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Prédio residencial ficou “cercado” dentro de um viaduto circular após moradores recusarem compensação e a obra avançar ao redor da construção na China

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 05/07/2026 às 13:12 Atualizado em 05/07/2026 às 13:14
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Prédio residencial ficou cercado dentro de um viaduto
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Edifício em Guangzhou ficou cercado por um viaduto circular após impasse sobre compensação e virou símbolo das casas-prego na China.

Um edifício residencial em Guangzhou, na província de Guangdong, acabou cercado por um viaduto circular depois que parte dos moradores recusou os acordos de compensação oferecidos para a demolição. O caso ganhou repercussão internacional em 2015 e se tornou uma das imagens urbanas mais curiosas da China contemporânea.

Para quem viu as fotos pela primeira vez, a cena parecia erro de engenharia ou projeto futurista. Na prática, o que aconteceu foi um impasse típico das chamadas casas-prego, imóveis que continuam de pé no meio de grandes obras porque os proprietários não aceitam os valores propostos para sair.

Moradores recusaram compensação em Guangzhou e viaduto circular acabou sendo construído ao redor do prédio residencial

Segundo a ABC News, o bloco residencial de Guangzhou estava programado para ser demolido desde 2008 para dar lugar a uma nova via. Mesmo assim, vários moradores se recusaram a deixar os apartamentos, alegando que os valores oferecidos pela compensação eram insuficientes.

Diante do impasse, a obra não foi interrompida. Em vez de esperar um acordo total, os responsáveis seguiram com a construção e adaptaram o traçado da infraestrutura, criando uma alça elevada circular ao redor do edifício.

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Foi essa decisão que transformou um conflito imobiliário local em imagem global. A foto do prédio cercado pela estrutura viária passou a circular em jornais e sites do mundo inteiro como um retrato extremo da urbanização acelerada chinesa.

Caso de Guangzhou entrou para a lista das casas-prego mais conhecidas da China durante o boom da urbanização

A Reuters resume o fenômeno de forma direta: as nail houses são imóveis que permanecem de pé quando moradores se recusam a sair. O edifício de Guangzhou entrou nessa categoria porque unidades do prédio continuaram ocupadas mesmo após a decisão de demolir a construção para a obra viária.

Na reportagem da ABC News, o caso aparece como exemplo de um padrão mais amplo na China, onde moradores frequentemente contestam os valores de compensação em projetos de reurbanização. Quando não há acordo, algumas construções acabam isoladas no meio de estradas, escavações ou novos empreendimentos.

O próprio termo nail house foi explicado pela ABC como uma referência a algo que permanece preso e difícil de remover. Isso ajuda a entender por que essas construções passaram a simbolizar resistência em meio ao avanço das incorporadoras e das grandes obras públicas.

Imagens do prédio cercado por rodovia em Guangzhou viraram símbolo da urbanização acelerada da China em 2015

A repercussão mundial do caso veio da força visual da cena. No registro feito em 18 de junho de 2015, o edifício aparece literalmente encaixado dentro de um anel viário elevado, criando uma imagem rara até para os padrões de transformação urbana da China.

Prédio residencial ficou "cercado" dentro de um viaduto circular após moradores recusarem compensação e a obra avançar ao redor da construção na China
Prédio residencial ficou cercado dentro de um viaduto

A força da fotografia estava justamente no contraste entre escalas. De um lado, uma obra de infraestrutura de grande porte; do outro, um bloco residencial antigo que permaneceu no mesmo ponto por causa do desacordo entre moradores e autoridades sobre a compensação.

Esse contraste ajudou a transformar o prédio de Guangzhou em um caso emblemático. Mais do que uma curiosidade arquitetônica, ele passou a representar o choque entre expansão urbana acelerada, negociação de propriedade e resistência individual.

Casas-prego na China já surgiram no meio de estradas, canteiros de obras e grandes projetos imobiliários

O caso de Guangzhou não foi isolado. A galeria da Reuters reúne exemplos de casas-prego em cidades como Luoyang, Nanning, Wenling, Hefei, Nanjing, Kunming, Xiangyang e Shanghai, sempre ligados a moradores que rejeitaram propostas de demolição ou pediram compensações maiores.

Um dos episódios mais conhecidos mostrados pela agência ocorreu em Wenling, em 2012, quando uma casa permaneceu no meio de uma avenida recém-pavimentada porque um casal se recusou a assinar o acordo de remoção. Em outros casos, imóveis ficaram cercados por valas, obras de centros comerciais ou terrenos já parcialmente demolidos.

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Canal do South China Morning Post também demonstra cassos semelhantes de casas-prego na China

Essas situações ajudam a explicar por que o prédio de Guangzhou chamou tanta atenção. Ele não era apenas um edifício cercado por um viaduto, mas parte de um padrão maior de conflitos urbanos que se repetiu em várias regiões chinesas durante décadas de crescimento acelerado.

Prédio cercado por viaduto em Guangzhou virou retrato raro do choque entre megaprojetos urbanos e direitos de moradia

Vista sem contexto, a imagem do edifício dentro do viaduto parece quase uma instalação urbana surreal. Com contexto, ela revela algo mais simples e mais duro: a dificuldade de conciliar projetos bilionários de infraestrutura com negociações individuais envolvendo moradia, propriedade e compensação financeira.

Em Guangzhou, um bloco residencial comum acabou transformado em um dos símbolos mais marcantes das casas-prego da China. A construção permaneceu no caminho da obra, e a obra seguiu ao redor dela, criando uma das cenas mais emblemáticas da urbanização chinesa no século 21.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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