Da oficina Thunder Cut, Veronica Silva e Joel Tovar responderam ao terremoto na Venezuela com quebra-cabeças e jogos de Ludo estrelados pela cadela farejadora, para aliviar o trauma das famílias que ficaram desabrigadas
Numa bancada de oficina em Caracas, dezenas de cartelas coloridas se empilham com o desenho de uma cadela de orelhas atentas. São quebra-cabeças saindo do corte a laser, um a um, no meio da pior crise do país em décadas. Após o terremoto na Venezuela que matou mais de 3.000 pessoas e deixou mais de 17.000 desabrigadas, o casal Veronica Silva e Joel Tovar produziu 1.000 conjuntos de brinquedos para doar a crianças em abrigos temporários de Caracas, segundo a agência VietnamPlus, em reportagem de 9 de julho de 2026.
E os brinquedos têm protagonista. Os jogos são inspirados na cadela de resgate Tsunami e em outros cães de trabalho que atuaram nos escombros, registra a VietnamPlus. A ideia é simples e afiada: colocar nas mãos das crianças o personagem mais querido da tragédia.
O terremoto na Venezuela: dois tremores separados por 39 segundos
O tamanho do desastre explica o tamanho do gesto. Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram o norte da Venezuela com apenas 39 segundos de diferença em 24 de junho de 2026, derrubando prédios residenciais inteiros em Caracas e La Guaira, segundo a revista Forbes, em reportagem de 1º de julho de 2026.
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Em observação desta redação, devidamente sinalizada: vale registrar que o número de mortos do terremoto na Venezuela subiu ao longo dos dias. A Forbes, em 1º de julho, falava em mais de 1.700 vítimas; a VietnamPlus, já em 9 de julho, registrava mais de 3.000. Esta matéria usa o dado mais recente, atribuído à VietnamPlus, porque contagens de desastre sobem à medida que os escombros vão sendo vasculhados. Em qualquer das versões, o saldo é uma tragédia de milhares de vidas e dezenas de milhares de desabrigados.
Quem é Tsunami, a cadela que virou quebra-cabeça
A história da homenageada explica por que ela foi a escolhida. Tsunami é uma border collie de um olho azul e um marrom que foi resgatada do abandono e dos maus-tratos em 2017, ainda filhote, e depois treinada como cadela de busca para encontrar pessoas dentro de estruturas colapsadas, segundo a Forbes.
Em leitura desta redação, devidamente sinalizada: repare no espelho da história. A cadela que um dia foi resgatada passou a resgatar gente nos escombros do terremoto na Venezuela, e agora vira brinquedo para resgatar a infância de quem perdeu a casa. É um símbolo que a população abraçou, e que faz todo sentido nas mãos de uma criança assustada: o herói dela não é um super-humano distante, é um cachorro, algo que qualquer criança entende e ama.
Da oficina Thunder Cut para os abrigos: como nasceram os 1.000 brinquedos
O projeto do casal não é improviso de ocasião. Veronica e Joel produzem os brinquedos com as máquinas, a experiência e os recursos da própria oficina, a Thunder Cut, e a produção vai continuar enquanto as famílias permanecerem evacuadas, segundo a VietnamPlus.
O formato escolhido também tem lógica. São quebra-cabeças e jogos de Ludo, pensados para que as crianças esqueçam temporariamente a dor e reduzam o trauma psicológico após o desastre, registra a VietnamPlus. Em observação desta redação, devidamente sinalizada: quebra-cabeça e Ludo não são jogos de tela, são jogos de mesa, que se jogam em grupo, no chão de um abrigo, com outras crianças e adultos por perto. Para quem dorme em barraca ao lado de estranhos, um jogo que junta gente em volta vale mais que qualquer eletrônico.
Há ainda um acerto silencioso na escolha, em leitura sinalizada desta redação: os dois jogos criam rotina. Quebra-cabeça tem começo, meio e fim; Ludo tem turno, regra e revanche. Depois de um desastre, é exatamente disso que uma criança sente falta, de algo pequeno que ela controla do início ao fim, num dia em que nada mais está no lugar. E o fato de a produção continuar enquanto houver famílias evacuadas, como o casal garantiu à VietnamPlus, transforma o gesto em compromisso: não foi um lote de doação, foi uma linha de produção aberta com prazo indefinido.
Por que um brinquedo importa num abrigo de desastre
Pode parecer detalhe diante de prédios caídos, mas não é, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. Uma criança que perdeu a casa perde junto a rotina inteira: a escola, o quarto, os amigos, o próprio brinquedo. Nesse vazio, um jogo simples devolve um pedaço de normalidade e ocupa a cabeça que, sem isso, fica presa no susto. Não é à toa que a própria VietnamPlus descreve o objetivo dos jogos como aliviar o trauma psicológico das crianças, e não apenas distrair.
E a escolha da cadela Tsunami como personagem fecha o raciocínio. Em vez de um super-herói genérico, o casal colocou nas cartelas a figura real que estava do lado de fora da barraca, farejando escombros. A criança monta o quebra-cabeça de um herói que ela mesma viu passar. É solidariedade com endereço, feita de madeira cortada a laser numa oficina de Caracas.
Vale ainda dar o crédito ao formato de fabricação, em observação sinalizada desta redação. Uma oficina como a Thunder Cut, que já trabalhava com corte a laser, conseguiu transformar sua linha de produção comercial numa fábrica de doação sem trocar de máquina. É o tipo de reaproveitamento que multiplica o alcance de um gesto solidário: em vez de comprar mil brinquedos prontos, o casal usou o que já tinha, o maquinário e o conhecimento, para produzir na própria casa. Qualquer pequeno empreendedor que enfrentou um desastre por perto entende o valor disso, porque mostra que ajudar não depende só de dinheiro, depende também de saber fazer.
Por isso o caso do terremoto na Venezuela virou notícia para além das fronteiras do país. Não é só mais um número de tragédia, é um exemplo de resposta criativa que qualquer comunidade poderia copiar: identificar o que falta às crianças de um abrigo, usar uma habilidade local e transformar isso em conforto real. A cadela Tsunami deu o rosto; a oficina deu as mãos.
O que o terremoto na Venezuela deixou para as crianças dos abrigos
Os números contam o tamanho da fila que espera esses brinquedos. Mais de 17.000 pessoas seguiam desabrigadas pelo terremoto na Venezuela, segundo a VietnamPlus, e boa parte delas em abrigos temporários montados às pressas em Caracas, exatamente onde o casal faz as entregas.

Em leitura sinalizada desta redação: o brasileiro conhece essa cena de perto, porque a viu em Brumadinho, no litoral norte de São Paulo e no Rio Grande do Sul, onde o brinquedo doado virou item de primeira necessidade nos abrigos tanto quanto colchão e água. A diferença venezuelana é o personagem: lá, as crianças estão montando o quebra-cabeça de uma cadela que virou heroína. Conta pra gente nos comentários: você já doou brinquedo em campanha de desastre, e o que acha da ideia de transformar os cães de resgate em jogo?
Assista: os abrigos do terremoto na Venezuela em vídeo
A situação das famílias evacuadas aparece em vídeo oficial. Em 29 de junho de 2026, o canal da UNICEF América Latina e Caribe publicou a visita de seu representante a La Guaira, mostrando os abrigos com barracas onde vivem as famílias atingidas, o mesmo cenário onde os brinquedos de Veronica e Joel estão sendo distribuídos, segundo o relato da VietnamPlus.

