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3 comentários 6 min de leitura

De uma guerra na Europa a R$ 1 bilhão em faturamento: a história pouco conhecida da maior fabricante brasileira de tratores que conquistou 35 países

Foto de perfil do autor Felipe Alves da Silva
Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 16/12/2025 às 11:44
Assista o vídeoMáquinas agrícolas e tratores da maior fabricante brasileira, símbolo da indústria nacional e da agricultura de precisão no Brasil.
Fábrica e máquinas agrícolas da maior fabricante brasileira de tratores, referência em tecnologia e agricultura de precisão. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Fundada por imigrantes que fugiram da Segunda Guerra Mundial, a empresa brasileira saiu de uma pequena ferraria no interior do Rio Grande do Sul para se tornar multinacional, líder em inovação, agricultura de precisão e exportações globais

Pouca gente sabe, mas além das gigantes globais da indústria agrícola, como John Deere, New Holland e Massey Ferguson, o Brasil abriga uma fabricante nacional que construiu uma trajetória impressionante no setor de máquinas agrícolas. Trata-se da maior fabricante brasileira de tratores e implementos agrícolas, cuja história atravessa continentes, guerras e crises econômicas até se consolidar como uma potência do agronegócio nacional e internacional.

Essa trajetória singular começa longe do Brasil, no meio da Segunda Guerra Mundial, atravessa o oceano Atlântico e encontra seu destino em um pequeno distrito do Rio Grande do Sul, onde uma família de imigrantes transformou dificuldades extremas em inovação, tecnologia e crescimento industrial.

A informação foi divulgada por conteúdos históricos e registros institucionais da própria empresa, além de relatos amplamente difundidos em materiais audiovisuais sobre a indústria agro brasileira, que detalham a evolução da companhia desde sua origem até o cenário atual.

Trator Max 180/STARA – Imagem: divulgação

Da Holanda em guerra ao recomeço no Brasil rural

A origem dessa história começa na província de Brabante do Norte, ao sul da Holanda, onde vivia a família Stepper Brook. Eles levavam uma vida simples, sustentada pelo trabalho em uma pequena propriedade rural. No entanto, esse cotidiano foi brutalmente interrompido em 1940, com a invasão alemã durante a Segunda Guerra Mundial.

A Holanda foi intensamente bombardeada, mergulhou em recessão econômica, enfrentou instabilidade política severa e passou a conviver com o medo constante de novos conflitos armados. Diante desse cenário, a família passou a temer, sobretudo, que seus filhos fossem convocados para o serviço militar obrigatório.

Buscando segurança, estabilidade e a chance de recomeçar, a decisão foi tomada: deixar a Europa e migrar para outro continente. O destino escolhido foi o Brasil, que naquela época recebia diversas famílias holandesas, especialmente na região de Campinas (SP), onde surgia a colônia de Holambra.

Foi assim que, em 19 de abril de 1949, chegou ao Brasil Johannes Bernardos Stepper Brook, acompanhado de sua esposa e filhos. Inicialmente, a família se estabeleceu em Holambra, onde Johannes passou a trabalhar como ferreiro na Fazenda Ribeirão. Ainda assim, o futuro reservava mudanças ainda mais profundas.

Alguns anos depois, influenciados por religiosos holandeses que já viviam no Sul do país, a família decidiu se mudar para o pequeno distrito de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, região que à época pertencia aos municípios de Carazinho e Passo Fundo.

O nascimento da indústria e a criatividade como diferencial

Nesse novo cenário, Johannes e sua família continuaram atuando com reparos e montagem de implementos agrícolas, uma atividade essencial para os agricultores locais. Em pouco tempo, Johannes montou sua própria ferraria em parceria com outro imigrante, John Hers.

O crescimento foi rápido. Isso aconteceu porque havia uma demanda crescente por adaptações de implementos agrícolas europeus às condições do solo e do clima brasileiro. Dessa necessidade nasceu a Stepper Brook Hers, embrião do que, anos mais tarde, se tornaria a Stara.

Já na década de 1960, a empresa se destacava pela criatividade e inovação, passando a desenvolver seus próprios equipamentos. Em 1968, lançou um marco histórico para o agronegócio nacional: a primeira carpideira do Brasil com braços flutuantes, um avanço tecnológico significativo para a época.

Além disso, a empresa diversificou sua produção, fabricando pulverizadores, camas hospitalares e outros equipamentos. A família trabalhava incansavelmente, literalmente de domingo a domingo, transformando ferro em desenvolvimento e progresso.

