Maior infraestrutura hídrica do Brasil conecta o Rio São Francisco a reservatórios do Semiárido, por meio de canais, túneis e estações de bombeamento que ampliam o abastecimento em quatro estados e integram uma rede voltada à segurança hídrica no Nordeste.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco amplia a segurança hídrica no Semiárido ao levar água a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a estrutura tem 477 quilômetros distribuídos entre os eixos Norte e Leste, com trechos formados por canais, túneis, reservatórios e estações de bombeamento.
Gerido pelo MIDR, o empreendimento é apontado pelo governo federal como a maior obra de infraestrutura hídrica do país, planejada para integrar bacias e reforçar reservatórios em áreas com histórico de escassez de água.
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A implantação do sistema busca reduzir a vulnerabilidade de municípios do Semiárido em períodos de estiagem prolongada, principalmente em regiões que dependem de reservatórios, adutoras e mananciais sujeitos à irregularidade das chuvas.
Como a água do São Francisco percorre o Semiárido
A operação do PISF depende de canais, túneis, reservatórios, estações de bombeamento, estruturas de controle e sistemas adutores, que atuam em conjunto para transportar a água captada no Rio São Francisco.
Por meio dessa rede, o volume captado atravessa áreas de relevo elevado e segue até sistemas de abastecimento urbano e rural, de acordo com a configuração prevista para os eixos estruturantes do projeto.
O traçado se divide em dois corredores principais, com funções diferentes dentro da integração hídrica planejada para os estados beneficiados pelo empreendimento.
O Eixo Norte conduz água para reservatórios e sistemas hídricos ligados à Paraíba, ao Ceará e ao Rio Grande do Norte, enquanto o Eixo Leste atende áreas de Pernambuco e da Paraíba.

Nas regiões atendidas, a escassez de água afeta o abastecimento humano, a produção de alimentos e a criação de animais, o que levou o governo federal a estruturar o projeto como instrumento de segurança hídrica.
“O Projeto de Integração do Rio São Francisco é muito mais do que uma obra de infraestrutura. Ele representa a garantia de segurança hídrica para milhões de brasileiros que vivem no Semiárido”, afirmou Giuseppe Vieira, secretário Nacional de Segurança Hídrica do MIDR.
Eixo Norte começa em Cabrobó e usa bombeamento para vencer desníveis
No Eixo Norte, a água é captada em Cabrobó, no sertão de Pernambuco, diretamente no Rio São Francisco, antes de seguir para as estruturas responsáveis pelo deslocamento inicial do sistema.
A partir desse ponto, a Estação de Bombeamento EBI-1 impulsiona a água pelos canais que integram a primeira etapa do percurso dentro do eixo estruturante.
Ao avançar pelo Semiárido, o sistema precisa superar desníveis naturais do terreno, condição que exige o funcionamento de estações de bombeamento instaladas em pontos estratégicos do trajeto.
Entre essas estruturas estão a EBI-2, em Terra Nova, e a EBI-3, em Salgueiro, ambas em Pernambuco, que fazem parte do conjunto de equipamentos usados para elevar a água no percurso.
Essas estações permitem que a água suba cerca de 180 metros, desnível equivalente, em termos aproximados, à altura de um edifício de 60 andares.
Depois dessa etapa, o fluxo segue até o Reservatório Tucutu, ainda em Cabrobó, e continua pelos canais do empreendimento em direção a outras estruturas do Eixo Norte.
Mais adiante, a água chega ao Reservatório Caiçara, em São José de Piranhas, na Paraíba, ponto usado para distribuir parte da vazão a diferentes áreas conectadas ao sistema.
A função do reservatório é permitir o redirecionamento da água conforme a configuração operacional do empreendimento, integrando trechos que abastecem regiões da Paraíba, do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Ramal do Apodi amplia o alcance da transposição

