.
A distribuição costuma começar por volta das 7h30.
Na maioria dos dias, de acordo com o relato publicado pelo ND Mais, os alimentos terminam antes do fim do expediente.
A banca fica em uma área de circulação do centro de Porto União e passou a ser conhecida por moradores e comerciantes da região.
André Imianoski, filho de Levi, disse ao portal que a ação se ampliou conforme a produção no sítio aumentou.
No início, o agricultor levava parte dos alimentos para clientes e conhecidos.
Depois, passou a deixar os itens disponíveis na frente da empresa.
“Meu pai foi para o sítio durante a pandemia e começou a cuidar ainda mais das frutas e do jardim. Primeiro levava um pouco para os clientes. Depois a produção cresceu e ele passou a distribuir na frente da loja. Hoje isso já faz parte da rotina dele”, declarou André.
Comatol e trajetória em Porto União
A prateleira usada na distribuição fica em frente à Comatol, empresa de Levi.
Segundo o ND Mais, ele e a família atuam há mais de cinco décadas no setor de tratores e equipamentos agrícolas.
Mesmo ligado à atividade empresarial, o agricultor mantém parte da rotina voltada ao cuidado da propriedade rural.
A relação de Levi com Porto União também aparece em registros públicos da Câmara Municipal.
Em 2017, ele esteve entre os empresários agraciados com Moção Honrosa e Medalha do Contestado durante uma sessão marcada por homenagens.
A informação consta em publicação oficial da Câmara de Vereadores de Porto União, de 6 de dezembro daquele ano.
Na propriedade, a produção inclui frutas, legumes e flores, conforme a reportagem.
Entre uma colheita e outra, Levi separa os alimentos que serão levados à banca no dia seguinte.
Além dos itens deixados na prateleira, ele também costuma preparar suco de laranja para presentear amigos e conhecidos.
Banca de alimentos não exige cadastro
O funcionamento da banca não envolve cobrança, inscrição ou cadastro prévio.
A orientação visível no local estabelece que cada pessoa retire um pacote, medida usada para organizar a distribuição e permitir que mais pessoas tenham acesso aos alimentos disponíveis.
Segundo o relato da família ao ND Mais, a ação não foi criada como campanha formal.
Ela se consolidou a partir da rotina de cultivo no sítio e do aumento da produção.
Quando há frutas, legumes ou verduras em quantidade superior ao consumo da família, parte dos itens é levada para a prateleira.
Levi afirma que observa a reação das pessoas que retiram os alimentos.
Para ele, esse retorno é a motivação para manter o hábito.
“O que eu vejo é que as pessoas ficam felizes. E por eu vê-las felizes, eu me sinto mais feliz ainda”, declarou.
Produção rural abastece ponto no centro da cidade
A iniciativa ocorre em um contexto urbano, mas depende diretamente da produção rural mantida pelo agricultor e pela família em Avencal.
O caminho entre o sítio e o centro de Porto União passou a integrar a rotina de Levi, que organiza os alimentos de acordo com a colheita de cada período.
Aos 86 anos, o agricultor segue com atividades no campo e com a distribuição diária em frente à empresa.
Segundo o ND Mais, a prateleira é abastecida todos os dias e, em geral, fica vazia antes do encerramento das atividades no local.
A história ganhou repercussão por mostrar uma prática contínua de reaproveitamento da produção excedente e de oferta direta de alimentos à população.
No relato da família, a ação não tem intermediários nem finalidade comercial: os itens são colhidos, preparados e deixados para quem passa pelo centro da cidade.
No caso de Levi, a distribuição está ligada a uma rotina familiar construída ao longo dos anos, primeiro em um prédio residencial e, depois, na área central de Porto União.
Com a mudança definitiva para a propriedade rural durante a pandemia, a quantidade de alimentos aumentou e a banca passou a fazer parte do cotidiano da empresa.

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