Em uma antiga tábua de argila escrita em cuneiforme, um cliente da Babilônia expressa sua indignação com atrasos, má qualidade e perda de dinheiro — e entrou para o Guinness
Uma escavação nas ruínas da antiga cidade de Ur, no atual Iraque, revelou algo surpreendente: reclamações com 3.800 anos de história. O protagonista da história é um comerciante chamado Ea-Nasir, que vendeu cobre de má qualidade, atrasou entregas e irritou profundamente um cliente da Babilônia chamado Nanni. A insatisfação foi eternizada em uma tábua de argila — considerada a carta de reclamação mais antiga já registrada.
A mensagem, escrita em cuneiforme e preservada até hoje no Museu Britânico, é um verdadeiro desabafo contra falhas comerciais em plena Mesopotâmia. A descoberta mostra que problemas de pós-venda, promessas não cumpridas e o famoso “péssimo atendimento” já eram motivo de revolta quase dois milênios antes de Cristo.
Tábua de argila revela reclamações com 3.800 anos de história
A peça histórica mede 11,6 centímetros de altura e foi escrita por Nanni, um cliente insatisfeito da antiga Babilônia. O destinatário era Ea-Nasir, um comerciante membro da guilda Alik Tilmun, especializada em metais como o cobre.
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Na carta, Nanni reclama que seu mensageiro foi maltratado, que as barras de cobre entregues eram de qualidade inferior e que seu dinheiro foi retido sem que o produto fosse entregue. Detalhe: os enviados do cliente cruzaram territórios inimigos para fazer a transação.
“Quem sou eu para você me tratar com tanto desprezo?”, indaga Nanni na mensagem. Ele exige, ainda, o reembolso integral de sua prata e declara que não aceitará mais cobre ruim, prometendo avaliar pessoalmente cada peça de agora em diante.
A importância da carta para a história do comércio
Traduzida pelo assiriólogo A. Leo Oppenheim em seu livro Cartas da Mesopotâmia (1967), a carta viralizou em 2018 após reportagens da revista Forbes e Galileu. Em 2023, foi incluída no Guinness Book como a mais antiga reclamação de cliente registrada na história.
O caso mostra que a regulação de comércio, garantias e insatisfação com serviços não são fenômenos modernos. Já naquela época, consumidores sabiam reclamar — com veemência — e registravam suas queixas por escrito, mesmo sem internet, Procon ou redes sociais.