A partir do Reservatório Caiçara, tem início o Ramal do Apodi, estrutura associada ao Eixo Norte e projetada para estender a chegada das águas a áreas da Paraíba, do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Com cerca de 115,5 quilômetros, o ramal integra a expansão da rede de distribuição ligada ao Projeto São Francisco e conecta trechos que levam água a reservatórios e sistemas regionais.
No quilômetro 30 do Ramal do Apodi, em Cachoeira dos Índios, na Paraíba, ocorre uma divisão da vazão transportada, conforme a configuração descrita para o percurso.
Parte da água segue em direção ao Ceará, pelo Ramal do Salgado, enquanto a outra parcela continua pelo traçado original rumo ao Rio Grande do Norte.
O trecho que segue para o Rio Grande do Norte passa pelo Túnel Major Sales e alcança o Reservatório Angicos, dentro da rede prevista para reforçar o abastecimento em áreas potiguares.
Essa conexão permite que o sistema de canais leve água a reservatórios estaduais, que passam a compor a operação integrada do PISF em território do Rio Grande do Norte.
A chegada regulamentada da água do São Francisco ao Rio Grande do Norte começou em 05 de agosto de 2025, conforme comunicado divulgado pelo governo federal.
Com essa etapa, o estado passou a integrar a operação regular do Projeto de Integração do Rio São Francisco, dentro do cronograma de avanço das estruturas ligadas ao Eixo Norte.
Ramal do Salgado leva água ao Ceará
No Ceará, o Ramal do Salgado foi planejado para conduzir água até a bacia do Rio Salgado, afluente ligado ao sistema do Açude Castanhão.
A estrutura tem aproximadamente 36 quilômetros e integra o conjunto de obras voltado ao reforço da segurança hídrica em municípios cearenses atendidos pela integração.
O Castanhão é o maior reservatório do Ceará e tem função central no abastecimento do estado, segundo informações oficiais sobre a infraestrutura hídrica cearense.
Ao conectar o Projeto São Francisco a essa bacia, o ramal amplia a disponibilidade de água para sistemas dependentes do reservatório e reforça a capacidade de gestão em períodos de estiagem.
Entre os componentes do Ramal do Salgado está o Túnel Saco dos Bois, com cerca de 320 metros de extensão, inserido no conjunto de estruturas que conduzem a água até a bacia do Rio Salgado.
A presença desse túnel no traçado permite a continuidade do transporte hídrico em trecho específico do ramal, dentro da lógica de canais e passagens subterrâneas prevista para o empreendimento.
Além do abastecimento humano, a infraestrutura atende áreas onde a irregularidade das chuvas interfere em atividades produtivas, como a agricultura, a criação de animais e outros usos econômicos da água.
Com a chegada da água a reservatórios e adutoras, municípios dependentes de sistemas hídricos vulneráveis passam a contar com uma fonte adicional dentro da rede operada pelo projeto.
Eixo Leste abastece Pernambuco e Paraíba desde 2017
Pelo Eixo Leste, as águas do São Francisco passaram a reforçar o abastecimento de municípios de Pernambuco e da Paraíba a partir de 2017, de acordo com dados do governo federal.
Essa frente ampliou a disponibilidade hídrica em localidades urbanas e rurais do Semiárido, por meio de estruturas integradas a sistemas regionais de distribuição.
O traçado atravessa áreas de Pernambuco e chega à Paraíba, conectando canais, reservatórios e estações que fazem parte da operação planejada para o Eixo Leste.
Segundo o MIDR, o Projeto de Integração do Rio São Francisco está organizado em dois eixos estruturantes, Norte e Leste, que somam os 477 quilômetros de extensão.
Com a operação dos eixos, as águas do PISF alcançaram os quatro estados previstos no empreendimento: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Esse avanço ocorreu de forma gradual, conforme a conclusão de trechos, a entrada em operação de estações de bombeamento e a conexão com reservatórios estaduais ligados ao sistema.
Segurança hídrica ganha escala no Nordeste
O Projeto de Integração do Rio São Francisco está inserido na Política Nacional de Recursos Hídricos e tem como objetivo reduzir a dependência exclusiva das chuvas em áreas do Semiárido.
Segundo o MIDR, a proposta é oferecer maior previsibilidade ao abastecimento em regiões sujeitas a períodos recorrentes de estiagem e baixa disponibilidade hídrica.
A transposição não substitui ações locais de gestão da água, mas amplia a oferta disponível para estados que enfrentam pressão sobre reservatórios, adutoras e mananciais.
Para operar de forma contínua, o sistema também depende de manutenção das estruturas, controle de vazões e coordenação entre a União e os governos estaduais envolvidos.
Na prática, o conjunto de canais, túneis e estações funciona como uma rede de transferência hídrica entre bacias, levando água captada no São Francisco a reservatórios usados no abastecimento regional.
Ao percorrer longos trechos e vencer desníveis, a água chega a estruturas que atendem cidades, comunidades rurais e atividades produtivas em áreas marcadas pela irregularidade das chuvas.
Com a consolidação do PISF, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte passaram a contar com uma infraestrutura permanente de apoio ao abastecimento no Semiárido.
O alcance estimado de 12 milhões de pessoas dimensiona o público potencialmente atendido por uma obra estruturada para enfrentar a escassez hídrica em parte do Nordeste brasileiro.


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