Uma decisão recente de Mark Zuckerberg provocou indignação no governo Lula, gerando debates sobre tecnologia, privacidade e políticas globais.
A decisão da Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram, de abandonar o sistema de checagem de fatos em suas plataformas provocou reações imediatas no Brasil. Além das críticas do secretário de Políticas Digitais do Governo Lula, João Brant, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a medida anunciada por Mark Zuckerberg como “preocupante”.
Meta muda políticas de moderação
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou nesta terça-feira (7) que as agências profissionais de checagem de fatos deixarão de operar nas plataformas da empresa.
Em vez disso, será adotado um sistema de notas da comunidade, inspirado no modelo usado pelo X (antigo Twitter). A mudança começará nos Estados Unidos e, posteriormente, será implementada em outros países.
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Segundo Mark Zuckerberg, a Meta busca simplificar suas políticas de conteúdo e promover a liberdade de expressão.
Ele criticou as agências de checagem, alegando que estas seriam “enviesadas politicamente” e prejudicariam a confiança dos usuários.
A política de checagem de fatos foi introduzida pela Meta em 2016 com o objetivo de reduzir a disseminação de desinformação.
Boatos identificados como falsos tinham seu alcance reduzido, e as publicações recebiam notificações para alertar os usuários.
Preocupação no governo Lula
Fernando Haddad, ao comentar a decisão, manifestou preocupação com os impactos dessa mudança na disseminação de fake news. Em entrevista à GloboNews, o ministro afirmou que a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para a propagação de calúnias, mentiras e difamações.
— Tivemos hoje um anúncio de uma importante organização global de comunicação dizendo que vai retirar dos seus controles os filtros de fake news, aderindo um pouco à mentalidade de que liberdade de expressão inclui calúnia, mentira, difamação e tudo mais, o que nos preocupa — declarou Haddad.
João Brant, por sua vez, destacou que a decisão da Meta favorece grupos políticos alinhados à extrema direita e abre espaço para maior polarização nas redes.
Para ele, a medida está alinhada com os interesses do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja gestão começa em janeiro de 2025.
A conexão com Donald Trump
A mudança anunciada pela Meta ocorre em um momento de reaproximação entre Mark Zuckerberg e Trump. Em novembro de 2024, o CEO da Meta participou de um jantar com o presidente eleito, declarando, segundo a Fox News, que deseja apoiar “a renovação nacional da América sob a liderança de Trump“.
Para o secretário João Brant, a Meta está se reposicionando politicamente no cenário internacional, em sintonia com os interesses do futuro governo dos Estados Unidos. Ele acredita que a decisão pode ser um golpe para países que buscam equilibrar os direitos no ambiente digital, como Brasil, União Europeia e Austrália.
Impacto nas agências de checagem
O fim da parceria com agências de checagem deve ter consequências. Essas empresas, que trabalham na identificação de desinformação em temas sensíveis, como eleições e pandemia de covid-19, perderão um canal importante de atuação.
Brant alertou que a Meta está “asfixiando financeiramente” essas agências, que dependiam das operações realizadas dentro das plataformas.
Com a mudança, Mark Zuckerberg argumenta que a Meta está corrigindo falhas de moderação, mas críticos apontam que a medida pode abrir caminho para a disseminação de desinformação.
