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Depois da soja, produtores do noroeste paulista apostam no sorgo em áreas de até 900 hectares e veem na cultura uma saída mais econômica e resistente ao clima para garantir renda, mesmo com desafios de chuva, seca e falta de armazéns

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 19/04/2026 às 12:09 Atualizado em 19/04/2026 às 12:11
Após a soja, produtores apostam no sorgo no noroeste paulista em áreas de 60 a 900 hectares e enfrentam desafios no campo.
Após a soja, produtores apostam no sorgo no noroeste paulista em áreas de 60 a 900 hectares e enfrentam desafios no campo.
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Após a colheita da soja, o sorgo avança no noroeste paulista como alternativa mais econômica e resistente ao clima, ocupando áreas de 60 a 900 hectares, com produtores buscando renda extra mesmo diante de seca, excesso de chuva e falta de armazenagem.

Após a colheita da soja, produtores do noroeste paulista têm apostado no sorgo como alternativa para manter a terra em produção e buscar uma nova fonte de renda. Mais econômico e mais resistente às variações do clima, o sorgo vem ganhando espaço em meio às dificuldades hídricas, ao alto custo de produção e às altas temperaturas na região.

Em Brejo Alegre (SP), uma lavoura ainda em fase inicial mostra esse movimento no campo. Com pouco mais de um palmo de altura, a plantação começou há cerca de 25 dias e já representa, para o produtor Odair Albano, uma opção viável diante das condições enfrentadas na região.

A entrada da cultura acontece logo após a retirada da soja, dentro da chamada safrinha. A estratégia permite que a área não fique parada e dá ao produtor uma segunda possibilidade de renda no mesmo espaço, aproveitando a janela logo depois da oleaginosa.

Sorgo ganha espaço após a soja no noroeste paulista

Na propriedade de Odair Albano, são cerca de 60 hectares de sorgo granífero. A produção é voltada aos grãos usados principalmente na alimentação de aves, suínos e bovinos.

A colheita nessa área deve acontecer em três a quatro meses. A expectativa de resultado, porém, depende diretamente do comportamento do clima ao longo do ciclo da lavoura.

O avanço dessa cultura, que antes era mais comum na safrinha, também já aparece no verão. Isso ocorre porque o sorgo vem sendo visto como uma alternativa mais resistente à seca quando comparado ao milho, característica que tem atraído produtores em meio às irregularidades climáticas.

Clima, custo e água impulsionam a escolha dos produtores

A engenheira agrônoma Isabela Redigolo aponta que o crescimento do cultivo está ligado aos desafios recentes enfrentados no campo. Entre eles estão o alto custo de produção, a escassez de água e as altas temperaturas.

Ela ressalta, porém, que a maior resistência da cultura não elimina os riscos. Mesmo com essa característica, o sorgo não é imune às condições adversas, e a produtividade continua dependendo do manejo adotado e do volume de chuvas.

Essa combinação de fatores tem influenciado a tomada de decisão dos produtores logo depois da colheita da soja. A necessidade de agir rapidamente sobre o uso da terra faz da escolha da cultura seguinte um ponto decisivo para o resultado da safra.

Mirandópolis entra na colheita após plantio feito em novembro

Em Mirandópolis (SP), o cenário é diferente do registrado em Brejo Alegre. Em meio às áreas de cana-de-açúcar, uma lavoura de sorgo ocupa cerca de 900 hectares plantados ainda em novembro, durante a safra de verão, e agora chegou ao momento da colheita.

O produtor Marco Antonio Bordin arrendou a área de uma usina para o plantio. No início do ciclo, um dos principais desafios enfrentados foi o excesso de chuvas, que afetou o desenvolvimento da cultura e também influenciou a escolha da espécie plantada.

Mesmo com esse obstáculo, a expectativa para a safra segue positiva em várias áreas da região. O desempenho final, no entanto, continua ligado às condições enfrentadas ao longo do cultivo e à capacidade de cada produtor de lidar com essas variações.

Falta de armazenagem preocupa a comercialização

Além das questões climáticas, outro problema preocupa quem investe na cultura. A falta de estrutura para armazenar o grão tem impacto direto sobre a comercialização da produção.

A limitação de armazéns pode reduzir o lucro do produtor ao fim do ciclo. Isso acontece justamente no momento em que o resultado de meses de trabalho passa a ser medido na qualidade e no destino dos grãos colhidos.

No noroeste paulista, o sorgo vem se consolidando como uma alternativa cada vez mais presente no campo. Diante das condições atuais, a cultura tem sido adotada como uma opção segura por produtores que buscam manter a produção ativa após a soja e enfrentar, com mais equilíbrio, os desafios do clima e dos custos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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