Com o aumento das encomendas, uma fábrica maior foi construída e inaugurada em 1978, com impressionantes 8.000 m². No entanto, o crescimento seria interrompido por um dos períodos mais difíceis da história da empresa.

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Crises, reconstrução e o salto tecnológico da Stara

Os anos 1980 chegaram trazendo uma forte recessão econômica no Brasil. A moeda nacional se desvalorizou rapidamente, enquanto dívidas contraídas em dólar se tornaram impagáveis. Como consequência, a empresa atrasou salários, deixou de pagar fornecedores e chegou a perder carros e máquinas, confiscados por credores.

Em meio a essa crise profunda, em 1981, o patriarca Johannes faleceu aos 83 anos, deixando a empresa à beira do colapso. Foi nesse momento crítico que um novo capítulo começou a ser escrito.

Francisco, conhecido como seu Chico, que havia deixado a empresa para atuar como agricultor, decidiu retornar e investir suas próprias economias para salvar o negócio da família. Com esforço coletivo, união e muito trabalho, a empresa começou a se reerguer.

A partir de 1984, uma nova geração assumiu papel decisivo. Susana, filha de Francisco, casou-se com Gilson, que se tornaria uma peça-chave na reconstrução da empresa. Com uma visão moderna e estratégica, Gilson ajudou a Stara a dar um salto gigantesco nas décadas seguintes.

Em 1987, surgiram dois grandes sucessos de mercado: a plain agrícola dianteira (PED) e o subsolador Asa Laser. Nos anos 1990, a empresa continuou crescendo, embora enfrentasse disputas internas que levaram à saída de alguns familiares, os quais fundaram outras empresas de implementos agrícolas.

Na virada dos anos 2000, a Stara iniciou investimentos pesados em agricultura de precisão, importando equipamentos para estudo e desenvolvendo sistemas próprios. Nascia o Projeto Aquários, que colocou a empresa como pioneira no uso de GPS, guiamento via satélite e sistemas inteligentes no campo.

Mesmo diante de mais um momento difícil, com o falecimento de seu Chico em 2003, aos 65 anos, a empresa já estava preparada para seguir em frente. A liderança passou definitivamente para Gilson, que acelerou ainda mais o desenvolvimento de produtos inovadores.

Em 2006, foi lançada a plataforma de milho Brava. Em 2008, chegaram ao mercado a linha Vitória de plantadeiras e a Prima de semeaduras. O crescimento se intensificou até que, em 2010, ocorreu o maior salto da história da empresa.

Nesse ano, a Stara inaugurou uma nova fábrica em Carazinho, dedicada à fundição e usinagem, e lançou o primeiro pulverizador do mundo com barras centrais, uma inovação global. Ao mesmo tempo, entrou com força no mercado de tratores, lançando modelos como o ST Max 105 e o robusto ST Max 180, ambos equipados com motores renomados e preparados para operar com sistemas de agricultura de precisão.

Em 2019, a empresa se tornou oficialmente multinacional, com a inauguração da Stara Argentina. Já em 2020, o comando passou para AT, bisneto do fundador.

Atualmente, a Stara possui quatro fábricas, emprega mais de 3.600 funcionários, exporta seus produtos para 35 países, registra faturamento anual superior a R$ 1 bilhão e está posicionada entre as maiores fabricantes de implementos agrícolas do Brasil, com reconhecimento internacional por suas tecnologias exclusivas.

Uma gigante que nasceu pequena em Não-Me-Toque, no interior do Rio Grande do Sul, e conquistou o mundo com máquinas que transformam a forma de produzir alimentos.

Você conhecia a história dessa gigante brasileira do agronegócio ou se surpreendeu ao descobrir que o Brasil também lidera inovação na fabricação de tratores?

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Sebastião Viana
Sebastião Viana
17/12/2025 20:21

Se não tivesse tantos políticos criminosos ocupando cargo público e atrapalhando o desenvolvimento do país infernizando quem produz, estaríamos em outros patamares de desenvolvimento.

Mamerto
Mamerto
17/12/2025 11:47

Há muito erro na reportagem, a começar pelo nome de família do empresário holandês, os Stapelbroek, e a terminar no outro holandês que vivia em Não Me Toque, Gerit Jan Rauwers. Não houve dívidas contraídas em dólar. Não foi o patriarca Johannes que deixou a empresa à beira do colapso, pois ele não era gestor da empresa. Se formos em frente, vamos encontrar mais erros.

gssillva
gssillva
Em resposta a  Mamerto
18/12/2025 05:28

Reportagem feita por IA, sem o mínimo de pesquisa humana abrangente.
Esse é o grande problema. E o elemento que se diz repórter ainda ganha por isso.

Fonte
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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