Após a colheita da soja, o sorgo avança no noroeste paulista como alternativa mais econômica e resistente ao clima, ocupando áreas de 60 a 900 hectares, com produtores buscando renda extra mesmo diante de seca, excesso de chuva e falta de armazenagem.
Após a colheita da soja, produtores do noroeste paulista têm apostado no sorgo como alternativa para manter a terra em produção e buscar uma nova fonte de renda. Mais econômico e mais resistente às variações do clima, o sorgo vem ganhando espaço em meio às dificuldades hídricas, ao alto custo de produção e às altas temperaturas na região.
Em Brejo Alegre (SP), uma lavoura ainda em fase inicial mostra esse movimento no campo. Com pouco mais de um palmo de altura, a plantação começou há cerca de 25 dias e já representa, para o produtor Odair Albano, uma opção viável diante das condições enfrentadas na região.
A entrada da cultura acontece logo após a retirada da soja, dentro da chamada safrinha. A estratégia permite que a área não fique parada e dá ao produtor uma segunda possibilidade de renda no mesmo espaço, aproveitando a janela logo depois da oleaginosa.
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Sorgo ganha espaço após a soja no noroeste paulista
Na propriedade de Odair Albano, são cerca de 60 hectares de sorgo granífero. A produção é voltada aos grãos usados principalmente na alimentação de aves, suínos e bovinos.
A colheita nessa área deve acontecer em três a quatro meses. A expectativa de resultado, porém, depende diretamente do comportamento do clima ao longo do ciclo da lavoura.
O avanço dessa cultura, que antes era mais comum na safrinha, também já aparece no verão. Isso ocorre porque o sorgo vem sendo visto como uma alternativa mais resistente à seca quando comparado ao milho, característica que tem atraído produtores em meio às irregularidades climáticas.
Clima, custo e água impulsionam a escolha dos produtores
A engenheira agrônoma Isabela Redigolo aponta que o crescimento do cultivo está ligado aos desafios recentes enfrentados no campo. Entre eles estão o alto custo de produção, a escassez de água e as altas temperaturas.
Ela ressalta, porém, que a maior resistência da cultura não elimina os riscos. Mesmo com essa característica, o sorgo não é imune às condições adversas, e a produtividade continua dependendo do manejo adotado e do volume de chuvas.
Essa combinação de fatores tem influenciado a tomada de decisão dos produtores logo depois da colheita da soja. A necessidade de agir rapidamente sobre o uso da terra faz da escolha da cultura seguinte um ponto decisivo para o resultado da safra.
Mirandópolis entra na colheita após plantio feito em novembro
Em Mirandópolis (SP), o cenário é diferente do registrado em Brejo Alegre. Em meio às áreas de cana-de-açúcar, uma lavoura de sorgo ocupa cerca de 900 hectares plantados ainda em novembro, durante a safra de verão, e agora chegou ao momento da colheita.
O produtor Marco Antonio Bordin arrendou a área de uma usina para o plantio. No início do ciclo, um dos principais desafios enfrentados foi o excesso de chuvas, que afetou o desenvolvimento da cultura e também influenciou a escolha da espécie plantada.
Mesmo com esse obstáculo, a expectativa para a safra segue positiva em várias áreas da região. O desempenho final, no entanto, continua ligado às condições enfrentadas ao longo do cultivo e à capacidade de cada produtor de lidar com essas variações.
Falta de armazenagem preocupa a comercialização
Além das questões climáticas, outro problema preocupa quem investe na cultura. A falta de estrutura para armazenar o grão tem impacto direto sobre a comercialização da produção.
A limitação de armazéns pode reduzir o lucro do produtor ao fim do ciclo. Isso acontece justamente no momento em que o resultado de meses de trabalho passa a ser medido na qualidade e no destino dos grãos colhidos.
No noroeste paulista, o sorgo vem se consolidando como uma alternativa cada vez mais presente no campo. Diante das condições atuais, a cultura tem sido adotada como uma opção segura por produtores que buscam manter a produção ativa após a soja e enfrentar, com mais equilíbrio, os desafios do clima e dos custos.
