O tarifaço dos EUA derrubou em quase 20% as vendas brasileiras para o mercado americano, mas a reação imediata veio de China e Argentina, que ampliaram suas compras e ajudaram a manter o superávit da balança. Economistas, no entanto, alertam que essa dependência pode fragilizar o país no longo prazo.
O comércio exterior brasileiro sentiu os efeitos diretos do tarifaço dos EUA, que aplicou sobretaxas de até 50% sobre produtos nacionais. Em agosto, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 18,5%, somando US$ 2,762 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A rápida reação, porém, veio de China e Argentina, que ampliaram suas compras em 31% e 40,4%, respectivamente, e evitaram uma queda ainda maior no saldo comercial.
A reação imediata ao tarifaço dos EUA
Apesar da retração nas vendas para os EUA, o Brasil conseguiu fechar agosto com superávit de US$ 6,133 bilhões, sustentado pelo aumento das exportações para outros mercados.
-
A busca frenética pelo domínio tecnológico do planeta – por consequência, econômico e militar – acirrou a disputa pelas chamadas ‘terras raras’, por parte das superpotências Estados Unidos e China, o que coloca o Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, no epicentro da sanha internacional.
-
Nem mesmo o fim da ‘montanha russa’ descrita pelo preço do petróleo tipo Brent (principal referência global) – que saltou de uma cotação de US$ 72 para US$ 120, até baixar ao patamar de US$ 76 o barril – devido ao acordo de paz recente firmado entre os EUA e o Irã, foi suficiente para aliviar a economia brasileira de pressões inflacionárias.
-
União Europeia volta a olhar para os pescados brasileiros após veto de quase 8 anos e pode destravar um mercado cobiçado por lagosta, atum, tilápia e camarão
-
Tênis retrô japonês vira fenômeno de vendas, ajuda Asics a alcançar lucros recordes e ganha operação própria para mirar Los Angeles, Milão e Seul
A China foi o destino que mais absorveu produtos brasileiros, especialmente soja, que saltou de US$ 2,6 bilhões em 2024 para US$ 3,3 bilhões em agosto de 2025.
Essa guinada é vista como reflexo da disputa comercial entre Pequim e Washington, já que o governo chinês tem priorizado fornecedores sul-americanos em detrimento dos americanos.
A Argentina também se destacou como mercado emergente para o Brasil.
Após a recessão de 2024, a economia argentina voltou a crescer sob o governo de Javier Milei, impulsionando a demanda por veículos, autopeças e produtos industrializados.
O setor automotivo brasileiro praticamente dobrou suas vendas para o país vizinho em apenas um ano, atingindo US$ 360,2 milhões em agosto.
O risco da concentração em poucos parceiros
Embora o reposicionamento tenha garantido alívio imediato, especialistas alertam para a vulnerabilidade estratégica.
Os EUA costumam importar produtos de maior valor agregado, como aeronaves, máquinas e manufaturados.
Já a China e a Argentina concentram-se em commodities agrícolas e minerais, o que pode aprofundar a dependência do Brasil de exportações primárias.
Segundo estimativas do Itaú, o tarifaço pode gerar uma perda de até US$ 13 bilhões em exportações ao longo de 12 meses.
Parte desse impacto será compensada pelo redirecionamento de vendas, mas setores industriais mais complexos, como siderurgia e aeronáutica, têm menos alternativas de mercado.
Isso reforça a preocupação com a desindustrialização e a perda de competitividade.
Setores em busca de alternativas
Alguns segmentos já encontraram rotas alternativas.
A carne bovina, por exemplo, aumentou sua presença em mercados como México, Chile, Rússia e a própria China.
Produtos pesqueiros e frutas também foram absorvidos por países da América do Sul.
No entanto, itens industriais estratégicos — como ferro, aço e aeronaves — permanecem sem mercados substitutos relevantes, o que pressiona a indústria nacional e pode comprometer empregos de maior qualificação.
A leitura dos especialistas
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o atual reposicionamento é conjuntural e não resolve o problema estrutural.
Ele lembra que os EUA enfrentam estoques elevados de soja e podem usar a tarifa para proteger produtores locais, enquanto a dependência da China pode se tornar uma vulnerabilidade caso o país asiático utilize a compra de commodities como moeda de troca em negociações geopolíticas.
Economistas também ressaltam que, embora o superávit esperado para 2025 seja de US$ 65 bilhões, inferior aos US$ 74,6 bilhões de 2024, o saldo positivo não pode mascarar o risco de concentração em poucos parceiros comerciais.
Qualquer oscilação na demanda chinesa ou na recuperação argentina pode gerar instabilidade significativa para o Brasil.
Você acredita que a dependência crescente de China e Argentina após o tarifaço dos EUA fortalece ou fragiliza a posição do Brasil no comércio internacional? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha de perto os impactos dessa mudança.
